Termos essenciais da oração – O que são? Quais são? Exemplos

Enquanto alguns termos têm apenas função acessória ou integrante na oração, outros são indispensáveis, já que os demais termos da oração se estruturam em torno deles. A esses termos indispensáveis damos o nome “termos essenciais da oração” (ou “termos básicos da oração”).

Quais são os termos essenciais da oração?

São dois os termos essenciais da oração: o sujeito e o predicado.

Na oração, o sujeito é o ser sobre o qual se declara alguma coisa. Ele pode ser simples ou composto, e determinado, oculto, indeterminado ou inexistente.

o predicado é tudo aquilo que se declara a respeito do sujeito. O predicado pode ser nominal, verbal ou verbo-nominal (misto).

O sujeito

O sujeito é o ser sobre o qual se faz a declaração. Ele pode ser representado na oração:

  • Pelos pronomes pessoais:
    • 1ª pessoa: Eu/Nós:
      • Eu viajarei para São Paulo”.
    • 2ª pessoa: Tu/Vós/Você/Vocês:
      • Você viajará para São Paulo?”
    • 3ª pessoa: Ele/Ela/Eles/Elas
      • Eles viajarão para São Paulo”.
  • A 3.ª pessoa do singular e do plural também podem ser representadas por:
    • Um substantivo:
        • “O jogador foi expulso”.
    • Um pronome demonstrativo:
          • Quem foi expulso?”
    • Um numeral:
        • Um foi expulso”.
    • Uma palavra ou expressão substantivada:
        • “O andar do jogador ilustrava sua indignação”.
    • Uma oração substantiva subjetiva:
        • Discutir com o juiz seria inútil”.

O sujeito pode ser simples ou composto, e determinado, oculto, indeterminado ou inexistente.

Sujeito simples e composto

Uma primeira distinção que se faz entre o sujeito é a de sujeito simples e composto.

O sujeito será simples sempre que tiver apenas um núcleo, ou seja, sempre que o verbo se referir a apenas um substantivo, pronome, numeral etc. Por exemplo:

  • Catarina está de férias.

Por outro lado, ele será composto sempre que tiver dois ou mais núcleos, sendo constituído de mais de um substantivo, pronome, numeral etc. Por exemplo:

  • Catarina e Felipe estão de férias.

Sujeito determinado

O sujeito determinado é aquele que está verbalmente expresso na oração, podendo ser facilmente identificado. Exemplo:

  • Gabriel deveria estar estudando.

Sujeito oculto

O sujeito oculto, por sua vez, é aquele que, embora não esteja verbalmente expresso na oração, ainda assim podemos identificá-lo. Nesse caso, o sujeito oculto também é um sujeito determinado. Exemplo:

  • Compramos um presente para você.

A desinência do verbo (-mos) nos permite identificar que ele está conjugado na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito. Logo, o sujeito é a primeira pessoa do plural, isto é, “nós”.

Sujeito indeterminado

Por outro lado, em alguns casos não é possível determinar quem é o sujeito, seja por desconhecermos quem ele é, seja por não nos importarmos em determiná-lo. Nesse caso, dizemos ser um caso de “sujeito indeterminado”.

Para se indeterminar o sujeito, faz-se uso:

  • da 3.ª pessoa do plural:
    • Avisaram-me sobre a dívida tarde demais”.
  • da 3.ª pessoa do singular com o pronome “se”:
    • Vende-se este carro”.

Perceba que, em ambos os exemplos, não é possível determinar quem são os sujeitos, embora saibamos que eles existam. São, portanto, existentes, mas indeterminados.

Sujeito inexistente

Em alguns casos específicos, o sujeito é inexistente, ou seja, simplesmente não existe. Isso ocorre com os chamados “verbos impessoais”, ou seja, verbos que não fazem referência a nenhuma pessoa (sujeito).

O sujeito é inexistente especialmente com os seguintes verbos:

  • Verbos que indicam fenômenos da natureza:
    • Chuviscou à tarde”.
  • Verbo “haver” com o sentido de “existir”:
    • “Ainda pessoas boas no mundo”.
  • Verbos “haver”, “fazer” e “ir” com o sentido de “tempo decorrido”:
    • “Hoje faz treze anos que nos conhecemos”.
  • Verbo “ser” quando indica alguma noção de tempo:
    • Era verão quando nos conhecemos.”

