Em tempos de Coronavírus, há falsa filantropia em Instituições de Ensino Superior

Neste momento de crise, muitas empresas estão oferecendo conteúdo online gratuito para que os cidadãos ocupem seu tempo em casa de maneira mais produtiva, criativa ou mesmo para fugir do tédio. Até aí, tudo bem. Mas quando falamos em Ensino Superior, o cenário é outro. Estamos testemunhando reduções exacerbadas de preço em cursos de Graduação e Pós-Graduação, uma categoria de ensino que não comporta práticas tão agressivas sem antes comprometer pilares fundamentais. Já pararam para pensar nos reais objetivos por trás dessas ofertas? Não estariam elas tentando se aproveitar de um momento de fragilidade da população?

filantropia ou oportunismo

É um absurdo sequer imaginar que instituições possam se aproveitar deste momento de confinamento, isolamento, quarentena – medo, incerteza, insegurança – para chamar de filantropia a baixa de preço de produtos que não vendem ou que são, simplesmente, de má qualidade.

Desde o início da quarentena, observo baixas de preço radicais. Vi mensalidades de cursos de Graduação passando de R$ 200 para até R$ 80. Instituições que antes vendiam seus cursos a R$ 150, chegaram a reduzir para um terço o preço, cobrando apenas R$ 50. Recebi inclusive um e-mail de uma Instituição oferecendo cursos de Graduação e Pós-Graduação por menos de R$30 por mês.

A situação exige um mínimo de reflexão. Será este o real valor do produto oferecido? Será viável para uma Instituição de Ensino reduzir em três vezes o valor do curso e ainda produzir conteúdo de qualidade, atualizado e com excelência em recursos didáticos? Eu tenho certeza que não. O desenvolvimento e manutenção de um sistema de ensino adequado, constantemente atualizado, com bons professores e uma plataforma adequada demanda
muito tempo e muito dinheiro.

É inacreditável que, neste momento que estamos vivendo, cercados de notícias negativas, nos deparemos ainda com empresas aproveitadoras do mais baixo nível. Fiquem atentos. Não é filantropia, não é boa ação. É simplesmente oportunismo barato. Ou o real valor de um produto de péssima qualidade.

Adriane Almeida Muraro
Mestre em Governança e Gestão da Educação
25 anos de experiência em inovação da Gestão Educacional

Rafaela Cortes

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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