Jean-Jacques Rousseau – Quem foi? Biografia e Principais Obras

O suíço Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) foi um escritor, filósofo social e teórico político de grande importância em seu tempo. Ele foi considerado um dos principais expoentes do Iluminismo e também um dos precursores do Romantismo.

Rousseau inspirou ideais de liberdade, servindo de influência para a Revolução Francesa de 1789, que tirou a monarquia do poder e impulsionou a democracia moderna. A obra mais importante de Rousseau foi O Contrato Social, na qual desenvolveu a ideia de que a soberania está na população.

Biografia de Jean-Jacques Rousseau

Rousseau nasceu na cidade de Genebra, na Suíça, no dia 28 de junho de 1712. Seu pai era um relojoeiro calvinista, que o criou desde pequeno, já que sua mãe morreu durante o parto do filho.

Aos 10 anos seu pai também morreu, deixando o garoto órfão. O pequeno Rousseau recebeu educação de um pastor protestante, tendo iniciado seus estudos com 12 anos. Nesse período, Rousseau começou a escrever comédias e sermões. Durante a adolescência, aprendeu diversos ofícios, mas sem se estabelecer entre eles, tendo sido relojoeiro como o seu pai, além de aprendiz de pastor e gravador.

Com 16 anos, ele foi para a cidade italiana de Savóia. Sem ter como se manter por aquelas paragens, Rousseau procurou uma instituição católica, manifestando o desejo de se converter ao catolicismo. Ao retornar à Suíça, conheceu Madame de Varcelli, uma senhora ilustre que cuidou dele até sua morte, levando o jovem Rousseau a viajar pela Suíça em busca de aventuras.

Entre os anos de 1732 e 1740, ele viveu na França, tendo se envolvido com Madame de Warens, na cidade de Cambéry. Como autodidata, nesse período, incorporou boa parte de sua instrução. Em 1742, Rousseau foi para a capital Paris, onde conheceu uma nova protetora que o indicou para o cargo de secretário do embaixador da França em Veneza, onde hoje é a Itália. Foi lá que ele começou a estudar mais intensamente a respeito de política, ao perceber umas possíveis falhas no governo veneziano.

Rousseau e o Iluminismo

Rousseau viveu intensamente o movimento iluminista, em uma época que o absolutismo estava sendo questionado e um verdadeiro fenômeno cultural surgia, buscando novos horizontes. É o caso do Iluminismo, um movimento que reuniu intelectuais que criticavam as estruturas regadas a privilégios dos absolutistas e colonialistas, defendendo uma reorganização da sociedade. Apesar de ter começado na Inglaterra, o Iluminismo ganhou fama e se espalhou mais rapidamente na França, tendo em Montesquieu (1689 – 1755) e Voltaire (1694 – 1778) nomes importantes que criticavam abertamente a ordem daquele período.

Rousseau mergulhou nesse universo em 1745, ao retornar para Paris. Como colaborador, ele participou do concurso da Academia de Dijon, em 1750, denominado As artes e as ciências proporcionam benefícios à humanidade?, que oferecia um prêmio ao melhor ensaísta deste tema. Incentivado pelo amigo Denis Diderot (1713 – 1784), Rousseau escreveu Discurso sobre as Ciências e as Artes, com o qual ganhou o concurso, além de uma polêmica grande por dizer em seu ensaio que as ciências, as letras e as artes são os piores inimigos da moral. Isso porque, segundo o suíço, elas são criadoras de necessidades, se transformando em fonte de escravidão.

Obras de Rousseau

Entre as obras de Rousseau, as de maior destaque durante sua carreira como filósofo são:

  • Discurso sobre a Desigualdade (1755);
  • Julie ou A Nova Heloísa (1761);
  • O Contrato Social (1762);
  • Émile ou da Educação (1762).

Sua principal obra, O Contrato Social propõe a criação de um estado ideal surgido a partir de um consenso que proporcione direitos a todos os cidadãos. Ele explica que, no estado natural, os homens são iguais até que alguns deles comecem a demarcar terras e se coloquem como donos delas. A forma de resolver isso e garantir direitos a todos estaria na organização da sociedade civil. Esses direitos seriam assegurados por meio de um contrato formulado entre os membros do grupo e regido por um Estado.

Apesar disso, Rousseau considerava que a liberdade individual seria mantida e fortalecida. Estado para o filósofo não dizia respeito ao governo em si, mas sim a uma organização política que pudesse exprimir a vontade geral da sociedade. Portanto, o governo seria apenas o agente executivo do Estado, para realizar tudo aquilo que foi definido pela vontade geral, podendo ser destituído sempre que a população desejasse.

Perseguição, morte e reconhecimento

As ideias democráticas de Rousseau eram tão audaciosas e polêmicas para a época que o Parlamento de Paris condenou Rousseau, especialmente por O Contrato Social e Émile, considerados cheios de heresias religiosas. As edições de Émile chegaram a ser queimadas em Paris.

Afastado de Diderot e de outros filósofos que não partilhavam seu pensamento, e com uma ordem de prisão contra si, Rousseau se exilou na Suíça. Seguidamente perseguido, conseguiu asilo na Inglaterra, acolhido pelo filósofo David Hume (1711 – 1776).

Para se justificar dos ataques sofridos, Rousseau começou a escrever suas Confissões, que foram publicadas postumamente em 1782. Foi convidado em 1778 pelo Marquês de Girardin para viver em Ermenonville, onde passou seus últimos momentos de vida, já debilitado mentalmente, tendo morrido nesse local no dia 2 de julho de 1778.

Cerca de 15 anos após a sua morte, Rousseau finalmente foi reconhecido. Por defender os princípios “liberdade, igualdade e fraternidade”, lema da Revolução Francesa, foi considerado como uma espécie de profeta do movimento revolucionário francês. Devido a isso, seus restos mortais foram levados para o Panteão de Paris.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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