Raposa – Características físicas, Comportamento, Habitat, Alimentação e Reprodução

A raposa é um mamífero carnívoro que se assemelha com o cachorro doméstico, pertencendo à mesma família deles, Canidae. Há espécies de raposas distribuídas globalmente, habitando diversos tipos de ambiente. Mas, somente as raposas “verdadeiras” são pertencentes ao gênero Vulpes e representadas por cerca de 10 espécies.

No Brasil, a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) é a única espécie de raposa do país e é endêmica do bioma Cerrado. Infelizmente, por conta das ameaças que esse bioma sofre, a região de vegetação apresenta apenas cerca de 20% de sua área original, o que ameaça a sobrevivência da raposa.

Antigamente, as raposas eram altamente caçadas para o comércio de sua pele, que era usada na confecção de casacos e chapeis. Confira mais a respeito desse animal, a seguir.

Características físicas da raposa

Em geral, a raposa mede entre 81 e 145 centímetros de comprimento (com a cauda) e pesa entre 3 e 8 quilos. Trata-se de um animal peludo que apresenta coloração variada dependendo da espécie, como a raposa-vermelha e a raposa da Antártica, esta que é toda branca para se camuflar no gelo.  As orelhas são pontudas e o focinho é curto.

A nossa representante brasileira, a raposa-do-campo, é um dos menores canídeos do mundo. Possui a pelagem curta, de coloração cinza claro no dorso e mais amarelada no ventre. Na cauda, os pelos são longos e possuem uma base negra, característica que a diferencia do graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus). Já a pelagem de suas orelhas e patas são avermelhadas.

Comportamento

Como a maioria das raposas, a raposa-do-campo tem hábito crepuscular-noturno e é solitária. Essa é uma espécie monogâmica que só forma pares durante a época reprodutiva e de criação dos filhotes.

Habitat

As raposas habitam tocas que foram abandonadas por outros animais. A nossa representante brasileira ocorre no bioma Cerrado, preferindo vegetação mais escassa e espaçada.

No entanto, o desmatamento e a mudança no uso da terra têm feito a espécie se dispersar para regiões de Mata Atlântica secundária, e muitas também são encontradas em áreas de agricultura, como plantações de cana e de eucalipto.

Alimentação

As raposas são animais carnívoros que consomem principalmente aves e pequenos mamíferos. No entanto, a raposa-do-campo tem grande parte de sua dieta no consumo de cupins, sendo classificada como um animal insetívoro-onívoro. Em menor proporção, alimenta-se de besouros, gafanhotos e frutos. Assim, é considerada um potencial dispersor de sementes.

Reprodução

A maioria das raposas se reproduz anualmente e a fêmea pode dar à luz a até 14 filhotes em uma ninhada.

As fêmeas de raposa-do-campo têm ninhadas de 2 a 5 filhotes que nascem entre julho e agosto, dentro de uma toca abandonada pelo tatu-peba. O período gestacional é por volta de 1 mês e meio.

Os filhotes são amamentados até cerca de 4 meses de idade, dispersando-se dos pais a partir dos 10 meses. Nessa espécie, tanto a mãe quanto o pai realizam o cuidado parental, sendo o pai responsável por trazer comida para os filhotes e protegê-los contra predadores.

A raposa pode viver até os 67 anos de idade.

Curiosidades

As raposas não possuem predadores naturais, com exceção do homem, que a caça por esporte ou para o comércio ilegal de sua pele.

No caso da raposa-do-campo, o declínio populacional é estimado em 30% até agora. Assim, embora pela IUCN (International Union for Conservation of Nature) a espécie não seja classificada como ameaçada, no Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação a classifica como vulnerável à extinção (VU).

Além da caça esportiva e do tráfico ilegal desses animais, muitos indivíduos são mortos a tiro ou envenenados porque fazendeiros criadores de galinha acreditam que as raposas atacam os galinheiros, causando prejuízos. No entanto, diversos estudos já demonstraram que elas não consomem galinhas. Essa situação é chamada de conflito homem-fauna e é motivo de ações de conservação de algumas ONGs brasileiras que tentam fazer a educação ambiental da população local e manejar a espécie para que a sua população volte a crescer.

Outra ameaça que pode levar a espécie brasileira à extinção é a hibridização da L. vetulus com o graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus). O desmatamento da Mata Atlântica pode ser o grande motivador da dispersão da raposa-do-campo para o Sul, onde habita o graxaim-do-campo. Os pesquisadores acreditam, ainda, que esse processo é recente, por volta do final do século 20.

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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