Ciclo da cana-de-açúcar – O que foi? Início, Engenho, Produção e Fim

O ciclo da cana-de-açúcar foi uma importante atividade econômica desenvolvida no período colonial pelos portugueses, após o declínio da extração do pau-brasil como atividade principal. O ciclo da cana-de-açúcar coincide com o estabelecimento das Capitanias Hereditárias.

A partir do estabelecimento dos primeiros engenhos, o cultivo da cana e a produção de açúcar se espalharam por várias regiões do país, tornando-se rapidamente uma importante fonte de riquezas e a principal atividade econômica exercida na colônia.

Início do ciclo da cana-de-açúcar

O ciclo da cana-de-açúcar vai do século XVI ao século XVIII. Teve início com o estabelecimento das Capitanias Hereditárias. As primeiras capitanias a iniciarem o cultivo da planta foram as de Pernambuco, Bahia e São Vicente. As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, grandes fazendas, cuja produção era voltada para o comércio exterior (sobretudo Europa), utilizando mão de obra escrava, composta por indígenas e africanos.

Os portugueses já tinham certa experiência no cultivo da planta, por conta da exploração do açúcar nas ilhas do Atlântico (Ilha da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe), bem como na feitura dos equipamentos necessários para a produção do produto.

O engenho

O engenho açucareiro era o local onde se fabricava o açúcar, ou seja, o local onde estava a moenda, a fornalha e a casa de purgar o açúcar. Com o tempo, passou a se chamar de “engenho” toda grande propriedade produtora de açúcar.

No engenho também se localizava a casa grande, onde vivia o senhor de engenho com seus parentes e agregados, e as senzalas, onde ficavam os escravos. Havia, ainda, uma capela e os edifícios próprios para a produção do açúcar.

Os trabalhadores livres eram os feitores (que administravam o trabalho dos escravos), o mestre do açúcar, alguns lavradores contratados e outros. O senhor de engenho exercia grande autoridade sobre todos que vivam lá.

A produção do açúcar

Após o plantio, a colheita e o corte, a cana-de-açúcar era transportada para a moenda, onde era moída e prensada por grandes e pesadas engrenagens. O caldo obtido por esse processo era cozido na casa das fornalhas. E o cozimento retirava todas as impurezas, resultando em um caldo chamado de melaço.

O melaço era levado para a casa de purgar, ficando lá por cerca de duas semanas, em formas de barros com furos de drenagem, nas quais era juntado à água e ao barro. Depois de 40 dias, eram produzidos três tipos diferentes de açúcar (escuro, mascavo e branco).

A última etapa da produção do açúcar nos engenhos era a secagem e embalagem do produto. O melaço sólido (açúcar) era cortado, e os diferentes açúcares separados. Após a separação, o açúcar era batido, esfarelado e embalado.

O Brasil se tornou o maior produtor de açúcar nos séculos XVI e XVII. A partir das primeiras fazendas, o cultivo da planta se espalhou por várias regiões, como Rio de Janeiro, baixo vale do Rio Paraíba do Sul e Paraíba.

Fim do ciclo da cana-de-açúcar

A decadência do ciclo da cana-de-açúcar teve início ainda no século XVII, pela concorrência dos holandeses e ingleses.

A guerra entre Holanda e Espanha afetou o Brasil, uma vez que, a partir de 1580, Portugal esteve unido aos espanhóis pela União Ibérica. Isso estimulou os holandeses a atacarem o território brasileiro, sobretudo Pernambuco, o maior produtor de açúcar do país. Os holandeses tinham o controle do comércio marítimo com a Europa, além de mais eficiência na produção, desbancando a hegemonia portuguesa.

Após separar-se da Espanha, em 1640, Portugal tentou recuperar a produção de açúcar, mas seu papel na produção já estava ultrapassado. Em pouco tempo, as fazendas tiveram que optar por outras atividades econômicas, tais como o cultivo do tabaco e do algodão, para fugir da estagnação econômica.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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