Revolução Industrial: o que foi, como se desencadeou e muito mais

Revolução industrial é um assunto que ouvimos bastante quando somos alunos em sala de aula, mas que não se costuma pensar no quanto esse momento histórico mudou completamente a história da humanidade.

O que foi a Revolução?

O próprio termo “revolução” é algo que alguns historiadores do século passado dizem estar equivocado, pois, esse acontecimento, foi gradual, demorando anos até estabelecer-se e mudar a sociedade. No entanto, fato é que ela foi uma reformulação no modo de pensar na organização dos meios de produção, levando, anos mais tarde, a se pensar nas condições de trabalho também.

Há controvérsias entre qual ano começou a acontecer tais mudanças, que estão entre os séculos XVIII e XIX, mas o local é certo: a Inglaterra foi a pioneira da Revolução Industrial, que chegou quando o país era a maior potência econômica do mundo, muito avançada nos campos da Ciência. Além disso, o país tinha grandes reservas de carvão mineral, o principal combustível para as máquinas da época. Algumas décadas mais tarde, o restante da Europa e os Estados Unidos também adotaram o modelo de fabricação.

Causa

Revolução Industrial: o que foi, como se desencadeou e muito mais.

O grande motivo por este momento da humanidade ter acontecido foi a invenção do motor a vapor, que tem uma história interessante. Ela começa no século I, com um grande matemático e mecânico da Alexandria, chamado Heron. Sua máquina foi nomeada “eolípila”, uma caldeira de água em formato de esfera, que girava de acordo com o aquecimento.

O segundo motor vaporizado produzido foi do engenheiro militar inglês Thomas Savery, em 1698. No ano de 1712, Thomas Newcomen, engenheiro e inventor inglês, fez uma máquina, que seria usada em minas de carvão e supriria a necessidade de cavalos de carga pesada, o que diminuiu muito o capital empregado nesse trabalho. Todas essas invenções foram precursoras para que o motor a vapor mais importante fosse criado no ano de 1777, por James Watt.

O escocês aperfeiçoou o equipamento de Newcomen, que, apesar de prático, era lento, mas que, posteriormente, foi solucionando, adicionando um cilindro a outro, fazendo o processo de aquecimento de vapor e de combustível de forma separada – algo que Newcomen não tinha feito. Com o processo das máquinas a vapor tornando-se mais veloz, ficou viável trazer a tecnologia para a construção de fábricas.

Mudança no modo de produção

Voltando um pouco antes no tempo, era possível perceber que os produtos eram manufaturados, ou seja, trabalhos artesanais e manuais. Um artesão poderia cuidar de todo o processo de produção de sua mercadoria, e tinha contato direto com o seu comprador.

A ascensão da Revolução industrial mudou esse cenário, pois a produção passou a ser separada em diversos setores. Como consequência, o trabalho era repetitivo e uma pessoa nunca sabia como seria o resto do produto, além de que os empregados passaram a trabalhar para um patrão, com a condição de receber um salário – um dos filmes mais famosos do cinema, Tempos Modernos, de Charles Chaplin, retrata muito bem essa situação.

Condições trabalhistas

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Os trabalhadores passavam por situações desumanas dentro das fábricas. Muitos estavam expostos a explosões e mutilações, por causa das máquinas, pois não havia o uso de equipamentos de segurança, além de que não recebiam nenhum tipo de assistência médica ou suporte.

A jornada de trabalho variava entre 10 e 16 horas diárias, tendo caso de famílias inteiras – inclusive grávidas, crianças e idosos – trabalhando para ganhar um salário muito baixo. Enquanto isso, os patrões ficavam cada vez mais ricos, gerando tamanha revolta que foi a causa da criação de sindicatos, greves e muitos outros atos, que gerariam uma revolução no modo como se trabalha e se emprega até os dias de hoje.

Foi por causa dessas condições de trabalho precárias que os filósofos socialistas Karl Marx e Friedrich Engels lançaram O Manifesto Comunista, literatura responsável pelas revoluções que estourariam não só na Inglaterra, mas em outros lugares do mundo.

Sociedade atual e o futuro

A Revolução Industrial passou por várias fases até chegar aos dias atuais. Em relação a antigamente, os trabalhadores da segunda metade do século XX e do século XXI são os que mais desfrutam de todas as conquistas  nos primeiros anos desse fato histórico.

Hoje, a relação empregador-trabalhador é muito mais humanizada e as empresas têm a preocupação com o bem-estar físico e mental dos seus empregados – e isso mostra que a luta daqueles primeiros operários gerou frutos e expandiu ao longo das décadas. Enquanto vemos nossas relações trabalhistas mudarem novamente, por causa da popularização da Internet e das novas tecnologias, entramos no que especialistas chamam de a ‘quarta fase’ da Revolução industrial que, assim como a primeira, mudará o curso da humanidade.

É uma mudança de paradigma completa que fará a relação homem X máquina atingir outro patamar, que tornará possível a automatização completa de fábricas. Esse processo pode ser bom ou ruim, e tudo depende de como a sociedade irá adaptar-se e inovar-se, mediante a tudo o que se tem pela frente.

Rafaela Cortes

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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