Encontros vocálicos – O que são? Classificação e Exercícios Resolvidos

Encontros vocálicos é um tópico básico do estudo da língua e bastante contemplado nos anos iniciais da escola. Quer se aprofundar no tema? Confira, agora, todas as dicas e os detalhes só aqui, no Gestão Educacional!

Encontros vocálicos: o que são?

Encontros vocálicos

Diferente dos encontros consonantais, que se caracterizam pelo agrupamento de consoantes numa mesma palavra, nos encontros vocálicos, há também um agrupamento, mas de vogais.

Veja alguns exemplos abaixo:

  • Pai;
  • Creio;
  • Papéis;
  • Heroico;
  • Azuis;
  • Uruguai.

Esses encontros podem acontecer tanto numa mesma sílaba, como em pai, quanto em sílabas separadas, como em crei-o.

O que são semivogais e o que elas têm a ver com o assunto?

Os fonemas /i/ e /u/, quando juntos a uma outra vogal, assumem a forma de semivogal, sendo pronunciados com menor intensidade do que a vogal principal, uma vez que cada sílaba comporta apenas uma vogal, de fato.

Foneticamente, essas vogais são transcritas como [j] e [w]. Observe as transcrições, abaixo, para visualizar melhor:

  • Quatro -> [‘kwa.tru];
  • Pai -> [‘paj];
  • Uruguai -> [U.ru.’gwaj].

É possível que haja mais de uma semivogal em uma sílaba, como nos tritongos, mas é impossível haver mais de uma vogal numa mesma sílaba, uma vez que as vogais assumem o papel de núcleo das sílabas, podendo haver apenas um.

Classificação dos encontros vocálicos

Os encontros vocálicos são classificados em ditongos, tritongos e hiatos. Vejamos cada um deles.

Ditongos

Os ditongos caracterizam-se pelo agrupamento de duas vogais numa mesma palavra, sendo ou uma vogal + semivogal, ou uma semivogal + vogal, sempre na mesma sílaba.

  • Vogal + semivogal: cai -> [‘caj];
  • Semivogal + vogal: quase -> [‘Kwa.zi].

Os ditongos podem ser classificados, ainda, em crescente ou decrescente e oral ou nasal:

  • Ditongo decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal, como em: céu -> [cɛw];
  • Ditongo crescente: quando a semivogal vem antes da vogal, como em: quanto -> ´[‘k.tu];
  • Ditongo oral: quando o ar é liberado pela boca, como em: boi -> [‘boj];
  • Ditongo nasal: quando o ar é liberado pelo nariz, como em: mão [‘mɐ̃w].

Vale observar que, em algumas regiões do país, a consoante /l/ pode ser pronunciada como /w/, podendo ser considerado ditongo encontros como o de mel -> [‘mew].

Tritongos

Os tritongos caracterizam-se pelo agrupamento de três vogais, sendo sempre uma semivogal + uma vogal + uma semivogal, sempre na mesma sílaba. Veja o exemplo:

  • Enxaguei -> [ẽ.ʃa.’ɡwej].

Os tritongos, diferente dos ditongos, não são classificados em crescente ou decrescente, uma vez que a vogal está sempre no meio. Entretanto, ainda são classificados em orais e nasais:

  • Tritongo oral: quando o ar é liberado pela boca, como em: Uruguai -> [U.ru.’gwaj];
  • Tritongo nasal: quando o ar é liberado pelo nariz, como em: Saguão-> [Sa.’gwɐ̃w].

Hiatos

Já no hiato, há o encontro de duas vogais (sem a presença de semivogais), divididas em sílabas diferentes. Isso ocorre porque, como vimos, duas vogais nunca ocupam a mesma sílaba. Observe os exemplos:

  • Pa-ís -> [pˈiʃ];
  • Pe.si-a -> [po.e.’zi.a].

Vale observar, ainda, que é possível que ditongos crescentes, como gló-ria -> [‘ɡlɔ.ɾja], possam ser pronunciados como hiatos: gló-ri-a -> [‘ɡlɔ.ɾi.a], caracterizando-os como tais. O oposto também é possível: hiatos, como o de [lu.’ar], podem ser pronunciados como ditongos crescentes: [‘lwar]. Entretanto, isso ocorre apenas na fala, não sendo transpostos à escrita nem à separação silábica.

Exercícios Resolvidos

1. Indique qual das palavras abaixo é um hiato.

a) Tranquilo

b) Ruim

c) Beijo

d) Frouxo

e) Muito

2. Nas alternativas abaixo, há quatro ditongos com hiatos e apenas um tritongo. Identifique a única alternativa que contém um tritongo.

a) Saia

b) Meia

c) Teia

d) Aguei

e) Ceia

RESPOSTAS

1. B

2. D


Referências utilizadas neste conteúdo:

CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.
ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa: prefácio de Serafim da Silva Neto. 33. ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.


Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de literatura, língua portuguesa e do seu gato.

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