Antagonismo – O que é? Significado da palavra e Exemplos

O antagonismo é uma categoria de figuras de linguagem bastante utilizada, seja na conversa do dia a dia, em artigos de jornais ou em obras literárias. Não conhece esse tipo de recurso? A seguir, esclareceremos o que são as figuras de linguagem de antagonismo, com exemplos de sua aplicação. Confira!

Antes de aprofundar a questão do antagonismo, é importante esclarecer o que são as figuras de linguagem. Elas nada mais são do que recursos linguísticos utilizados para passar ou reforçar uma mensagem, tornando essa mais expressiva.

Curiosamente, a figura de linguagem costuma ter maior presença na comunicação escrita, funcionando como um artifício do autor para transmitir melhor uma ideia ao leitor, de maneira a facilitar a leitura e a comunicação.

antagonismo

O que é o antagonismo

Antagonismo significa uma oposição, geralmente de ideias. Dentro do enorme conjunto de figuras de linguagem conhecidas atualmente, há um bloco que retrata esse embate. Nele, há algumas figuras de linguagem bastante famosas, como antítese, paradoxo, oxímoro e quiasmo. Conheça, a seguir, cada um desses recursos e veja exemplos em frases – o que ajudará a reconhecê-los mais facilmente.

Antítese

A figura de linguagem antítese promove a aproximação de dois pensamentos contrários, de sentido antagônico. Nesse caso, pode ocorrer com o uso de palavras antagônicas em uma mesma sentença.

Outra forma de aplicação da antítese é a contraposição de ideias em frases. Em todos os casos, as palavras ou frases costumam ser ligadas por um elemento de coordenação, como a conjunção “e”. Veja um exemplo de antítese na literatura:

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente”.

Soneto da Separação, de Vinícius de Moraes.

antítese exemplo

Paradoxo

O paradoxo é uma figura de linguagem que une ideias contraditórias e que não são conciliáveis, pelo menos aparentemente. Geralmente, tem-se uma situação que parece ilógica, sem sentido algum.

Alguns estudiosos costumam dizer que esse recurso concilia opostos para tentar exprimir uma verdade difícil de ser dita ou caracterizada. Isto fica ainda mais explícito no exemplo a seguir:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer

Trecho do soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís Vaz de Camões.

paradoxo

Oxímoro

O oxímoro costuma confundir muitas pessoas e não é para menos, afinal, é um paradoxismo, uma vez que aproxima palavras ou frases contraditórias em um só pensamento.

Portanto, toda vez que se deparar com a palavra oxímoro, interprete-a como um paradoxo, o que ajuda a analisar o texto e identificar rapidamente a figura de linguagem. Veja um exemplo desse recurso em frases:

A explosiva descoberta

Ainda me atordoa.

Estou cego e vejo

Arranco os olhos e vejo

Excerto de Carlos Drummond de Andrade.

oximoro exemplo

Quiasmo

O quiasmo é uma das figuras de linguagem menos conhecidas do grupo, porque não é facilmente encontrada ou frequentemente utilizada. Trata-se de um cruzamento de grupos sintáticos, de maneira que palavras da primeira frase são ditas em ordem inversa na segunda oração. Fica mais fácil entender isso nos seguintes exemplos:

Melhor é merecê-los sem os ter

Que possuí-los sem os merecer

Excerto de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.

 

No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Trecho do poema No Meio do Caminho, de Carlos Drummond de Andrade.

 

De certos homens, dizia Sócrates, que não comiam para viver, mas só viviam para comer”.

Fragmento da obra Sermões, de Padre Antonio Vieira.

Analisando os exemplos, é simples perceber que no quiasmo há uma inversão e repetição de grupos sintáticos e palavras, contrapondo-se ideias. Embora haja exemplos em textos modernos, essa figura de linguagem é mais fácil de ser encontrada em obras barrocas e clássicas.

Rafaela Cortes

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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