Anita Garibaldi – Quem foi? Biografia e Feitos

Anita Maria de Jesus Ribeiro foi uma revolucionária, com participação na Revolução Farroupilha e nas guerras que resultaram na unificação da Itália, no século XIX. Por seu empenho nessas lutas, ao lado do marido, ficou conhecida como a “Heroína dos Dois Mundos”.

Anita Garibaldi

Infância

Anita nasceu em 30 de agosto de 1821. Existe uma controvérsia sobre o local exato de seu nascimento, que poderia ter sido em Laguna ou Lages, no atual estado de Santa Catarina. Sua família era modesta, seu pai era um pequeno comerciante e descendia de portugueses que haviam emigrado dos Açores. Anita era a terceira de um total de 10 filhos.

Após a morte do pai, incentivada pela mãe e com apenas 14 anos, casa-se com Manoel Duarte de Aguiar. Após 3 anos de matrimônio, o marido se alista ao exército imperial, abandonando a jovem esposa, que volta para a casa da mãe.

Encontro com Garibaldi

Com apenas 18 anos, Anita conheceu aquele que seria seu grande amor e mudaria para sempre sua vida, Giuseppe Garibaldi. Com 32 anos, Garibaldi era um italiano que havia lutado pela unificação italiana. Após uma

Anita Garibaldi

Anita Garibaldi e seu esposo Giuseppe Garibaldi.

luta contra a cidade de Gênova, ele foi condenado à morte. Fugindo da pena, veio parar no Brasil, onde aderiu à causa farroupilha.

O encontro entre os dois foi arrebatador. Garibaldi parte na direção de Laguna, com o objetivo de conquistar aquela cidade. Ao chegar, observa o inimigo por meio de uma luneta, mas só o que enxergou foi uma linda mulher, que imediatamente chamou a sua atenção. Ao desembarcar sem enfrentar resistência, é convidado por um habitante local para tomar um café e conversar. Chegando na residência, a primeira pessoa que viu foi justamente Anita. Os dois se apaixonaram imediatamente.

 

Revolução Farroupilha

Garibaldi havia aderido à revolução logo que chegou ao Brasil, ao conhecer Bento Gonçalves, líder do movimento que estava preso no Rio de Janeiro. Os farrapos, nome pelo qual ficaram conhecidos os revolucionários, tinham como objetivo fundar uma república no Rio Grande do Sul.

Meses depois, Anita abandona tudo e parte com Garibaldi. Dias depois, em Imbituba, trava o primeiro combate, ao lado do italiano, contra as tropas imperiais. Seguem-se, entre outras, as batalhas de Santa Vitória e de Curitibanos, nas quais consegue fugir após ter sido capturada. Além desses, no ataque que ela e Garibaldi sofreram em Mostardas, consegue fugir à cavalo, carregando nos braços o primeiro filho do casal, Menotti, de apenas 11 dias.

Em 1841, com a derrota iminente da revolução, Garibaldi pede a Bento Gonçalves seu desligamento dos exércitos farroupilhas. Ele e Anita vão viver no Uruguai.

Vida no Uruguai

Ao todo, viveram 7 anos em Montevideo. Lá, eles oficializaram sua união e têm mais 3 filhos, Rosa, Tereza e Riciotti. Garibaldi foi indicado como comandante da frota uruguaia. Em 1848, ele consegue angariar fundos para enviar Anita e os filhos de volta à Itália, indo ao encontro deles meses depois.

Anita Garibaldi

Últimos anos na Itália

Na Itália, Anita e Garibaldi voltam a se engajar na luta pela unificação italiana. O território italiano era, naquela época, muito fragmentado. Haviam os reinos da Sardenha e das Duas Sicílias, o Ducado da Toscana, além da região da Lombardia, dominada pelos austríacos. E Roma era território do Papa.

Em 1849, Anita e Garibaldi vão a Roma, onde havia sido proclamada a República Romana. Atendendo a um pedido de ajuda do papa, tropas francesas, austríacas e espanholas invadem a cidade e a recuperam. Garibaldi e as tropas rebeldes tentam organizar uma resistência, mas acabam tendo de fugir para a República de San Marino.

Anita estava doente e grávida do quinto filho. A fuga desesperada de Roma e o medo de serem capturados afetou ainda mais sua saúde da mulher. No dia 4 de agosto de 1849, com apenas 27 anos, Anita e o bebê morrem.

Curiosidades

Anita é venerada pelos romanos por sua atuação na luta pela unificação deste território. Seu corpo foi enterrado no Janículo, uma das colinas da cidade, onde uma estátua presta homenagem à heroína.

A casa onde ela viveu em Laguna hoje é um museu, aberto em 1978. Ela também dá nome a ruas e avenidas pelo Brasil, sendo retratada em filmes e séries, além de tema de escola de samba.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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