Arte Românica (Romanesco) – O que é? Contexto histórico e Características

A Arte Românica, ou Romanesco, foi um estilo artístico que surgiu na Europa, em algum momento do século XI, durando até o século XIII, quando foi substituído pelo Gótico. Embora tenha sido nitidamente influenciado pela Arte Romana (como o nome sugere), a Arte Romântica teve suas próprias características.

Tendo uma forte relação com a Igreja, principal símbolo de poder na época, a Arte Românica só recebeu este nome na década de 1820, por conta dos escritos de Charles de Gerville e Le Provost.

Arte românica e arte romana são a mesma coisa?

Essa é uma questão que precisa ser resolvida antes de tratarmos especificamente da arte românica. A resposta para a pergunta é não. Esta é uma confusão bastante comum, mas os termos em questão não fazem referência a um mesmo estilo de arte.

O termo “Arte Romana” é o nome que se dá às manifestações artísticas da antiga civilização romana, cuja existência é geralmente dividida em dois períodos: o período da República (509 a.C. a 27 a.C.) e o período do Império (27 a.C. a 476 d.C.). Ou seja, estamos falando de quase mil anos de existência, tratando-se, portanto, de uma arte bastante complexa, duradoura e difícil de ser definida em sua amplitude.

Além disso, a Arte Romana é uma arte não apenas milenar, mas também bastante heterogênea, pois sofreu influências de diversas outras culturas (apesar de a influência maior ter sido a Grega), uma vez que o Império Romano estendeu-se por diversas regiões, indo das Ilhas Britânicas ao mar Cáspio.

Já o termo “Arte Românica” (ou “Romanesco”) é usado para se designar a arte produzida na Europa entre os séculos XI e XIII, cuja principal influência, como o nome sugere, foi justamente a Arte Romana.

Outra imprecisão, também bastante comum, é a de se empregar o termo “romanesco” para se definir toda a arte do período entre a queda da hegemonia da Arte Romana e o surgimento do Gótico Italiano. Trata-se de um erro grosseiro, uma vez que entre estes períodos desenvolveram-se outros estilos de arte, como a arte bizantina, a hindu, a insular, a islâmica etc.

Contexto histórico da Arte Românica

Compreendida a diferença entre Arte Romana e Arte Românica, tratemos especificamente desta última, agora.

O primeiro detalhe que precisa ficar claro é o de que a Arte Românica não é uma mera cópia ou continuação da Arte Romana. Embora nitidamente influenciada por esta, a Arte Românica desenvolveu suas próprias características, bem como recebeu influencias da arte de outros países, como da:

  • Arte Cóptica (do Egito);
  • Arte Sassânida (da Pérsia);
  • Arte Insular (da França, Suíça, Bélgica e Bretanha);
  • Arte Bárbara (da Escandinávia e da Alemanha);
  • Arte Bizantina (da Grécia e da Turquia).

Trata-se, portanto, de um movimento bastante heterogêneo e eclético, misturando elementos da tradição cristã com a pagã, além de outros contrastes culturais, e espalhando-se por grande parte da Europa, especialmente pela Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Espanha.

Outro detalhe importante é o de que a arte românica tem uma forte relação com a Igreja. Neste período, uma época de relativa paz, houve um fortalecimento do comércio e um incentivo à peregrinação. Com isso, as igrejas, os mosteiros e os templos, que se tornariam polos de produção artística, começaram a ganhar cada vez mais ornamentos, a fim de atrair e satisfazer os peregrinos.

Não apenas isso: houve, também, um crescimento no número de edifícios religiosos, cujas construções se alinharam ao fortalecimento e à expansão da Igreja e à influência do Papa, sobre o qual centralizava-se o poder. Os principais impulsionadores desse fortalecimento foram a peregrinação e a convocação às Cruzadas, que marcaram os séculos em questão.

Igrejas, mosteiros, templos, catedrais, basílicas etc. construídos eram cada vez mais ornamentados, da arquitetura à decoração interior.

Características da arte românica

Arquitetura

As igrejas construídas no período romanesco são bem maiores que as suas antecessoras, justamente para abrigar o maior número possível de fiéis, que chegavam aos montes por conta das peregrinações.

As portas, janelas e arcadas eram em formato de arco semicircular, um empréstimo da arquitetura romana, e os projetos arquitetônicos geralmente contavam com 3 ou 5 naves. Para sustentar as abóbadas, construía-se pilares e paredes maciços, com pouca ou nenhuma janela.

A Catedral de Durham, na Inglaterra, é considerada uma das obras-primas arquitetônicas do estilo românico. Construída entre 1093 e 1133 (40 anos), a obra já conta com algumas características precursoras do estilo gótico.

Escultura

A escultura, na arte românica, ajuda na ornamentação das construções religiosas. Em algumas construções, esculpia-se a própria fachada, como na fachada oeste da Catedral de Módena, na Itália, que conta com um baixo-relevo do artista Wiligelmo de Módena, considerado o primeiro grande escultor italiano, representando a criação e a tentação de Adão e Eva. Outro exemplo são os tímpanos (espaço acima do portal de entrada) esculpidos em relevo na Abadia de Vézelay, França.

Esculturas à parte também foram realizadas neste período, mas sempre destinadas a ornamentar as peças arquitetônicas. As esculturas são sempre simbólicas, sem haver a preocupação de se representar o ser/objeto de maneira fiel, embora haja uma certa tendência ao realismo.

Pintura

A pintura, que não teve a mesma expressão que a arquitetura e a escultura, é caracterizada especialmente pelo Simbolismo e pelo emprego da narrativa, tendo geralmente fins didáticos. Isso porque pinturas, murais, afrescos, iluminuras e tapeçarias serviam para transmitir mensagens e passagens bíblicas, uma vez que a grande maioria dos visitantes era analfabeta.

As pinturas enfeitavam paredes e tetos das construções, como o afresco A tentação de Cristo (artista desconhecido), originalmente localizada na Ermita de San Baudello de Berlanga, na Espanha (atualmente encontra-se no Metropolitan Museum of Art, Nova York, EUA). Nele, fica claro o emprego da narração, pois Cristo aparece sendo tentado pelo diabo em três momentos diferentes.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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