Arara-azul – Características, Comportamento, Habitat, Alimentação, Reprodução

A arara-azul é uma ave que pertence ao mesmo grupo dos papagaios, das maritacas e dos periquitos. Todas essas aves pertencem ao grupo dos psitacídeos. Atualmente, há três tipos de espécies de arara-azul:

  • Arara-azul grande – Anodorhynchus hyacinthinus;
  • Arara-azul pequena – Anodorhynchus glaucus;
  • Arara-azul de lear – Anodorhynchus leari.

Araras-azuis são animais que destacam pela beleza, pelo tamanho e pela presença de penas azuis e tons amarelos ao redor do bico e dos olhos. Mas, infelizmente, esta espécie está ameaçada de extinção.

Os maiores inimigos desses animais são o tráfico de animais, o comércio clandestino, o desmatamento, a perda do habitat e a caça.

Arara-azul

Características físicas

As araras-azuis são as maiores representantes dos psitacídeos. Na fase adulta, chegam a medir entre 1 a 1,5 metros (do bico até a cauda), com peso que pode chegar, em média, de 1,1 a 1,5 kg.

Como dito anteriormente, apresenta penas azuladas (azul cobalto) e, ao redor dos olhos, é possível observar uma coloração amarela viva, que também aparece ao redor do bico, às vezes. Alias, o bico é o maior entre todos os seus parentes. 

Comportamento

O comportamento das araras-azuis é bem peculiar. A maioria vive em bandos que podem atingir até 35 indivíduos. É comum, também, que essa espécie voe em pares e não viva sozinha.

Como as araras-azuis voam curtas distâncias, são avistadas perto do seu campo de alimentação, o que também, infelizmente, facilita a manobra de caçadores, pois estes acompanham o local de dormir e o local de alimentação das aves.

As árvores onde dormem são chamadas de dormitórios e nelas é possível encontrar todo o bando ou o par. Um comportamento peculiar dessas aves é o preening, chamado também de autolimpeza. As aves limpam suas penas com movimentos regulares nos próprios bicos, mantendo cada uma de suas penas em perfeito estado, livres de parasitas e com boas condições de voo.

Arara-azul

Alguns estudos têm revelado que o preening possui alguma relação com o comportamento em grupo das araras. Outra característica dessas aves é o comportamento dócil, permitindo a aproximação de seres humanos. Inevitavelmente, esse comportamento frágil das araras aproxima e facilita a ação de caçadores.

Habitat

O ambiente predominante das araras-azuis são as florestas tropicais, podendo ocorrer de forma mais rara em ambientes de campos. No continente americano, é encontrada principalmente no Brasil, mas pode ser observada em florestas no Paraguai, na Bolívia e alguns países da América Central.

Aqui, a arara pode ser encontrada em diversos estados, como Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Bahia, Goiás, Piauí e Tocantins.

Alimentação

A alimentação das araras é bem peculiar e seletiva. Basicamente, alimentam-se de sementes, que podem ser quebradas com facilidade com seus bicos fortes e especializados.

Ter um critério muito rigoroso para alimentação é um risco que pode agravar o processo de extinção, pois, quando a ave perde sua planta preferida de consumo, pode não ter outras opções e levar um declínio na população das aves.

As espécies mais comuns de palmeiras que entram no cardápio das araras são: babaçu e buriti. Além dessas, as araras podem comer cocos das árvores bocaiúva e acuri. No primeiro caso, as araras pegam o alimento colhido diretamente do cacho; já no segundo, aproveitam aqueles caídos no chão, descartados por animais silvestres ou até mesmo ruminados por gados.

 

Reprodução

A fase de maturidade reprodutiva das araras-azuis começa entre 7 e 9 anos, com no máximo 10 anos após o nascimento. De certa forma, é considerada uma idade avançada para começar o acasalamento, o que novamente torna essa espécie frágil em relação a aspectos de extinção.

Antes da reprodução em si ocorre a formação de casais (comportamento bem criterioso). Estes exercem inúmeras funções, entre elas: escolha da melhor posição do ninho, cuidado com os ovos, alimentação dos filhotes e da mãe, entre outros fatores.

Os ninhos são formados basicamente por fendas ou cavidades em troncos de árvores. Essas fendas são forradas por lascas de troncos retiradas da própria árvore. Em algumas regiões, são utilizadas árvores de troncos mais macios, tais como a Ximbuva (árvore comum no Pantanal).

Naturalmente, uma fêmea coloca de 1 a 3 ovos, com taxa de sucesso de 30 a 40%. Ou seja, a cada três ovos, um consegue pleno desenvolvimento. A porcentagem de ovos que não se desenvolvem se dá pelo número elevado de predadores, pelas perdas naturais e pela degradação ambiental.

O papel dos machos nessa fase é fundamental. Enquanto a fêmea choca os ovos, os machos cuidam do ninho e trazem todo o alimento durante o período de desenvolvimento.

A incubação fica entre 28 e 30 dias, após a eclosão dos ovos. Os filhotes permanecem no ninho por volta de mais 100 dias. Todo esse período é considerado frágil e a taxa de mortalidade ainda é elevada. Assim, a real independência das araras-azuis e a busca por um bando ocorre por volta de 150 dias.

Curiosidades

  • A menor arara-azul registrada é a arara-azul de lear (Anodorhynchus leari), que possui apenas 60cm de comprimento;
  • Como as araras-azuis andam e se alimentam em bandos. Sempre há um indivíduo que fica atento a qualquer sinal de alerta e perigo. Neste caso, essa arara emiti uma vocalização, que faz com que as outras araras voem;
  • As araras-azuis são seres fieis, ou seja, monogâmicas. Os casais, além de dividirem funções, como o cuidado com os filhos e os ajustes no ninho e na alimentação, podem ficar junto mesmo depois da fase reprodutiva.

Leandro Márcio

Sou Leandro Márcio, biólogo desde 2006, mestre em Toxinologia (estudo de veneno de serpentes) pelo Instituto Butantan. Sou professor universitário e, quando não estou dando aula na faculdade ou estudando serpentes, adoro um bom tempo com um livro de ficção.

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