Estruturalismo – Origem do conceito, O que significa e Principais autores

O estruturalismo é uma teoria importante dentro das Ciências Sociais, utilizada na busca pelo entendimento do funcionamento da sociedade. Porém, é preciso compreendê-lo como algo que vai muito mais do que isso, pois ele se coloca também como um ponto de vista epistemológico a respeito do sistema e das atividades dos seres humanos.

Ainda que existisse anteriormente, o estruturalismo vai ganhar maior desenvoltura a partir dos anos 1960, em especial nas universidades da França, palco da retomada desse conceito. O estruturalismo é colocado por esses intelectuais como uma ferramenta para reformular as Ciências Humanas e dar um maior caráter científico a essa disciplina, mas com uma centralidade maior na noção de estrutura social. Para entender melhor isso, vamos saber mais sobre esse conceito a partir de agora.

Origem do conceito e principais autores

O estruturalismo pode ser considerado o último movimento realizado pelos filósofos franceses que ganhou notoriedade para além de suas fronteiras. Isso ocorreu pouco tempo depois do existencialismo, corrente filosófica importante do século passado e mencionada até os dias de hoje. Os adeptos do estruturalismo buscavam pôr fim aos dualismos do positivismo sociológico, reunindo os campos do objetivo e do subjetivo, do sujeito e do objeto de estudo e do indivíduo e da sociedade.

O estruturalismo oferece uma gama de pensadores de áreas tão distintas que fica difícil defini-lo como um sistema filosófico. Até por isso, especialistas o colocam como um método de análise, que tem como objetivo elaborar modelos explicativos de realidade, que são denominados como estruturas.

Apesar de ter ganhado corpo na segunda metade do século passado, esse método foi usado pela primeira vez pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913) em sua obra publicada postumamente de nome Curso de Linguística Geral. Ali ele fundamentou as bases de duas teorias vitais para o século XX: a Semiologia e a Linguística Estrutural.

Mas, foi entre os anos de 1960 e 1970 que surgiram diversos trabalhos utilizando o método estruturalista, seja em setores da literatura, do cinema, da publicidade, dos estudos culturais etc., que tornaram por dar maior visibilidade e estatura teórica ao assunto.

Entre os nomes mais célebres estão Jacques Lacan (1901-1981), que elaborou o inconsciente estruturado na forma de linguagem, Michel Foucault (1926-1984), que analisou estruturas discursivas que acabavam condicionando o pensamento humano, Roland Barthes (1915-1980), responsável por estudar os mitos modernos, além da literatura e da moda e, por fim, Louis Althusser (1918-1990), que fez um estudo estruturalista dos textos do economista alemão Karl Marx (1818-1883).

O que significa estruturalismo?

Para falar de estruturalismo, é preciso se concentrar nas estruturas que compõem nossa sociedade. Nesse sentido, vale salientar que a estrutura nada mais é do que um sistema abstrato em que seus participantes são interdependentes.

Além disso, esse sistema estruturado possibilita, por meio da observação dos fatos e relacionando as diferenças, descrevê-lo em seu dinamismo e ordenação.

O estruturalismo vai no sentido oposto ao empirismo, que observa a realidade como uma constituição de vários fatos isolados. Para o estruturalismo, não há fatos isolados, mas sim partes que compõem um todo muito maior.

“Fatos, para o estruturalismo, são sempre partes de um todo e só como tais, e em referência ao todo, podem ser apreciados. O princípio essencial é de que não há para o nosso conhecimento coisas isoladas. Há sempre uma estrutura, isto é, uma inter-relação de coisas, que dela tiram o seu sentido”, explica Joaquim Mattoso Câmara Junior, no texto O estruturalismo.

Dessa forma, a estrutura social parte do princípio de que os contextos sociais onde as ações individuais são colocadas não pertencem a um conjunto aleatório de ações ou eventos. Pelo contrário, tais contextos seguem padrões/estruturas, ou seja, demonstram repetições que podem ser vistas na maneira como os indivíduos se relacionam entre si. Nesse sentido, os nossos comportamentos não podem ser levados em conta sem que as estruturas sociais aonde as pessoas estão envolvidas também o sejam.

Não se quer dizer com isso que nosso comportamento é afetado absolutamente pela estrutura, pois nós também podemos influenciá-la e modificá-la, isto é, as pessoas podem ser tanto afetadas pelas estruturas quanto podem transformá-las. Sendo assim, as atividades humanas estruturam a sociedade enquanto essa também estrutura a maneira como agimos. Nessa concepção, o individual está interligado ao coletivo e suas relações são mantidas por uma estrutura social, impondo a necessidade de se perceber que os fatos sociais e até mesmo os conceitos devem ser entendidos dentro da estrutura social.

Conclusão

Como vimos, é na estrutura social que se dão as relações entre os indivíduos e os grupos sociais, proporcionando novas interações e transformações entre seus envolvidos, mas nunca de maneira aleatória, mas sempre influenciadas pelas estruturas as quais os envolvidos pertencem. O estruturalismo, enfim, sintetiza a ideia de que as coisas e os atos estão conectados e fazem parte de uma estrutura, que rege, modificada e transformada pelos atores sociais.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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