Perceba que em todos esses exemplos não há um sujeito correspondente aos verbos destacados. E uma vez que o verbo sempre concorda com o sujeito, os verbos impessoais nunca estarão no plural, estando sempre no singular, concordando com a terceira pessoa do singular.

Predicado

Outro termo essencial da oração é o predicado, que nada mais é do que tudo aquilo que se diz a respeito do sujeito. Ele pode ser: verbal, nominal ou verbo-nominal (misto). O que determina o tipo de predicado é a classe da palavra de seu núcleo: por exemplo, quando o núcleo do predicado é um verbo, o predicado será verbal.

Predicado nominal

O predicado nominal tem por núcleo um nome (substantivo, adjetivo ou pronome). O predicado nominal é sempre formado por um verbo de ligação (que estabelece uma união entre dois termos de caráter nominal) mais um predicativo do sujeito (algo que se diz a respeito do sujeito). Veja um exemplo:

  • Mateus está estudando muito.

Nesse exemplo, temos como sujeito o nome “Mateus”. O verbo “está” é um verbo de ligação, introduzindo o termo “estudando”, que nada mais é do que um verbo conjugado no gerúndio, que é uma das formas nominais do verbo (ou seja, trata-se de um nome), unindo-o com o nome “Mateus”. “Estudando” está ocupando o núcleo do predicado, que nesse caso é nominal.

O núcleo passa a ser um nome justamente porque o verbo não tem força o suficiente para ocupar essa posição, uma vez que não é um verbo significativo (ou seja, não é um verbo que acrescenta uma informação ao sujeito), apenas de ligação.

Predicado verbal

Por outro lado, o predicado verbal tem por núcleo um verbo, obrigatoriamente significativo, ou seja, que acrescenta uma informação nova ao sujeito, não sendo apenas um verbo de ligação. O verbo pode ser transitivo ou intransitivo.

Exemplo:

  • O menino visitou a avó.

Nessa oração, o sujeito é “o menino”. O predicado é “visitou a avó”, sendo “visitou” um verbo transitivo direto significativo, ou seja, que está acrescentando uma informação ao sujeito. Já “a avó” é um objeto direto, complementando o sentido do verbo “visitou” (pois, se empregássemos apenas “visitou”, ficaria a pergunta: “visitou quem ou o quê?”). Pelo fato de o núcleo do predicado ser um verbo, o predicado em questão é do tipo verbal.

Predicado verbo-nominal (misto)

Por fim, no predicado verbo-nominal, também chamado misto, o predicado não possui apenas um núcleo, mas dois: um verbo significativo e um nome desempenhando a função de predicativo do sujeito.

Confira o exemplo:

  • Miriam saiu cansada da academia.

Nesse predicado, há dois núcleos: o verbo significativo “saiu” e o adjetivo “cansada”. Ambos os termos estão acrescentando uma informação nova ao sujeito:

  1. Miriam saiu (e)
  2. (Miriam estava) cansada.

Temos, portanto, um caso e predicado verbo-nominal.

Há orações sem algum dos termos essenciais?

Como vimos, embora sejam termos essenciais na oração, tanto o sujeito quanto o predicado podem não estar graficamente ou verbalmente expressos na oração. O sujeito, inclusive, pode nem ao menos existir, no caso das orações sem sujeito.

Quando a oração não apresenta um de seus termos constituintes, dizemos que ela é uma “oração elíptica”, nome em referência ao fenômeno da elipse, que consiste na supressão de um termo que pode ser identificado pelo contexto. Isso não se aplica, obviamente, às orações sem sujeito, uma vez que, nessas orações, o sujeito não pode ser identificado pelo contexto, já que nem ao menos existe.

Confira alguns exemplos de orações elípticas abaixo:

  1. a) Quem merecia ganhar o prêmio?
    b) Rafaela.

Nesse exemplo (1), perceba que na resposta de b) apenas o sujeito está graficamente expresso. Porém, pelo contexto, analisando a oração anterior, pronunciada por a), podemos identificar o predicado, que nesse caso está elíptico. A oração completa de b) seria: “Rafaela (é quem merecia ganhar o prêmio)”.

2. Cheguei atrasado na aula hoje.

Nesse exemplo (2), perceba que o sujeito não está graficamente expresso, apenas o predicado. Porém, podemos identificá-lo analisando a desinência do verbo (-ei). O verbo da oração em questão é “cheguei”, que está conjugado na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito. Logo, o sujeito é a primeira pessoa do singular, ou seja, “eu”. O sujeito, portanto, que nesse caso é um sujeito oculto, está elíptico.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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