Ciclos econômicos do Brasil – O que são? Quais foram? Períodos e Datas

Os ciclos econômicos são períodos nos quais determinadas atividades econômicas desenvolvidas pelo país atingem grande importância, de modo a tornarem-se o principal motor impulsionador da economia.

A economia brasileira sempre foi marcada por esses ciclos, em que um produto é explorado ao seu limite máximo, para depois ser substituído por outro. Dessa forma, ao longo de nossa história, tivemos vários ciclos, dos quais trataremos um pouco neste texto.

Ciclo do pau-brasil

O primeiro item a chamar a atenção dos portugueses, no início do processo de colonização, foi uma árvore de madeira avermelhada, chamada de Ibirapitanga (madeira + vermelha) pelos indígenas, por conta de sua cor de brasa, e que produzia um corante para tecidos muito apreciado nas cortes europeias.

Com o estabelecimento das Capitanias Hereditárias, o pau-brasil foi explorado de forma intensa, com a Coroa Portuguesa estabelecendo o monopólio de sua comercialização.  A exploração da planta durou até aproximadamente 1859. A essa altura, a massiva extração do pau-brasil já havia deixado a espécie à beira da extinção.

Ciclo da cana-de-açúcar

O ciclo da cana-de-açúcar vai do século XVI ao século XVIII. O açúcar foi, durante muito tempo, a base da economia colonial. O cultivo da cana teve início nas capitanias de Pernambuco, Bahia e São Vicente, e depois se espalhou por outras partes do país.

As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, grandes fazendas cuja produção era voltada ao comércio exterior (sobretudo Europa), utilizando mão de obra escrava composta por indígenas e africanos.

Dentro das fazendas ficavam os engenhos, local onde o açúcar era produzido. A decadência do ciclo da cana-de-açúcar teve início ainda no século XVII, com a concorrência de holandeses e ingleses, que tinham mais eficiência na produção, desbancando a hegemonia portuguesa.

Ciclo do ouro

O ciclo do ouro (ou da mineração) teve início no final do século XVII, quando os portugueses encontram diversas jazidas do mineral na região do estado de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, atingindo seu auge no século XVIII. A extração do ouro foi uma alternativa encontrada pelos portugueses para amenizar os prejuízos sofridos com a concorrência mundial pelo mercado do açúcar.

Esse ciclo gerou grandes riquezas para Portugal, na mesma medida que também gerava insatisfação, devido aos altos impostos cobrados pela atividade. A exemplo temos a Inconfidência Mineira, revolta separatista ocorrida em Minas Gerais, que tinha como uma de suas motivações para a revolta a cobrança de impostos na mineração.

O ciclo do ouro termina em fins do século XVIII, graças ao esgotamento das minas no país.

Ciclo do café

Trazido para o Brasil em 1727, o café rapidamente começou a ser cultivado no país, adaptando-se muito bem ao clima de certas regiões. Florescendo em boa parte do Estado de São Paulo e também em partes do Paraná, o café foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos.

Como maior produtor mundial do produto, o Brasil tinha o poder de controlar os preços do café nos mercados internacionais, conseguindo, dessa forma, lucros elevados. Porém, o crescimento das exportações, dependia, essencialmente, do crescimento populacional dos países consumidores, que não acompanhava o aumento da produção brasileira. Dessa forma, criou-se uma situação na qual a oferta de café se tornou muito superior à demanda existente, indicando uma tendência natural de baixa de preços a longo prazo.

A crise de 1929 nos Estados Unidos também exerceu forte influência sobre a economia do café. Essa crise reduziu ainda mais a demanda internacional, fazendo os preços caírem, e ainda impediu que o governo brasileiro tomasse empréstimos externos para absorver os altos estoques do grão. Dessa forma, a produção de café entrou em um gradual processo de decadência, deixando sua posição de protagonista na economia nacional.

Ciclo da borracha

É chamado de ciclo da borracha um período da história brasileira em que a extração de látex para a fabricação de borracha foi uma atividade de suma importância para a economia do país.

Esse período ocorreu entre 1879 e 1912, impulsionado pela demanda do produto pelas indústrias europeias e norte-americanas e, posteriormente, entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa atividade foi marcada por dois períodos: relação entre o seringalista, dono das terras e dos equipamentos necessários, e o seringueiro, em uma relação que se assemelhava a uma espécie de escravidão por dívida, pois o seringueiro tinha poucos ganhos e pagavam altas taxas.

A extração do látex, embora fosse rudimentar, fez com que o Brasil se tornasse, no final do século XIX, o maior exportador de borracha do mundo.

No início do século XX, empresário ingleses começaram a extrair látex nas colônias britânicas da Ásia, utilizando um processo de produção muito mais eficiente, proporcionando uma redução nos custos de produção e, consequentemente, uma diminuição no preço da borracha no mercado. A concorrência inglesa tornou a extração do látex brasileiro inviável, levando à decadência de todo o processo.

O surgimento do segundo ciclo se deu com o início da Segunda Guerra Mundial, que trouxe a oportunidade de venda de borracha, por parte do Brasil, para os países envolvidos na guerra, sobretudo, os Estados Unidos da América. Com o fim da guerra, a produção volta a declinar, e o surgimento da borracha sintética nos anos seguintes acaba de vez com a produção de borracha em larga escala no Brasil.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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