Civilização Maia – Origem, Organização da Sociedade, Decadência e Legados

Ao longo dos vários séculos do período que ficou conhecido como Pré-Colombiano, várias civilizações floresceram nas Américas. Essas civilizações eram muito avançadas para o seu tempo, mas não sobreviveram à chegada dos europeus ao continente.

Uma dessas civilizações era a Maia, reconhecida como uma das mais desenvolvidas desse período. Esse povo possuía escrita e calendário próprios e matemática e arquitetura avançadas. Surgida por volta de três mil anos atrás, os Maias se espalharam pelo sul do México, Honduras, Guatemala, Belize e El Salvador, até entrarem em decadência ao longo dos séculos X e XV.

Origem da Civilização Maia

Há um longo debate a respeito das origens do povo Maia. Alguns estudiosos apontam para o período de 1800 a.C. como a data mais aceita. Outros estudos defendem datas ainda mais antigas, por volta de 2600 a.C. O próprio calendário maia começa em uma data equivalente ao ano 3114 a.C.

Também existe uma divergência sobre os limites que definem a extensão física e cultural do início da civilização Maia e das civilizações vizinhas, como os Olmecas e Zapotecas.

Sociedade Maia

A organização política dos Maias era baseada na ideia de cidades-estado ou seja, cada cidade funcionava como uma entidade administrativa independente, com autoridades próprias e fronteiras que eram estabelecidas pelos limites da própria cidade. Por isso, os maias nunca formaram um império propriamente dito.

A relação entre as cidades maias era complexa. O comércio era largamente praticado entre elas e, ao mesmo tempo, muitas guerras eram travadas, motivadas pelo desejo de determinadas cidades de impor seu domínio sobre as outras. Entre as cidades que conseguiram se sobrepor por um determinado tempo estão: Palenque, Tikal e Chichen Itzá.

As sociedades maias eram fortemente hierarquizadas, com cada grupo social com suas funções muito bem definidas entre camponeses, responsáveis pela agricultura; elite, que administrava as cidades; e rei, que ficava no topo da cadeia social de cada cidade.

Os sacrifícios humanos eram amplamente praticados e tinham função religiosa, mas também política, à medida que as vítimas normalmente eram guerreiros e governantes de cidades vizinhas.

Os maias acreditavam que o mundo era um local no qual um ciclo de fases se repetia eternamente. Por conta dessa visão, desenvolveram um sistema duplo de calendário, que um era composto por 365 dias (chamado Haab) e outro composto por 260 (chamado de Tzolkin). O fim de cada ciclo era considerado um período de renovação para os Maias.

Decadência e fim dos Maias

Após 900 d.C., a região mais ao sul ocupada pela civilização Maia entrou em um período de declínio. As razões dessa decadência ainda são motivo de estudo por parte dos historiadores.

Dentre as possíveis causas, podemos apontar: falta de alimentos, resultante da superpopulação e do esgotamento da terra, desastres naturais, doenças, além das inúmeras guerras.

Durante esse período, várias cidades foram reduzindo o seu número de habitantes, até que, por fim, todas acabaram sendo abandonadas.

As terras mais ao norte continuaram com dificuldades, sendo governadas pelos Maias, mas sofrendo influências de outros povos. Quando os espanhóis chegaram, toda a região já estava ocupada pelos Toltecas e outros povos, que haviam suplantado os Maias. Em pouco tempo, toda a área terminou por ser conquistada pelos espanhóis.

Legado da civilização Maia

O avanço tecnológico apresentado pelos maias em algumas áreas era notável. Elas já conheciam o conceito de zero, e usavam um sistema de numeração de base 20, trabalhando com somas de até centenas de milhões.

Produziram observações astronômicas precisas dos movimentos da Lua e de vários planetas.

O calendário adotado pelos Maias era preciso, e considerado superior ao calendário gregoriano. Já a arte e a arquitetura praticadas pelos Maias também eram muito desenvolvidas.

O sistema de escrita Maia combinava símbolos fonéticos com ideogramas, de maneira semelhante aos hieróglifos egípcios. Essa escrita, ainda hoje, não foi totalmente decifrada, o que nos impede de saber mais detalhes sobre essa incrível civilização.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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