Alfabeto Fonético Internacional – O que é? Quais os sinais?

O Alfabeto Fonético Internacional, às vezes referenciado pela sigla AFI (International Phonetic Alphabet ou IPA, em Inglês), é um sistema de sinais fonéticos usado para a transcrição fonética.    

O AFI foi criado pela Associação Fonética Internacional, uma das principais organizações de estudo da fonética, com o intuito de disponibilizar uma ferramenta padrão para a representação dos sons da fala humana.

Apesar de o AFI englobar todos os sons da língua humana, cada idioma tem seus próprios sons característicos, e apenas alguns dos sinais fonéticos são utilizados na transcrição.

alfabeto fonético

O que é transcrição fonética?

A transcrição fonética é a representação gráfica das palavras tal como elas são pronunciadas. Muitos dicionários apresentam a transcrição fonética de cada vocábulo, a fim de indicar ao leitor como pronunciá-lo.

Na transcrição, os sinais fonéticos, oriundos do AFI, são colocados entre colchetes: [ ]. A sílaba tônica, isto é, a mais forte, é precedida por um apóstrofo (‘), indicando a tonicidade (o sinal também pode aparecer na vogal tônica da sílaba, e não no começo dela).

Além disso, as sílabas podem ou não ser divididas; quando o são, coloca-se um ponto entre elas.

Observe alguns exemplos de transcrições fonéticas:

  • Rato: [x’a.tu]
  • Biscoito (RJ): [biʃ.kˈoj.tu]
  • Biscoito (SP): [bis.koj.tu]

Quais sinais do AFI são usados no português?

Todos os sinais do Alfabeto Fonético Internacional podem ser conferidos clicando aqui. Nessa plataforma há uma versão interativa do sistema, podendo-se escutar som por som, apenas clicando sobre o símbolo correspondente a cada um deles.

Por ser mais conveniente aos estudantes da língua portuguesa, listaremos, abaixo, apenas os sons do AFI utilizados para a transcrição fonética em língua portuguesa, seguidos de exemplos. Confira:

Vogais:

  • [a] -> Pá: [p’a]
  • [ɐ] -> Gota: [g’o.tɐ]
  • [ɛ] -> Pé: [p’ɛ]
  • [e] -> Dedo: [d’e.du]
  • [ɔ] -> Bola: [b’ɔ.lɐ]
  • [o] -> Forca: [f’oɹ.ka]
  • [i] -> Bico: [b’i.ku]
  • [u] -> Bula: [b’u.la]

Semivogais:

  • [j] -> Pai: [p’aj]
  • [w] -> Cauda: [k’adɐ]

Consoantes

  • [b] -> Bala: [b‘a.lɐ]
  • [d] -> Data: [d‘a.tɐ]
  • [dʒ] -> Dia: [‘i.ɐ]
  • [g] -> Gado: [g‘a.du]
  • [tʃ] -> Tia: [‘i.ɐ]
  • [k] -> Casa: [k‘a.zɐ]
  • [m] -> Mar: [m‘ax]
  • [n] -> Nau: [n‘aw]
  • [ɲ] -> Vinho: [v’ɲu]
  • [l] -> Lama: [l‘ɐ.mɐ]
  • [ł] -> Alto: [‘ał.tu] (em algumas regiões do Sul do Brasil)
  • [ʎ] -> Olho: [‘o.ʎu]
  • [ɾ] -> Cores: [k’o.ɾes]
  • [ř] -> Cores: [k’o.řes] (em algumas regiões do Brasil)
  • [x] -> Carro: [k’a.xu] (“r carioca”)
  • [f] -> Faca: [f‘a.kɐ]
  • [v] -> Uva: [‘u.vɐ]
  • [s] -> Céu: [s‘ɛw]
  • [z] -> Casa: [k’a.zɐ]
  • [ʃ] -> Chave: [ʃ‘a.vi]
  • [ʒ] -> Já: [ʒ’a]
  • [ʒ]* -> Mesmo: [mejʒ.mu] (no Rio de Janeiro)

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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