Crime organizado – O que é? Características, Funcionamento e O Colarinho Branco

O crime organizado aflige a sociedade brasileira há anos, mesmo com os discursos e as promessas políticas de combate à criminalidade. Quando se acha que alguma parte importante do crime organizado foi desmantelada, outros elementos surgem, evidenciando a dificuldade que é enfrentar esse problema e a ineficácia de muitas ações adotadas nos últimos tempos.

Neste artigo do Gestão Educacional, entenderemos os conceitos de crime e de crime organizado e conheceremos como ele atua nos dias de hoje, com um alcance cada vez maior, em vários níveis da sociedade, trazendo uma série de prejuízos para todos.

O que é crime?

A definição de crime aponta para todo e qualquer comportamento inadequado que desrespeite o código de leis de determinada sociedade. A palavra se origina do latim crimen, que pode ser entendida como delito, considerado especificamente na violação de uma lei penal a partir da transgressão dos direitos de outro indivíduo ou do cometimento de alguma ilegalidade.

Em geral, o crime está ligado a ações praticadas por um indivíduo ou um grupo com pouca ou mesmo nenhuma preparação, que se aproveita de um momento em especial no intuito de tirar proveito imediato de algo, normalmente em pequena escala. O problema ainda maior é quando o crime ganha mais amplitude e organização, o que vai gerar um novo conceito: o de crime organizado.

O que é crime organizado?

Quando grupos formam organizações estabelecidas na prática de crimes sistemáticos, com maior preparo no planejamento e na execução, pode-se dizer que tais agrupamentos fazem parte da categoria de crime organizado. Um exemplo para compreender é o do tráfico de drogas, com uma vasta rede de criminosos que vai muito além do traficante do morro ou do bairro X.

Mas, vale dizer que o crime organizado vai muito além das drogas. A prática de jogo ilegal, o mercado de contrabando de produtos e também vários roubos podem ser enquadrados em atividades criminosas de maior preparo e organização, bem como a participação de muitas pessoas. Aliás, esta é a principal característica do crime organizado: a cooperação sistemática entre os membros envolvidos na prática dos delitos.

Uma das características do crime organizado é a violência, muito utilizada para resolver quaisquer questões dentro do grupo. Outro elemento importante é a participação de órgãos institucionais, seja por meio da omissão, seja pela corrupção, o que perpetua a degradação do sistema pelo sujo dinheiro auferido no cometimento de atos ilícitos.

Um exemplo do que pode se tornar uma organização criminosa é o da máfia italiana, que dominou o crime no país europeu e também atuou nos Estados Unidos entre os anos 1930 e 1960. Em geral, esses grupos eram formados por italianos que migravam para o continente americano e se reuniam em família para se proteger e lidar com a nova realidade em uma nação estrangeira. Isso incluía, claro, a prática de crimes. Uma das organizações criminosas mais conhecidas daquele período é a Cosa Nostra, que existe até os dias de hoje nos EUA.

Crime organizado e o colarinho branco

A questão social é apontada por especialistas como uma porta de entrada para o crime, pois, sem oportunidades de inserção na sociedade de consumo, por vezes o que sobra é a realidade mais próxima de sua convivência: praticar crimes para ter uma vida como a dos outros.

Porém, essa não é a única explicação para a existência do banditismo, ainda mais quando tratamos de crime organizado. Isso porque, no caso, envolve muitas pessoas com dinheiro e status social que, em princípio, não precisariam daquilo, mas usam de seus recursos e de sua influência para cometer crimes e aumentar seus lucros. É o caso do chamado crime de colarinho branco, cometido por indivíduos com alto grau de escolaridade, que possuem contatos com meios ou sujeitos influentes no mundo da política e da economia e usam isso para manipular as regras institucionais ao seu benefício.

O crime de lavagem de dinheiro é um ótimo exemplo de atividade cometida por essa faixa social. Basicamente, ocorre a troca do dinheiro sujo, ou seja, obtido pela prática de um crime, por investimentos em fontes legais de renda, isto é, que estejam dentro das normas – pode ser a compra de imóveis, um investimento em empresas ou no mercado de ações etc. Dessa forma, o dinheiro conquistado em crimes é aplicado em investimentos permitidos em lei, fazendo com que os criminosos sigam aumentando seus dividendos a partir de um dinheiro sujo, mas que agora passa a ser “limpo”, sem qualquer tipo de risco.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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