Cervo-do-pantanal – Características, Comportamento, Habitat, Alimentação, Reprodução

Os cervos são animais que ocorrem em todos os continentes e habitam diversos tipos de habitats. Apesar de não serem nativos da Austrália e Nova Zelândia, eles também estão presentes nesses países, porém foram introduzidos lá. Das trinta espécies de cervos existentes, três encontram-se no Brasil.

Destacado pela cor e pelo tamanho exuberante, está o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichoromus), considerado o maior da América do Sul.

O cervo-do-pantanal pertence à ordem Artiodactyla e à família Cervidae. Apesar de possuir “pantanal” no nome, sua distribuição original no Brasil abrangia do sul da Floresta Amazônica até o sul do Rio Grande do Sul, cobrindo os estados Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Pará, Tocantins, Piauí, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Atualmente, essa espécie ocorre em uma região muito menor e fragmentada, estando extinta em 60% do seu território original. Sua maior concentração está localizada no Pantanal Brasileiro.

Características físicas do cervo-do-pantanal

A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo o macho sempre maior e mais pesado que a fêmea. A fêmea pode atingir 100kg, enquanto o macho pode chegar a 150kg. Os indivíduos medem entre 1,5 e 2 metros de comprimento. Sua pelagem é avermelhada, com pernas e focinho pretos. Contam com orelhas grandes e arredondadas e rabo curto.

Esse animal tem galhadas, chifres ramificados feito de ossos e que podem ter até 10 pontas cada. As galhadas são trocadas periodicamente e sua produção está relacionada à idade e às taxas de testosterona, sendo maiores em machos mais velhos.

Na face, apresentam um sulco lacrimal, que fica exposto quando se sentem ameaçados. A frente do peito e da face costuma ser mais clara, com pelagem quase branca. Os cascos são alongados e possuem membranas interdigitais, que impedem que o animal afunde no lodo.

Comportamento

Infelizmente, o cervo-do-pantanal não é muito estudado quanto ao seu comportamento. Esse é um animal arisco e de hábitos noturnos. Costuma sair em grupos para se alimentar, mas não forma grupos numerosos. O tamanho do grupo é maior em áreas com maior disponibilidade de recurso.

Em geral, o macho é solitário e, ao contrário de outros antílopes, não disputa pela fêmea para formação de háren. Porém, é comum disputarem por território. Esta espécie também tende a entrar na água, dado seu habitat em regiões inundáveis.

Habitat

Essa espécie habita áreas de várzea inundadas, savanas alagadas, campos e brejos, preferindo ambientes úmidos. Por isso, a maior parte de sua população está localizada no Pantanal.

Alimentação

Boa parte da dieta do cervo-do-pantanal é composta de arbustos, leguminosas e uma macrófita aquática chamada camalote-da-meia-noite (Nymphae spp.). A fonte de carboidrato vem principalmente de gramíneas e a fonte de proteína das leguminosas. Assim, é classificado como herbívoro e sua estratégia de forrageio é denominada “pastor-podador”. São animais ruminantes como as vacas, contando com várias divisões no estômago onde o pasto é digerido por horas.

Reprodução

O período reprodutivo é controverso, tendo alguns autores sugerindo que o nascimento dos filhotes ocorra entre outubro e novembro, e outros de maio a setembro. O período gestacional é de nove meses e a fêmea dá à luz a apenas um filhote por gestação. Essa reprodução lenta colabora para deixar a espécie vulnerável à extinção.

Curiosidades

Atualmente, a espécie está classificada como “vulnerável (VU)” no Brasil, de acordo com a classificação da IUCN, e “criticamente em perigo (CR)” no estado de São Paulo.

Embora sua carne não seja utilizada para alimentação, a espécie ainda é bastante caçada por causa de seu couro e de sua galhada, que servem como troféus. Além disso, a convivência com espécies de bovinos transmite doenças a eles, as quais não possuem resistência natural, levando ao declínio populacional. Recentemente, a construção de usinas hidrelétricas também tem ameaçado a espécie, por conta da perda de habitat.

Pensando nisso, ações de conservação têm sido realizadas para tentar proteger a espécie da extinção. Os animais são mantidos em cativeiros ex situ, ou seja, fora do seu habitat de origem, para se realizar a reprodução da espécie, por meio de técnicas artificiais de reprodução, com o objetivo de aumentar a variabilidade genética da população. O objetivo é criar uma população fundadora forte para ser restabelecida na natureza e cruzar com indivíduos selvagens.

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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