Animais Ameaçados de Extinção no Brasil – Quais são?

No mundo, o tráfico de animais silvestres é o fator que mais leva à perda de biodiversidade. No Brasil, no entanto, a agricultura é a maior responsável pela diminuição das populações animais.

Sua expansão leva à perda e fragmentação de habitat, poluição pelo uso de agrotóxicos e fertilizantes, bem como conflitos humano-fauna. Já para animais aquáticos, a pesca predatória e a poluição, principalmente por plásticos e minérios tóxicos, são os fatores que contribuem para este quadro.

O Instituto Chico Mendes publicou em 2019 a lista atualizada de animais ameaçados de extinção no Brasil, na qual explicam, também, sobre a ecologia da espécie e seu nível de perigo. Atualmente, contamos com mais de 1.000 espécies de animais neste quadro.

Animais em risco de extinção no brasil

Confira, abaixo, algumas espécies que estão citadas no Livro Vermelho de Espécies Ameaçadas de Extinção no Brasil.

Mamíferos – Anta (Tapirus terrestris)

Animais em extinção

O livro listou 110 espécies de mamíferos ameaçados. Dentre eles, a anta está classificada como Vulnerável à Extinção (VU), devido à redução populacional que sofreu nos últimos anos.

Esta uma espécie considerada de grande porte e herbívora, alimentando-se principalmente de frutos. Sua gestação é longa, entre 13 a 14 meses, e gera apenas um filhote por vez.

Aves – Albatroz-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos)

No grupo das aves, 236 espécies estão na lista, incluindo o Albatroz-de-nariz-amarelo. Este animal está presente com mais frequência do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, mas se reproduz apenas no arquipélago Tristão da Cunha e nas Ilhas Gough.

É carnívoro, alimentando-se de pequenos animais que encontra no mar, como peixes e crustáceos. Além disso, pode perseguir barcos de pesca em busca de alimentos. Por esse motivo, ocorre a captura incidental, o que tem levado à sua redução populacional.

Répteis – Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta)

Animais em extinção

Na lista atual, são 80 espécies de répteis ameaçadas. A tartaruga-cabeçuda, anteriormente muito comum no Brasil, está classificada como Em Perigo (EN). Elas estão distribuídas nacionalmente no norte da Bahia, no Sergipe, no Espirito Santo e no norte do Rio de Janeiro.

Antigamente, a principal ameaça para esta espécie era a coleta de ovos, mas nas áreas prioritárias de reprodução isto não acontece mais. No entanto, a expansão de centros urbanos nas zonas costeiras e a pesca estão matando muitos indivíduos. Espécies de tartarugas-marinhas são capturadas frequentemente pela atividade pesqueira industrial.

Anfíbios – Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabilis)

Nosso país contém o maior número de espécies de anfíbios do mundo, possuindo mais de 1.000 delas. Destas, 41 estão ameaçadas de extinção, o que corresponde a 4,2% do total.

O sapinho-admirável-de-barriga-vermelha, como o próprio nome sugere, possui uma barriga avermelhada, enquanto o resto do corpo é verde claro, com algumas manchas brancas e textura lisa.

Essa é uma espécie endêmica do Brasil, mas está classificada como Criticamente em Perigo (CR), em função das instalações de usinas elétricas na sua região de ocorrência, o Rio Grande do Sul. Ele habita as margens do rio Forqueta e não há muitos dados sobre sua ecologia.

Peixes – Pacu (Mylesinus paucisquamatus)

Animais em extinção

O número de peixes considerado, pela lista atual, como ameaçados é de 410 espécies, correspondendo a 9,1% do total.

O Pacu, espécie muito conhecida no país, foi avaliada como Em Perigo (EN). É um peixe endêmico e ocorre nos estados de Goiás, Pará e Tocantins. Sua alimentação é fitófaga, ou seja, alimenta-se de plantas.

Ele depende de zonas de cachoeira para se alimentar e reproduzir. A principal ameaça para esta espécie, atualmente, é a construção de usinas hidrelétricas, que fragmenta seu habitat natural.

Invertebrados – Caranguejo-azul (Cardisoma guanhumi)

O Brasil conta com uma grande diversidade de invertebrados, mas destes, 299 estão ameaçados.

O caranguejo-azul, ou guaiamú, é endêmico dos mangues do Brasil e está classificado como Criticamente em Perigo (CR), atualmente.

São inúmeros os fatores que ameaçam a sobrevivência desta espécie, como a degradação dos manguezais e das restingas, o desmatamento, a expansão industrial (principalmente de metais pesados), bem como a exploração comercial da espécie, que é muito importante economicamente. Além disso, seu crescimento lento o deixa muito sensível à atividade humana.

Como evitar a extinção de animais?

As ações de conservação de maior impacto precisam ser realizadas com políticas públicas que tenham como pilar principal a sustentabilidade. No entanto, no dia a dia, além de pressionarmos nossos representantes políticos, devemos ficar atentos ao consumo e descarte de plástico, que causa morte de inúmeros animais nos rios e oceanos, e à origem de artesanato e vestuário que leva produtos animais, bem como a comercialização de animais silvestres, que deve ser denunciada.


Bruna Manuele Campos

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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