Gramática – Tipos e divisões da gramática brasileira

Toda língua possui seu próprio sistema de regras, cada uma com suas particularidades. Os falantes de cada língua têm um conhecimento inato sobre essas regras e fazem uso delas a todo tempo, mesmo sem sabê-las detalhadamente. Essas regras são aprendidas ao longo da vida.

Entretanto, os falantes não fazem uso dessas regras de maneira livre e arbitrária: cada língua apresenta um código de normas de uso desses elementos, afinal, se cada um falasse de um jeito, com suas próprias regras, em determinado momento não nos entenderíamos mais, semelhante ao que aconteceu no mito da Torre de Babel.

Os falantes, portanto, seguem determinadas regras, de conhecimento geral, para a utilização da língua. Desde a Antiguidade Clássica, os estudiosos da linguagem começaram a estudar e registrar o funcionamento das línguas. É a esse estudo/registro do funcionamento da língua a que chamamos gramática.

Gramática, portanto, é um registro, geralmente sistemático, do funcionamento de determinada língua. Há vários tipos de gramáticas, como veremos a seguir.

Tipos de gramática

Abaixo, trataremos das seguintes gramáticas: normativa, descritiva, histórico-comparativa, estrutural, gerativa e cognitiva-funcional.

Gramática Normativa

Gramática

Também chamada gramática tradicional, é, como o nome sugere, um tipo de gramática fundamentada em normas. Esse é, geralmente, o tipo de gramática utilizada nas escolas.

Na normativa, dita-se padrões que tentam refletir o uso padrão e correto da língua. Estabelece-se, portanto, conceitos como o de certo e errado.

E esse é justamente um dos problemas desse tipo de gramática: não leva em consideração (ou demora muito para levar) as mudanças que a língua sofre a todo momento, julgando como erradas construções gramaticais que fogem das normas prescritas por ela, mas que são frequentemente utilizadas pelos falantes.

Gramática descritiva

Esse tipo de gramática objetiva descrever as regras e os mecanismos da língua falada. O uso da língua, na interação entre os falantes, nesse caso, é colocado em primeiro plano. Dessa forma, diferente do que ocorre na gramática normativa, conceitos como os de certo e errado não são levados em consideração.

Gramática histórico-comparativa

Nesse tipo de gramática, surgida na primeira metade do século XIX, comparam-se elementos gramaticais de línguas de origem comum com o objetivo de compreender a estrutura da língua da qual os diversos idiomas surgiram.

Diferente da gramática normativa, cujo estudo aproxima-se da filosofia e da lógica, com um viés normativo, nesse tipo de gramática, faz-se um estudo verdadeiramente linguístico.

Com a análise comparativa, descobriu-se novos parentescos entre línguas e criaram-se conceitos básicos a respeito do funcionamento das línguas.

Gramática estrutural

Essa gramática surgiu na primeira metade do século XX, sob a influência das ideias de um dos maiores nomes da linguística: Ferdinand de Saussure.

Como o nome sugere, esse tipo de gramática tenta estabelecer e descrever uma estrutura gramatical das línguas, com um conjunto de leis internas e conjuntos de elementos que se unem, formando unidades maiores.

Saussure estabeleceu conceitos como o de langue (o sistema linguístico de conhecimento coletivo, interiorizada pelos falantes) e a parole (o uso individual que cada falante faz desse sistema).

Um dos problemas do estruturalismo é o foco que se dá à langue, ou seja, ao sistema linguístico, deixando de lado a parole, isto é, negligenciando os aspectos interativos da língua.

Gramática gerativa

Gramática

A gramática gerativa foi idealizada por outro grande nome da linguística mundial: Noam Chomsky.

Um dos principais pontos dessa gramática, muito crítica à gramática estrutural, é o de levar em consideração um componente criativo da linguagem humana, uma vez que os falantes, a partir dessa perspectiva, são capazes de criar e compreender frases inéditas. Assim, a gramática é considerada como um sistema finito capaz de gerar (por isso o nome, gerativismo) um número infinito de frases.

Chomsky ainda define os conceitos de competência e desempenho. A competência é justamente a capacidade que o falante tem de formular e compreender frases de uma língua — e esse, segundo o gerativismo, deve ser o foco de estudo da linguística. Já o desempenho é a utilização concreta dessa capacidade por parte do falante.

Gramática cognitivo-funcional

Esse tipo de gramática não descarta o estudo da estrutura gramatical, mas vai além, preocupando-se, também, com toda a situação de comunicação que envolve o uso da língua.

Ela defende que, para se compreender verdadeiramente a natureza da língua, é imprescindível levar em consideração o seu uso. Competência e desempenho, nesse sentido, estão intrinsecamente relacionados, pois a gramática é constantemente remodelada nas situações de comunicação.

Divisões da gramática

Gramática

Fonética e Fonologia

Estuda os fonemas e a combinação deles, além de analisar características da fala, como a prosódia, o acento e a entonação.

Principais temas de estudo:

  • Sons da fala;
  • Classificação dos sons linguísticos;
  • Classificação das consoantes;
  • Classificação das vogais;
  • Encontros vocálicos;
  • Encontros consonantais;
  • Sílabas.

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Morfologia

Estuda a forma das palavras, a estrutura e classificação destas, e as suas formações por meio dos morfemas.

Principais temas de estudo:

  • Palavra e morfema;
  • Estrutura das palavras;
  • Formação das palavras;
  • Família das palavras.

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Sintaxe

Estuda as palavras enquanto elementos de uma frase, noções como a de concordância, subordinação, ordem, etc.

Principais temas de estudo:

  • Teoria geral da frase;
  • Termos essenciais da oração;
  • Termos integrantes da oração;
  • Termos acessórios da oração;
  • Concordância verbal;
  • Regência verbal;
  • Colocação pronominal.

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Referências utilizadas neste conteúdo:

CUNHA, Celso. Novo gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.
MARTELOTTA, Mário Eduardo. Manual de Linguística. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013.
ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. 33. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.


Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de literatura, língua portuguesa e do seu gato.

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