Islamismo – O que é? Origem, Símbolos e Curiosidades

Islamismo é uma religião monoteísta, surgida no Oriente Médio, no século VII. Teve origem na figura de Maomé, seu fundador e primeiro líder, e os fiéis dessa religião são chamados de muçulmanos. É a segunda maior religião em número de fiéis no mundo, atrás apenas do cristianismo.

História do islamismo

Islamismo

A tradição islâmica aponta Maomé como o último dos profetas de Alá (Deus). Esse homem, nascido em Meca, no ano 570 d.C, era um pastor da tribo dos Coraixitas. Em 595 d.C, Maomé conhece Cadija, a primeira das muitas esposas que teria.

Sua vida teria uma guinada em 610 d.C, quando, ao meditar em uma caverna, Maomé recebeu a primeira de muitas visitas do arcanjo Gabriel, que o declarou como profeta de Deus. Somente três anos depois, encorajado por sua família e seus amigos, Maomé começou a pregar em público os ensinamentos que havia recebido do arcanjo.

Em Meca ficava Caaba, uma construção que abrigava a pedra negra, venerada pela população local, além de inscrições que faziam referência a outros deuses. É importante lembrar que, nesse período, a maioria dos árabes era politeísta.

A Caaba era um local de peregrinação, recebendo muitos visitantes, e a nova religião de Maomé pregava a crença em um deus único. À medida que o número de seguidores de Maomé crescia, crescia também a rejeição dos líderes da cidade, que, como protetores da Caaba, o viam como uma ameaça.

A Hégira

Maomé e seus seguidores passam a ser perseguidos. Em 16 de julho de 622 d.C, Maomé teve que fugir de Meca para Medina, em um evento que ficou conhecido como Hégira, e que marca o início do calendário islâmico.   

Unificação árabe

Após se estabelecer em Medina, Maomé começa uma série de conflitos contra seus vários inimigos, sobretudo na cidade de Meca, conquistada em 630 d.C. Nesse período, várias cidades foram conquistadas, e muitas pessoas se converteram ao Islã – a influência e o poder de Maomé cresciam cada vez mais.

Quando morreu, em 632 d.C, Maomé havia conseguido atingir Umma, a unificação de todas as tribos árabes, agora muçulmanas.

Após a morte dele, os seus seguidores começaram uma longa campanha de expansão territorial e religiosa, que incluiu todo o Oriente Médio, o norte da África e a Península Ibérica.

Símbolos e crenças

Islamismo

O livro sagrado do Islamismo é o Alcorão, e nele estão contidos os ensinamentos de Alá, revelados a Maomé pelo anjo Gabriel. Esses ensinamentos se baseiam em seis crenças principais:

  • Deus único;
  • Anjos como seres criados por Deus;
  • Livros sagrados, entre eles a Torá, os Salmos, o Evangelho e o Alcorão (último livro revelado por Deus e o mais completo entre eles);
  • Vários profetas, dos quais Maomé é o último;
  • Dia do Julgamento Final;
  • Predestinação (o que acontece com cada um é decisão de Deus).

Além das crenças, existem cinco pilares, em outras palavras, cinco deveres básicos que todo muçulmano deve cumprir:

  • Aceitação da crença;
  • Oração cinco vezes ao dia, com o corpo voltado na direção de Meca;
  • Esmola;
  • Jejum durante o Ramadã (o nono mês no calendário islâmico);
  • Peregrinação à Meca, se tiver condições financeiras para isso.

Sunitas e Xiitas

O Islamismo é composto por duas vertentes principais, o Sunismo e o Xiismo, que, por sua vez, se dividem em outros ramos. Além deles, existem outras minorias como Carjismo e Sufismo.

Aproximadamente 80% dos muçulmanos são sunitas. Eles acreditam que os primeiros califas (governantes) que assumiram o poder após a morte de Maomé eram legítimos. Além disso, defendem que qualquer pessoa justa e correta, e que conheça profundamente as leis islâmicas pode ocupar o cargo. Sua crença se baseia, além do Alcorão, na Suna, um conjunto de preceitos baseados nos ensinamentos de Maomé e dos primeiros califas.

Os xiitas, por sua vez, acreditam que a liderança islâmica deveria ser ocupada apenas pelos descendentes de Maomé. Os xiitas são, normalmente, vistos como mais radicais, enquanto os sunitas são considerados mais moderados. Esse modo de diferenciar os dois grupos é um tanto quanto simples, e nem sempre corresponde à realidade.

Islamismo

Curiosidades

Aproximadamente 25% da população mundial é muçulmana, sendo a Indonésia o país com o maior número de praticantes no mundo. O Islamismo é uma religião aberta, ou seja, qualquer pessoa pode se converter.

Não existe na religião uma figura central, como o papa na religião católica. As lideranças islâmicas costumam ser regionais, com cada país tendo seu próprio líder religioso. O calendário islâmico é diferente do nosso, pois se baseia na Hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina. Atualmente, os muçulmanos estão no ano 1440.

Os praticantes dessa fé têm sido vítimas de preconceito em muitos países, sobretudo por conta dos atos terroristas cometidos por extremistas, que representam uma minoria entre a comunidade islâmica.

Curiosamente, muçulmanos, judeus e cristão conviveram de forma pacífica durante boa parte da Idade Média. Os conflitos começaram, principalmente, a partir das Cruzadas, no século XI e, mais recentemente após a criação do Estado de Israel, agravando-se pela questão Israel X Palestina.


Referências utilizadas neste conteúdo:

Campani, Carlos. Um guia para o Islã. CIPP. 2015.
Elias, Jamal J. Islamismo. Edições 70. 2000.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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