Povo Griqua – Quem são? Como surgiram? História e Formação

Griqua é o nome de um grupo multirracial da África do Sul, que surgiu como resultado da união entre os colonos europeus e membros da etnia khoikhoi (um dos vários grupos pertencentes à etnia khoisan do sul do continente africano) nos séculos XVII e XVIII. Esse povo chegou a fundar algumas comunidades independentes, conhecidas como Griqua East e Griqua West, que tiveram breve duração.

Origem dos Griquas

A origem dos Griquas remonta a dois clãs, os Koks e os Barendse, sendo o primeiro formado principalmente por membros da etnia Khoikhoi, e o segundo por descendência europeia mista. Viviam sob forte influência da cultura holandesa, sobretudo da língua (africâner, derivada do holandês) e da religião.

Eram, em grande parte, cidadãos livres, tendo mais garantias que os outros nativos, porém, de status inferior aos europeus. A chegada dos britânicos nas áreas antes colonizadas pelos holandeses provoca uma perda de status para a maior parte desses mestiços.

Um escravo liberto chamado Adam Kok conseguiu adquirir uma fazenda, onde fundou, por volta de 1750, uma comunidade mista. Anos depois, seu filho Cornelius Kok mudou-se para um lugar batizado como Griquatown, dentro dos limites do que viria a ser Griqualand West, ao norte do rio Orange, levando com ele um grande número de seguidores.

Esse grande grupo era chamado de “bastaards”, devido ao fato de serem fruto de relacionamentos entre europeus e nativos Khoikhoi. Um missionário britânico de nome John Campbell os encorajou a mudar de nome, passando a ser chamados de Griqua.

Essa primeira comunidade era formada de um sistema básico de governo baseado em líderes conhecidos como kaptyns e magistrados das principais famílias, como Kok, Barends e Waterboer. Estabeleceram vínculos comerciais com outras comunidades vizinhas, sobretudo com relação ao comércio de marfim, além de dedicarem-se à agricultura.

Contudo, havia uma tensão e uma certa discórdia entre as famílias. Enquanto algumas queriam uma aproximação com as colônias britânicas para aproveitar as oportunidades comerciais, outros queriam o máximo de independência possível. Dessa forma, as famílias Kok e Barends se afastaram de Griquatown, mudando-se para Philippolis e Boetsap, respectivamente.

Griqualand West

Anos depois, os bôeres (descendentes diretos dos colonos holandeses) adquiriram algumas terras na área de Griquatown. A princípio, a convivência entre eles foi pacífica, mas, devido às ambições territoriais dos bôeres, alguns conflitos começaram a surgir.

Para tentar pôr fim às tensões, o governador britânico criou um complicado sistema de posse de terra, segundo o qual as terras de cada chefe seriam divididas em duas partes: uma para ser ocupada pelo chefe e seu povo e o outra pelos bôeres que pagariam aluguel ao chefe e ao governo do Cabo.

Porém, com a substituição posterior do governador, o sistema foi cancelado e as tensões entre os grupos voltaram. Cansados de tantos conflitos, os Griqua, em 1861, venderam suas terras, antes de se instalarem no território de Griqualand Leste. Posteriormente, com a descoberta de jazidas de diamantes, toda região foi anexada em definitivo pela coroa britânica.

Griqualand do leste

Em 1860, a família Kok e seus seguidores viajaram de Philippolis, onde haviam perdido suas terras para os emigrantes Bôeres, para encontrar um novo lar. Chegaram em 1862 em uma região entre as colônias do Cabo e Natal, onde fundaram uma cidade chamada de Kokstad.

Em 1869, o líder da família Kok solicitou que o território de Griqualand Leste fosse anexado pelos britânicos, com a condição de manter o título completo da terra e sua autonomia total ao governo. Seu objetivo era manter seu território longe das mãos dos bôeres. A anexação só foi completada em 1879.

Ao longo das décadas de 1870 e 1880, a anexação de novos territórios e mudanças administrativas trouxeram uma nova cara para a região. Novas populações foram incorporadas, e grandes investidores compraram grandes porções de terra, mudando completamente a dinâmica daquele território.

Os Griquas foram perdendo prestígio, e gradualmente se tornaram uma minoria na área. Muitos griquas começaram a vender suas propriedades para colonos europeus. Em 1917, os poucos que restaram na região, afetados pela perda total da autonomia que um dia tiveram, acabaram retornando para Kokstad.

Os Griqua atualmente

Durante o regime do Apartheid, os griquas, apesar de trazerem muitos traços da cultura europeia, foram considerados negros nativos, ou “colored”, como os membros do regime segregacionista gostavam de tratá-los.

Muitos griquas acabaram emigrando para outras regiões, ou foram assimilados por outras culturas. Uma minoria ainda pode ser identificada na região da província do Cabo.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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