Gandhi – Quem foi? Biografia e Feitos

Mohandas Karamchand Gandhi foi um advogado e político nascido na Índia, em 1869. Ficou famoso por liderar, de forma pacífica, o movimento de independência de seu país contra os ingleses.

Conhecido como Mahatma (palavra do sânscrito, que significa “grande alma”) foi o grande idealizador de uma Índia independente, e sua filosofia influenciou vários outros movimentos ao longo do século.

Gandhi

Nascimento e juventude

Gandhi nasceu em 1869, na cidade de Porbandar, cidade litorânea da Índia. Era oriundo de uma família de posses, e seu pai era um político local. De acordo com os costumes da época, casou-se aos 13 anos com Kasturba, um ano mais velha, por meio de um acordo entre as famílias.

A condição financeira da família lhe permitiu viajar para a Inglaterra, onde inicia os estudos em Direito, na University College of  London, em 1888. Três anos depois, já formado, retorna para a Índia. Sem grande sucesso na carreira, parte para a África do Sul – à época, assim como a Índia, uma colônia britânica -, para trabalhar como advogado de uma empresa indiana.

Vida na África do Sul

Foi durante o período em que Gandhi viveu na África do Sul que sua atenção se voltou para as questões sociais. O país já era famoso pela discriminação racial promovida pelos brancos às outras etnias, e ao vivenciá-la, Gandhi decidiu que precisava lutar contra ela.

Motivado por uma lei que buscava retirar o direito ao voto do hindus, Gandhi criou, em 1894, o Congresso Indiano, uma pequena versão do partido político hindu, que realizava reuniões em todo o país, em busca de garantir os direitos dos indianos que lá viviam.

Em 1899, tem início a Segunda Guerra dos Bôeres, que colocava em conflito o Império britânico e os Bôeres, descendentes dos antigos colonos holandeses que haviam criado dois estados independentes na África do Sul.

Gandhi encorajou alguns companheiros a participar da guerra como padioleiros, retirando soldados feridos do campo de batalha. Ele liderou um grupo de 20 voluntários, atuando por cerca de 2 meses. Essa experiência mostrou a Gandhi que seria impossível enfrentar os ingleses militarmente.

A partir disso, Gandhi adota a Satyagraha, palavra do sânscrito que pode ser traduzida como força da verdade. Gandhi usa o termo para nomear a sua filosofia de não violência, que vai nortear todo o seu trabalho em prol dos direitos do povo hindu, começando na África do Sul.

Nos anos seguintes, Gandhi praticou a desobediência civil toda vez que seu povo se encontravam em dificuldade. Por conta disso, foi preso em várias ocasiões, sem nunca abrir mão de sua filosofia. Em 1915, depois de 22 anos, Gandhi retorna à Índia.

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De volta à Índia

Quando Gandhi voltou para o país, seu nome já era muito conhecido, sendo recebido como um verdadeiro herói. Seu primeiro grande ato foi liderar uma greve em prol dos empregados das tecelagens, que eram economicamente oprimidos pelos patrões ingleses, pelo qual acabou sendo preso.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra estava enfraquecida militar e economicamente. Surge, então, um forte movimento nacionalista, que buscava a independência, se preciso, por meio da violência, proposta fortemente rejeitada por Gandhi.

A Marcha do Sal

Em 1930, Gandhi inicia a famosa Marcha do Sal, um protesto contra as Leis do Sal britânicas, que garantiam o monopólio do produto e obrigavam os indianos a comprarem o sal produzido pelos ingleses a preços exorbitantes. Além do mais, a população hindu era proibida de fabricar o próprio sal.

A marcha começa em 12 de março, com cerca de 70 pessoas. O objetivo era desobedecer a lei inglesa e produzir sal no litoral, um trajeto de mais de 200 quilómetros. A marcha durou 24 dias, e, quando chegou ao seu destino, mais de 5.000 pessoas haviam se juntado a ela.

Encheram panelas com água do mar e deixaram secar ao sol. Em várias cidades as pessoas repetiram o gesto, colocando panelas sobre os telhados. As autoridades inglesas interviram, prendendo várias pessoas, inclusive Gandhi. A repercussão da marcha foi tão grande que, no ano seguinte, a Lei do Sal foi revogada, e a produção do sal liberada.

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A independência da índia

Somente após a Segunda Guerra Mundial os britânicos resolveram deixar a Índia. Após dedicar quase toda a sua vida à causa hindu, Gandhi finalmente havia atingido seu objetivo, mas não comemorou.

Nos últimos anos, havia se acirrado uma rixa entre hindus e muçulmanos no país. A população muçulmana não se sentia representada por Gandhi e seu movimento, iniciando à parte um movimento de independência, não só dos britânicos, como também dos hindus, reivindicando um território. Gandhi era contra a divisão do país, e tentou resolver o conflito à sua maneira, sem violência, mas não obteve sucesso.

No dia 15 de agosto de 1947, foi proclamada a independência da Índia (para os hindus) e do Paquistão (para os muçulmanos). Meses depois, em 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros por Nathuram Godse, um hindu radical, que responsabilizava Gandhi pela divisão do país.

Mesmo no leito de morte, Gandhi não abriu mão de seu princípio de não violência, e, como último desejo, pediu que seu assassino não fosse punido.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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