Atenas – História, Cultura, Política, Sociedade, Democracia e Guerras com Esparta

Uma das principais cidade-estado da Grécia Antiga, Atenas é conhecida como o berço da democracia. A cidade foi fundada pelos Jônios no século IX a. C. A princípio, Atenas era uma monarquia, substituída depois por uma espécie de monarquia eletiva, formada por nove membros eleitos a cada ano pelos eupátridas, os descentes dos nobres que conquistaram a região de Ática.

Com o tempo, o descontentamento popular fez com que a elite da cidade fosse obrigada a fazer concessões às outras classes. Leis escritas foram estabelecidas no sentido de evitar os abusos de poder. Nesse sentido, destacam-se os legisladores Drácon, que passaria a história como exemplo de severidade, e Sólon, famoso por sua honestidade e seu patriotismo, cujas reformas abriram caminho para quem fez novas concessões às classes populares, abrindo as portas para uma nova forma de governo na cidade.

Democracia ateniense

Em 508 a.C., Clístenes, político ateniense, introduziu novas mudanças ao sistema de governo da cidade, inaugurando o que ficou conhecido como democracia.  Em grego, democracia pode ser traduzida como “poder de muitos”, ou seja, a partir de agora, a cidade não era mais governada por um rei ou por um grupo pequeno de aristocratas. O governo era exercido por várias instituições, com diferentes pesos de decisão, ainda que muitos membros dessas instituições fossem de origem nobre:

  • Eclésia: uma espécie de assembleia pública ao ar livre, aberta a todos os cidadãos, e onde vários assuntos de interesse da cidade eram discutidos e votados;
  • Boulé: também conhecido como Conselho dos 500, era constituído anualmente por sorteio, no qual 50 homens de cada demo (regiões dentro de Atenas) eram escolhidos. As sessões eram públicas, mas só os participantes do conselho tinham poder de decisão;
  • Areópago: era o tribunal mais antigo de Atenas e tinha como funções propor a adoção de novas leis e regular os assuntos religiosos e judiciários. Seus membros também eram escolhidos por sorteio;
  • Helieia: tribunal popular, constituído por 6.000 cidadãos atenienses (600 por cada demo). A participação dentro dessa instituição durava cerca de um ano e era necessário ter 30 anos ou mais para participar. Esse tribunal julgava as causas públicas e privadas, e os membros participantes eram sorteados nos dias de cada julgamento.

É importante salientar que o conceito de democracia, como o entendemos hoje, era diferente do que os gregos entendiam. A democracia era voltada para os cidadãos atenienses, ou seja, homens adultos, filhos de pais ou mães atenienses. Portanto, escravos, estrangeiros e mulheres não tinham direito à participação, tão pouco alguma representatividade no processo democrático.

Disputa hegemônica com Esparta

Ao longo de sua história, Atenas disputou com Esparta a hegemonia militar e política da Grécia Antiga. As duas cidades estiveram envolvidas em vários conflitos, na maior parte como inimigos, mas também já lutaram lado a lado para manter a Grécia livre de invasores.

Duas guerras se destacam na história ateniense:

Guerras médicas

Guerras médicas é o nome que se dá aos dois conflitos opondo as cidade-estado gregas e o poderoso Império Persa. A primeira delas se deu em 490 a.C., motivada pela interferência ateniense, na tentativa persa de expandir o império. A guerra terminaria, naquele mesmo ano com a vitória grega na Batalha de Maratona.

De anos depois, os persas, agora comandados por Xerxes, atacaram novamente a Grécia, dessa vez tendo como principais opositores, além de Atenas, a cidade de Esparta. Mais uma vez os persas foram derrotados nas batalhas de Salamina e Plateia, pondo fim à tentativa persa de conquista da Grécia.

Guerra do Peloponeso

Esse conflito entre Esparta e Atenas ocorreu entre 431 e 404 a.C., e foi motivado por questões políticas e, claro, pela imensa rivalidade e desconfiança mútua entre as duas cidades.

Após longos 27 anos de combates, Esparta saiu vencedora da guerra, mas, de fato, as duas cidades estavam arrasadas. A derrota definiu o início da decadência ateniense que, junto com toda a Grécia, foi conquistada pelos macedônios e depois pelos romanos.

Conclusão

Ao contrário do que aconteceu com Esparta, Atenas manteve sua importância após a conquista romana, tornando-se um centro de cultura na parte oriental do império. A importância de Atenas ao longo dos séculos levou a cidade ao posto de centro político, econômico e cultural da Grécia, e um destino turístico de grande importância internacional.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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