Locução Verbal – O que é? Como Usar? Exemplos práticos

Morfologia é uma peculiaridade da Linguística que descreve o estudo da estrutura, da formação e da classificação das palavras. Nesse âmbito, há a análise das locuções – grupos de palavras que, quando unidas, formam uma unidade com sentido próprio.

Embora existam vários tipos de locução, locução verbal, locução prepositiva, locução adverbial, etc., o intuito, hoje,  é entender o que é a locução verbal, para que ela serve e o seu uso com as preposições. Confira essas e outras informações completas, só aqui no Gestão Educacional!

O que é locução verbal?

Locução verbal

A locução verbal procura definir o conjunto de verbos que, em uma oração, desempenha papel equivalente ao de um só verbo. Ou seja, uma locução verbal é composta por um verbo auxiliar e um verbo principal.

Nessas locuções, o verbo principal – que é o último verbo – estará sempre em sua forma nominal (infinitivo, particípio ou gerúndio), trazendo a ação principal que tem a intenção de transmitir. Já no verbo auxiliar, pode ocorrer as flexões de modo, tempo, número e pessoa.

É importante entender que verbo e locução verbal são diferentes. Embora ambos procuram expressar estado, ação, mudança de estado e fenômeno da natureza, a diferença é que, quando se expressa tais processos, a locução verbal utiliza mais de uma palavra.

Por exemplo, na oração: “Você escreve bem”, há somente uma palavra que expressa estado, enquanto que “Você sabe escrever bem” tem mais ênfase com o uso de duas palavras (“muito bem”).

É claro que não existe diferença de categoria entre os verbos e as locuções verbais, isto é, ambos são da mesma classe de palavras, mas existe a possibilidade de gerar sentidos específicos e diferentes.

O uso de locuções verbais pode deixar uma oração mais sugestiva e mais “leve”, enquanto que o uso somente dos verbos mantém uma ideia mais contundente.

Para entender a formação das locuções verbais, confira alguns exemplos simples:

  • Gerúndio:

“Ele estava conversando com o vizinho quando cheguei”;

“Carlos estava comendo um sanduíche”.

  • Infinitivo:

Vou sair.”

“Comentei que iria falar com o chefe”.

  • Particípio:

“Maria foi encontrada pelos policiais”;

“Ela havia saído do colégio mais cedo”.

Note que os verbos auxiliares são flexionados – qualquer necessidade de modo, pessoa, número e tempo são indicados pelo verbo auxiliar.

Locuções verbais e preposições

preposição combinada

O uso das preposições é bem comum nas locuções verbais – isso acontece pela exigência na relação de regência que se estabelece entre as preposições e o verbo.

No caso, a preposição será regida pelo segundo verbo, ou seja, pelo verbo principal. Mesmo se o primeiro verbo da locução (o auxiliar) reger uma preposição, ela deverá ser excluída.

[LEIA TAMBÉM: PREPOSIÇÕES – O QUE SÃO?]

Por exemplo, na frase “Ela deve de ser inteligente”, perceba que a oração se torna inadequada com o uso da preposição “de”, pois está sendo regida justamente pelo primeiro verbo da locução.

Agora “Ela deve ser inteligente” mantém um sentido mais apropriado. Contudo, existem dois detalhes importantes em relação ao uso das preposições em uma locução verbal:

  1. Sobre os verbos transitivos indiretos.

Como se sabem os verbos transitivos indiretos exigem complemento preposicionado, que pode ser um verbo no infinitivo. Portanto, não se engloba como locução verbal, pois o primeiro verbo não é mais classificado como um auxiliar (ou modal).

O emprego da preposição é obrigatório. Por exemplo: “Eu gosto de trabalhar como autônoma”, o verbo gostar é transitivo indireto, sendo que rege a preposição “de”).

  1. O verbo “ter” no sentido de “ser obrigado”, “precisar” ou “ser necessário” vem acompanhado da preposição “de”.

Essa é considerada uma restrição semântica, já que a preposição é obrigatória mesmo quando o complemento do verbo é um verbo no infinitivo.

Assim, isso já não se enquadra como locução verbal.

Por exemplo, na sentença “Rosane tem de enviar seu relatório novamente”, o verbo ter está preposicionado, por isso vem acompanhado da preposição “de”).

É possível notar como algumas locuções verbais têm seus verbos auxiliares como modais – quando eles combinam com o infinitivo ou gerúndio do verbo principal, de modo a determinar com mais “rigor” a maneira como se realiza ou deixa de realizar aquela ação verbal.

Alguns exemplos de valores semânticos dos auxiliares modais estão descritos abaixo:

  • Necessidade, dever, obrigação:

Haver de anotar”;

Ter de(que) anotar”;

“Dever anotar”;

Precisar (de) anotar”.

  • Possibilidade ou capacidade:

“Poder anotar”.

  • Vontade ou desejo:

“Querer anotar”;

“Odiar anotar”;

“Desejar anotar”.

  • Tentativa ou esforço:

“Buscar anotar”;

“Tentar anotar”;

“Ousar anotar”.

  • Consecução:

“Lograr anotar”;

“Conseguir anotar”.

  • Dúvida, aparência:

“Parecer anotar”.

  • Intento futuro:

“Ir escrever”;

“Vou anotar”.

  • Resultado:

“Vir a anotar”;

“Chegar a anotar”.

Existem formas mais “modernas” de uso nas construções. A leitura facilita o entendimento e quais são as maneiras mais aceitáveis de usar as locuções verbais.

Rafaela Mustefaga

Graduada em Letras Português/Inglês, pela PUCPR, é revisora e editora de textos informativos, apaixonada por línguas e literatura e professora nas horas vagas.

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