Matriarcado – O que é? Termo, Conceito e Exemplos

Vivemos, nos últimos 4 milênios, em uma sociedade patriarcal, ou seja, uma sociedade na qual o homem se encontra em posição de destaque, ocupando os espaços de liderança e exercendo autoridade moral, religiosa, econômica, social, etc.

Nessa sociedade, é o homem quem dita e impõe todas as regras e os valores. Mas, alguns estudiosos acreditam que, no passado, isso possa ter sido diferente. Nossos antepassados podem ter vivido em uma sociedade matriarcal.

O que é matriarcado?

Matriarcado

Matriarcado seria uma forma de organização social na qual a mulher ocuparia a posição central, tanto no ramo familiar como na própria comunidade em si. Nessa sociedade, o poder estaria nas mãos da mulher.

Nossa história está cheia de referências a comunidades antigas nas quais as mulheres ocupavam o mesmo espaço que os homens, e outras onde as mulheres estavam em posição de domínio. Tanto as fontes escritas quanto os registros arqueológicos nos contam relatos de deusas muito cultuadas, mulheres guerreiras e líderes poderosas.

Existe uma grande quantidade de estatuetas encontradas em diversas civilizações antigas com representações femininas. Acredita-se que a maioria delas faça referência ao culto da deusa mãe, que existiu há milhares de anos, se espalhando por todo o mundo antigo, e que pode ter sido a base para o culto de várias divindades femininas conhecidas.

Termo, conceito e estudos sobre o matriarcado

Matriarcado

O termo matriarcado vem do grego, pela junção entre as palavras metéros (mãe) e arché (origem). É comum uma certa confusão com outros termos parecidos: matrilinearidade e matrifocalidade. O primeiro é uma organização na qual a linhagem segue a linha materna; já o segundo, por sua vez, é um conceito que qualifica um grupo doméstico que tem a mãe como centro, enquanto a figura do pai ocupa um papel secundário.

Uma sociedade matriarcal englobaria os dois conceitos, entre outros.

No século XIX, Johann Jakob Bachofen, um antropólogo suíço, escreveu um estudo monumental, utilizando fontes documentais e arqueológicas, no qual defendia a tese de que a maternidade é a origem de todas as sociedades humanas. Sua pesquisa precursora sobre matriarcado influenciou toda uma geração de estudiosos, deixando as portas abertas para mais descobertas dentro desse campo.

Dentre as figuras ilustres que seguiram esse caminho estão: Arthur Evans, arqueólogo britânico responsável por descobrir os restos da Civilização Minoica, na Ilha de Creta, na Grécia; Jane Hellen Harrison, britânica pioneira nos estudos sobre a Mitologia Grega; e Marija Gimbutas, arqueóloga lituana que pesquisou o culto a deusa Mãe e a substituição do matriarcado pelo patriarcado.

Gimbutas é a responsável pela Hipótese Kurgan, uma teoria desenvolvida para explicar o local de origem dos povos falantes do proto-indo-europeu, uma língua hipotética que seria a ancestral de todas as línguas europeias atuais. Nessa teoria, Gimbutas afirma que a expansão da cultura Kurgan, povos guerreiros que partiram das estepes da atual Rússia para o restante da Europa, pôs fim ao matriarcado no continente.

De fato, as civilizações antigas têm em suas mitologias vários exemplos de guerras entre deuses masculinos e deusas femininas, tais como Apolo contra Píton na Grécia e Marduk contra Tiamat na Babilônia. Os deuses masculinos sempre saem vitoriosos.

Mito ou realidade?

Nas últimas décadas, alguns acadêmicos começaram a questionar a ideia de sociedades matriarcais antigas. Para esses estudiosos, o matriarcado não passa de um mito. A própria hipótese Kurgan, amplamente aceita no passado, tem sido questionada em face a novas descobertas arqueológicas.

Exemplos

Embora não exatamente matriarcais, existem dois grupos que adotaram um estilo de vida baseada na matrilinearidade, algo bem diferente da realidade social do país em que vivem. Confira quais são, abaixo:

Minangkabau

Matriarcado

Os Minangkabau são um grupo étnico nativo do planalto da Sumatra Ocidental, na Indonésia. Sua cultura é matrilinear, com a transmissão da propriedade e da terra de mãe para filha. Entretanto, as questões políticas e religiosas são áreas masculinas (embora algumas mulheres também desempenhem papeis importantes nessas áreas).

Sua população é de, aproximadamente, 4 milhões, vivendo na Sumatra Ocidental, e de, aproximadamente, 3 milhões vivendo dispersos por muitas cidades e vilas da Indonésia e da Malásia.

Povo Mosuo

Matriarcado

Pequeno grupo étnico (aproximadamente 50 mil pessoas) que vive na China, próximo à fronteira do Tibete. Esse grupo também vive em uma sociedade matrilinear, na qual a mulher tem como obrigação as questões familiares e a liberdade nas questões sexuais.

Conclusão

O fato é que não se sabe exatamente quando ou onde se deu a transição entre as sociedades matriarcal e patriarcal. O mais provável é que tenha sido um processo gradual, ocorrido em lugares e épocas diferentes.

Apesar disso, por mais dominante que o patriarcado possa ter se tornado, é interessante notar como ainda existem grupos que conseguem romper com essa tradição.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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