Dia D – O que foi? Causas, Antecedentes e Preparação

O Dia D é a maneira como ficou conhecida uma das maiores batalhas travadas durante a Segunda Guerra Mundial, e é considerada a maior operação de invasão marítima da história. A Operação Overlord (nome oficial) foi uma iniciativa dos aliados visando abrir uma nova frente de batalha pelo desembarque de milhares de soldados aliados nas praias da Normandia, uma região a oeste de Paris.

O resultado dessa batalha abriu caminho para que os aliados libertassem a França e, a partir daí, começassem a empurrar os alemães para dentro de seu próprio território.

Antecedentes

A primeira fase da Segunda Guerra foi marcada pelo avanço alemão em todas as frentes, ganhando territórios e derrotando qualquer inimigo que se coloca em seu caminho. A derrota das tropas britânicas em Dunkirk e a rendição francesa em 22 de junho de 1940 deixaram os alemães sem adversários no continente, o que permitiu que Hitler ordenasse, um ano depois, um ataque à Rússia, até então protegida por um pacto de não-agressão (Pacto Ribbentrop-Molotov), assinado em agosto de 1939.

Portanto, os russos passaram a combater sozinhos a máquina de guerra nazista, tendo de pressionar os aliados para a abertura de uma nova frente de combate. A invasão da Itália não resolveu o problema, pois o território italiano é muito montanhoso e, por isso, facilmente defendido pelas tropas alemãs, que impediam grandes avanços dos aliados. Dessa forma, estes planejaram uma grande operação no sentido de abrir uma nova frente que permitisse um amplo avanço, e o local escolhido foi a Normandia, na França.

A preparação

A decisão de invadir a Normandia foi tomada em maio de 1943. O local foi escolhido por ser uma ampla área que permitia avanço das tropas para Paris e, posteriormente, Alemanha. Além disso, era próxima ao porto de Cherbourg, que seria importante para o desembarque de tropas nos dias após a invasão.

Uma grande operação foi montada com o objetivo de manter os planos de invasão em segredo, à medida que o planejamento se desenvolvia. Um pequeno círculo de pessoas possuía as informações sobre a invasão, e a maior parte dos envolvidos apenas recebia informações específicas. Dessa forma, os possíveis espiões alemães não conseguiriam juntar informações suficiente para prejudicar os planos dos aliados.

Por outro lado, os espiões e agentes duplos aliados conseguiram fazer com que os alemães acreditassem que uma invasão da França aconteceria por Calais, local que apresenta a menor distância entre França e Inglaterra. Com isso, os alemães deixaram muitas tropas estacionadas na região, esperando por uma invasão que nunca aconteceu.

O dia D

O desembarque foi marcado para o dia 5 de junho de 1944, mas o mau tempo no Canal da Mancha adiou a operação por um dia. O segredo era tanto que nem os próprios soldados sabiam exatamente quando e onde desembarcariam. Os locais de desembarque receberam nomes-código, e a data e o horário foram definidos como Dia D e Hora H.

A invasão começou exatamente às 00:30 do dia 6 de junho, quando paraquedistas norte-americanos e ingleses saltaram atrás das linhas inimigas para executar uma série de missões para impedir que as tropas alemãs posicionadas no litoral recebessem reforço.

Os desembarques deveriam ocorrer a partir das 06:30 da manhã, com as praias definidas da seguinte maneira:

  • Praia Utah, Point du Hoc (um pequeno rochedo, alvo de ataques de tropas americanas, devido aos canhões lá posicionados) e Praia Omaha, para desembarque das tropas norte-americanas;
  • Praia Gold e Sword para desembarque das tropas inglesas;
  • Praia Juno para desembarque das tropas canadenses.

Com exceção de Omaha, todos os outros desembarques obtiveram sucesso, com os aliados conquistando a praia e avançando terra adentro ao custo de poucas baixas. Mas, em Omaha, a situação foi bem diferente.

O bombardeio promovido pela marinha aliada tinha como objetivo destruir as defesas (ou a maior parte delas) postadas na praia, facilitando a ação dos soldados. Mas, em Omaha, o bombardeiro errou a maioria dos alvos, deixando as defesas alemãs quase intactas. Os americanos levaram quase todo o dia para finalmente conquistar a praia, mas o custo foi alto: mais de dois mil soldados norte-americanos morreram na ação.

Ao final do dia, todas as praias haviam sido conquistadas, com os soldados avançando para criar uma cabeça de ponte (a junção de todas as praias em um único território), algo que só aconteceria no dia 12 de junho. A região da Normandia propriamente dita só seria totalmente conquistada no final de julho.

Conclusão

A invasão da Normandia, ao contrário do que muitos pensam, não foi a responsável direta pela derrota nazista, já que as tropas russas vinham derrotando e empurrando os alemães de volta para a Alemanha, mas contribuiu sobremaneira para enfraquecer ainda mais as tropas de Hitler, acelerando o final da guerra, que só aconteceria em abril de 1945.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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