Povo Iorubá – Quem são? Como surgiram? História e Formação

O vasto continente africano é formado por um grande número de etnias e culturas diversas, sobretudo dentro da chamada África Negra (também conhecida como Subsaariana). Nessa região, destaca-se um grupo de muita importância, cuja história está ligada de forma direta à história do Brasil: os Iorubás.

Quem são os Iorubás?

Os Iorubás são um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental, com uma população de mais de 30 milhões de pessoas. Vivem, sobretudo, em uma grande área do continente africano, que engloba os atuais países da Nigéria, Benin, Togo, Gana e Serra Leoa.

O termo Iorubá é, na verdade, um termo genérico, aplicado a diversas populações que estão ligadas entre si por uma mesma história e cultura. O termo também faz referência à língua falada pela maior parte dos Iorubás.

Breve história dos Iorubás

A história oral do povo Iorubá identifica sua origem como um grupo étnico a partir do reino de Ilê-Ifé, que surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, atingindo seu auge no século XII, o que é comprovado pelos vestígios arqueológicos.

A cidade foi superada pelo Império de Oyo, que se tornou o poder militar e político iorubá dominante, a partir do século XVII. Oyo era controlado por um Oba (ou soberano, com vários títulos individuais), auxiliado pelos Oloyes, conselhos formados por reconhecidos líderes regionais.

O Império de Oyo era expansionista, e entrava em guerra constantemente contra seus vizinhos. Dessa forma, ele participou ativamente do comércio de escravos no século XVIII, negociando seus prisioneiros de guerra diretamente com os portugueses, que construíram um importante entreposto comercial na atual cidade de Lagos, Nigéria, para facilitar o comércio.

A partir do início do século XIX, os Iorubás passam a sofrer uma série de ataques de vários adversários, entre eles os Fulani, que empurram os Iorubás para o sul, terminando com o poder do Império Oyo. Entre o final do século XIX e o início do século XX, a maior parte das áreas Iorubás já haviam se tornado colônias britânicas, sob um sistema de governo indireto que imitava as estruturas tradicionais.

Atualmente, a maior parte dos Iorubás está na Nigéria, constituindo uma importante etnia que representa cerca de um sexto da população. São na sua maioria católicos, mas uma parte segue também o islamismo, ficando o culto tradicional em terceiro lugar.

Os Iorubás e a escravidão

Um grande número de Iorubás foi levado para fora do continente africano devido ao intenso comércio de escravos praticado na região. Traços da cultura, língua, música e demais costumes foram disseminados por extensas regiões do continente americano, podendo ser encontrados ainda hoje no Brasil, em Cuba, na República Dominicana, em Trinidad e Tobago, no Haiti, entre outros.

Boa parte da população negra do Brasil tem seus ancestrais vindos de terras iorubás. Aqui, todos os escravos que chegavam e falavam ou entendiam o Ioruba foram chamados genericamente de nagôs.

Legado cultural

Essas populações iorubás deixaram um vasto legado cultural para a sociedade brasileira, contribuindo, por exemplo, com a capoeira e o candomblé.

Uma das características da cultura iorubá atual são os trajes elaborados, tradicionalmente feitos de algodão, com muitas cores e padrões diferentes. Um dos trajes, conhecido como agbada, serviu de inspiração para os famosos abadás, utilizados como uma espécie de uniforme em determinados blocos de carnaval.

Dessa forma, os iorubás constituem uma parte importante da história do Brasil. Por ser a maior etnia trazida para o nosso país pelos navios negreiros portugueses, os iorubás acabaram por contribuir para a formação cultural do país com elementos de sua própria cultura. Muitas das características de suas danças, seus costumes, sua culinária, bem como seus aspectos religiosos e linguísticos estão fortemente inseridas na cultura nacional.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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