Infinitivo pessoal e infinitivo impessoal – O que são? Regras e Exemplos

O infinitivo é uma das formas nominais do verbo. Podendo assumir uma forma flexionada (infinitivo pessoal) ou não flexionada (infinitivo impessoal), são várias as utilizações do infinitivo, e as suas regras de uso costumam gerar certo debate entre os gramáticos e linguistas.

Quer saber tudo a respeito do infinitivo? Pois confira este artigo que nós, do Gestão Educacional, preparamos para você!

O que são formas nominais?

Dá-se o nome “formas nominais” aos três tipos especiais de conjugação do verbo: o gerúndio, o infinitivo e o particípio. Diferente do que ocorro nas conjugações dos diferentes tempos verbais dos modos indicativo, subjuntivo e imperativo, nas formas nominais, os verbos não sofrem flexões de tempo e modo.

Eles têm esse nome, “formas nominais”, justamente por exercerem, na oração, um papel semelhante ao que os nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) desempenham.

Neste artigo, como comentado, trataremos de uma das formais nominais mais utilizadas: o infinitivo.

O que é o infinitivo?

O infinitivo é uma das três formas nominais do verbo. Ele exprime a ideia por trás da ação. Nesta forma, o verbo apresenta-se da maneira mais natural possível, sem possuir qualquer conjugação (embora se flexione em pessoa na forma do infinitivo pessoal, como veremos adiante). Veja alguns exemplos:

  • Andar;
  • Jogar;
  • Sorrir;
  • Mentir;
  • Vender;
  • Tecer.

Além da desinência -r-, juntando-se à vogal temática do verbo (-a-, -e- o -i-), responsável por indicar o infinitivo, os verbos acima não possuem nenhuma outra desinência: não há nenhuma indicando tempo, modo, pessoa etc.

Por estar em sua forma mais “pura”, o infinitivo é usado, dentre outras coisas, para se identificar a vogal temática do verbo (uma vez que ele está em sua forma mais pura), além de, nos dicionários e manuais, os verbos serem apresentados na forma do infinitivo: você jamais vai pesquisar por um verbo no dicionário e encontrar ele conjugado, por exemplo, no presente do indicativo (“ando”, por exemplo); ele sempre estará na forma nominal do infinitivo impessoal (“andar”).

Sobre o fato de ser a partir dele que se identifica a vogal temática do verbo, é, por isso, a partir dele que se delimita a qual conjugação o verbo pertence (por meio do chamado “paradigma de conjugação”). Os verbos da língua da língua portuguesa podem pertencer a uma das seguintes conjugações:

  • 1ª conjugação: quando o verbo possui a vogal temática –a-;
    • Andar, jogar, entrar, contar etc.
  • 2ª conjugação: quando o verbo possui a vogal temática –e-;
    • Vender, tecer, beber, varrer etc.
  • 3ª conjugação: quando o verbo possui a vogal temática –i-;
    • Sorrir, mentir, partir, abrir etc.

Porém, o infinitivo não é uma coisa só. Há dois tipos de infinitivo: o infinitivo impessoal, que é o que tratamos até gora, e o infinitivo pessoal. Vejamos a diferença entre esses dois tipos de infinitivo, agora.

Infinitivo pessoal x infinitivo impessoal

A diferença entre o infinitivo pessoal e o impessoal é bastante fácil. Diz-se que determinado verbo está na forma do infinitivo impessoal quando, na oração, o verbo no infinitivo não faz referência a nenhum sujeito (ou seja, a nenhuma pessoa, daí o nome “impessoal”). Veja o exemplo abaixo para compreender melhor:

(1) Correr faz bem à saúde.

Em (1), o verbo em negrito, no infinitivo impessoal, não está fazendo referência a nenhuma pessoa em questão: ele está falando do ato de correr em si (a ideia por trás da ação). Seria diferente, por exemplo, se disséssemos:

(2) Somos preguiçosos. É difícil corrermos todo dia.

Neste exemplo (2), perceba que o verbo, apesar de estar no infinitivo, conta com uma desinência indicando a pessoa a quem se refere (correr + mos). Por mais que o sujeito não esteja verbalmente expresso, ele está subentendido: “é difícil (nós) corrermos todo dia”. Nesse caso, o verbo em questão está se referindo a uma pessoa (a primeira pessoa do plural). Trata-se, portanto, de um verbo na forma do infinitivo pessoal.

Recapitulando, portanto: o infinitivo é impessoal quando, na oração, não tem sujeito e pessoal quando tem. Essas são as regras mais gerais do emprego do infinitivo pessoal e impessoal. Há, porém, outros contextos em que cada um é utilizado, como veremos agora.

Emprego do infinitivo

Celso Cunha (2017, p. 499) ressalta que há um debate já antigo a respeito das regras de uso de cada um dos tipos de infinitivo. Ele sugere, então, diante dessa controvérsia, falar não em regras, mas em tendências de uso.

As tendências de uso de cada tipo de infinitivo são as seguintes:

Principais usos do infinitivo impessoal

Segundo Celso Cunha (2017, p. 499=502), utiliza-se o infinitivo impessoal, ou seja, a forma não flexionada, quando:

  • O verbo é impessoal (não se refere a nenhum sujeito);
    • Fumar causa câncer de pulmão.
  • O verbo tem valor de imperativo (ou seja, quando é usado para ordens, conselhos, convites, súplicas etc.);
    • Soldados: marchar!
  • O verbo tem sentido narrativo ou descritivo, aparecendo em frases nominais de caráter afetivo (chamado, nesse caso, de “infinitivo de narração”);
    • Enquanto eu me matava de trabalhar, você permaneceu aqui em casa, a beber, a jogar, a dormir.n
  • O verbo é precedido da preposição “de” e serve de complemento nominal a determinados adjetivos (como “fácil”, “possível”, “raro”, “bom” etc.);
    • Meu nome é fácil de lembrar.
  • O verbo é regido pela preposição “a”, equivalendo ao gerúndio em locuções verbais (formadas com os verbos “andar, estar, ficar, viver etc.);
    • Pode falar, estou a escutar tudo o que estás dizendo.

Principais usos do infinitivo pessoal

Segundo Celso Cunha (2017, p. 502-503) utiliza-se o infinitivo pessoal, ou seja, a forma flexionada do infinitivo, quando:

  • O verbo tem sujeito expresso;
    • O ideal é eles irem embora o quanto antes.
  • Quando o verbo se refere a um sujeito não expresso, mas que, pelo contexto e pela desinência verbal, é possível identificar;
    • É bom andarmos mais rápido.
  • Quando o verbo torna o sujeito indeterminado, estando na 3.ª pessoa do plural;
    • Ouvi dizerem que estão procurando por um professor substituto.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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