Verbos defectivos – O que são? Tipos, Conjugação e Exemplos

Você já passou por alguma situação na qual tentou conjugar algum verbo em determinado tempo verbal e não conseguiu achar uma forma adequada? Pois você pode ter se deparado com algum verbo defectivo — até mesmo sem saber bem o que é um!

Neste artigo do Gestão Educacional, veremos o que são esses chamados “verbos defectivos”, que não possuem formas para determinadas pessoas gramaticais, tendo as conjugações, portanto, incompletas, bem como diversos exemplos deles. Confira!

O que são verbos defectivos?

Os verbos defectivos são tipos especiais e bastante curiosos de verbos. Eles são caracterizados por, ao serem conjugados em determinados tempos verbais, não possuírem formas para algumas pessoas gramaticais.

Para compreender melhor, veja, por exemplo, a conjugação do verbo “falir” no presente do indicativo:

  • Eu –
  • Tu –
  • Ele –
  • Nós falimos
  • Vós falis
  • Eles –

Você conseguiria completar os espaços que faltam? Dificilmente, pois o verbo “falir” não possui formas para essas pessoas gramaticais no presente do indicativo. E não apenas isso: ele simplesmente não existe no presente do subjuntivo e no imperativo negativo, e no imperativo positivo ele só é conjugado na segunda pessoa do plural, ou seja, “fali vós”. Trata-se, portanto, de um verbo defectivo.

A razão de isso acontecer com o verbo “falir” é que a conjugação dele causaria atrito com a do verbo “falar”, de modo que ambos poderiam ser confundidos. Ao tentar conjugar o verbo “falir” na primeira pessoa do presente do indicativo, nosso cérebro tende a conjugá-lo como “eu falo”. O problema é que “eu falo” já é a forma da primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “falar”. É fácil perceber que isso certamente causaria uma confusão.

Outros verbos podem ter outras razões para serem defectivos, como por não terem utilidade prática, terem formas desagradáveis aos ouvidos, dentre outras.

Alguns gramáticos costumam considerar os verbos impessoais e os verbos unipessoais como verbos defectivos. E é justamente isso que veremos a seguir.

Verbos defectivos, impessoais e unipessoais: qual a diferença?

Como comentado, alguns gramáticos consideram os verbos impessoais e unipessoais como defectivos. Revisemos o que são esses tipos de verbos e o porquê de eles poderem ser classificados como defectivos.

Diz-se que determinado verbo é impessoal quando não faz referência a nenhuma pessoa gramatical, não possuindo, portanto, sujeito, sendo usado apenas na terceira pessoa do singular. Um tipo de verbo impessoal bastante famoso é aquele que denota fenômenos da natureza, tais como: chover, nevar, ventar, trovejar etc.

Já os verbos unipessoais são aqueles que fazem referência a apenas uma pessoa gramatical, tendo, nesse caso, sujeito, o que faz com que não possam ser considerados verbos impessoais. É o caso dos verbos que exprimem ações ou estados particulares a animais, como “zumbir”, “ladrar”, “galopar”, “coaxar” etc. Por só se referirem a animais, só podem ser empregados na terceira pessoa do singular ou do plural, o que justifica o nome “unipessoal”.

É justamente pelo fato de os verbos impessoais e unipessoais não possuírem formas para todas as pessoas que eles são considerados, por muitos, verbos defectivos.

Convém observar que, numa linguagem metafórica, tanto os verbos impessoais quanto os unipessoais podem ser empregados em outras pessoas. Nada impede um falante de dizer, por exemplo: “Eu rosno ferozmente quando estou irado!”, ainda que “rosnar” seja um verbo unipessoal, sendo comum esse tipo de emprego em poemas, romances, fábulas etc., ou seja, em gêneros nos quais o autor tem certa liberdade poética.

Exemplos de verbos defectivos

Você pode até pensar: ah, mas devem ser poucos os verbos defectivos da língua portuguesa, porém eles não são tão escassos assim. Confira, abaixo, uma lista com alguns verbos defectivos.

  • Abolir;
  • Adequar;
  • Aguerrir;
  • Aturdir;
  • Banir;
  • Bramir;
  • Brandir;
  • Carpir;
  • Colorir;
  • Condoer;
  • Delinquir;
  • Delir;
  • Demolir;
  • Doer;
  • Empedernir;
  • Esculpir;
  • Exaurir;
  • Explodir;
  • Extorquir;
  • Falir;
  • Feder;
  • Fulgir;
  • Grassar;
  • Puir;
  • Reaver;
  • Renhir;
  • Ressequir;
  • Retorquir;
  • Ruir;
  • Soer.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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