Futuro do pretérito – O que é? Simples, Composto e Regras para formação

O futuro do pretérito é um dos tempos verbais da língua portuguesa. Quando o verbo é conjugado no tempo em questão, pode indicar um acontecimento futuro em relação a outro já passado (com ambos situados no pretérito), pedidos polidos, formais e educados, acontecimentos que poderiam ter ocorrido, mas que não ocorreram, dentre outras significações que veremos neste artigo.

Ficou interessado? Quer tirar todas as suas dúvidas a respeito deste tempo verbal? Pois confira, a seguir, e compreenda de uma vez por todas o que é o futuro do pretérito, como ele funciona, o que o diferencia de outros tempos, quais são as regras para a sua formação e mais. Só aqui, no Gestão Educacional!

O futuro do pretérito: o que é?

O futuro do pretérito é um dos tempos verbais da língua portuguesa. Ele é usado para indicar uma ação que poderia ter acontecido num momento posterior ao de alguma ação passada. Confira o exemplo abaixo para compreender melhor:

(1) Se eu tivesse que mudar de nome, escolheria o nome César.

Neste exemplo (1), temos a seguinte situação: se o sujeito tivesse que mudar de nome (em algum tempo do passado, como indica o verbo “ter” conjugado na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do subjuntivo), ele escolheria o nome César (num momento futuro em relação àquele momento do passado, mas ainda no passado em relação ao nosso presente).

Seria diferente, por exemplo, se ele dissesse:

(2) Quando eu ir para outro país, já terei mudado de nome.

Aqui (2), temos um exemplo de verbo conjugado no futuro do presente, indicando uma ação do futuro (a de ir para outro país) que acontecerá após outra também do futuro acontecer (a de mudar de nome).

O futuro do pretérito existe apenas no modo indicativo, embora seja dividido em “futuro do pretérito simples” e “futuro do pretérito composto”, com algumas diferenças entre as duas formas, como veremos agora.

Futuro do pretérito simples

Na forma simples, o verbo conjugado no futuro do pretérito pode ter as seguintes significações:

  • Indicar um acontecimento futuro em relação a outro acontecimento já ocorrido (no passado):
    • Eu havia avisado que não chegaria a tempo.
  • Indicar uma ação que pode ou não ocorrer, a depender de alguma condição (expressa pelo verbo conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo):
    • Se eu não estivesse doente, viajaria para o litoral.
  • Indicar incerteza, dúvida, suposição a respeito de determinado acontecimento:
    • Não seria você o homem mascarado que eu conheci numa festa semana passada?
  • Indicar surpresa ou indignação a respeito de determinado acontecimento:
    • Você passou de ano mesmo tirando notas tão baixas? Quem diria!
  • Para fazer pedidos ou dar sugestões de maneira polida e educada:
    • Você poderia fechar a porta, fazendo o favor?

Futuro do pretérito composto

Já a forma composta do futuro do pretérito é formada pela junção do verbo “ter” conjugado no futuro do pretérito com o verbo principal conjugado no particípio passado. O sentido do futuro do pretérito, nessa forma, muda: ele passa a indicar acontecimentos que poderiam ter ocorrido no passado, mas que, por alguma razão, não ocorreram. Confira:

(3) Eu teria conseguido, se não fossem essas crianças enxeridas e esse cachorro vira-lata!

Em (3), o sujeito afirma que teria conseguido realizar determinada ação num tempo passado, não fosse pela interferência das supostas crianças e do cachorro (frase típica dos desenhos do Scooby-Doo).

Nem sempre, entretanto, a causa está especificada como (3). São possíveis construções como:

(4) Se eu tivesse seguido os meus sonhos, teria sido

Em (4), sabemos que o sujeito não realizou os seus sonhos, não chegando a se tornar astronauta, mas não sabemos bem a razão disso, uma vez que ela não está especificada.

Regras para formação do futuro do pretérito

Determinados verbos do português, os chamados “verbos regulares”, ao contrário dos irregulares, seguem uma mesma lógica de conjugação. Isso significa que os verbos regulares, sejam quais forem, são flexionados de uma mesma maneira, seguindo as mesmas regras, a depender de sua conjugação.

Os verbos da língua portuguesa são classificados da seguinte maneira:

  • 1ª conjugação: verbos que possuem a vogal temática -a-:
    • Morar, olhar, usar;
  • 2ª conjugação: verbos que possuem a vogal temática -e-:
    • Escrever, vencer, ocorrer;
  • 3ª conjugação: verbos que possuem a vogal temática -i-:
    • Cumprir, adquirir, imprimi

Os verbos regulares no futuro do pretérito do indicativo seguem as seguintes regras de formação:

  • Forma simples do futuro do pretérito
    • 1ª conjugação

Eu           radical + aria                    U+2192.svg          Eu and + aria

Tu           radical + arias                  U+2192.svg          Tu and + arias

Ele          radical + aria                     U+2192.svg         Ele and + aria

Nós        radical + aríamos            U+2192.svg         Nós and + aríamos

Vós        radical + aríeis                  U+2192.svg          Vós and + aríeis

Eles        radical + ariam                U+2192.svg          Eles and + ariam

    • 2ª conjugação

Eu           radical + eria                    U+2192.svg          Eu com + eria

Tu           radical + erias                 U+2192.svg          Tu com + erias

Ele          radical + eria                   U+2192.svg           Ele com + eria

Nós        radical + eríamos           U+2192.svg          Nós com + eríamos

Vós        radical + eríeis                 U+2192.svg           Vós com + eríeis

Eles        radical + eriam                U+2192.svg          Eles com + eriam

    • 3ª conjugação

Eu           radical + iria                     U+2192.svg          Eu part + iria

Tu           radical + irias                   U+2192.svg          Tu part + irias

Ele          radical + iria                      U+2192.svg         Ele part + iria

Nós        radical + iríamos              U+2192.svg          Nós part + iríamos

Vós        radical + iríeis                   U+2192.svg          Vós part + iríeis

Eles        radical + iriam                 U+2192.svg         Eles part + iriam

  • Forma composta do futuro do pretérito

verbo “ter” no futuro do pretérito simples + verbo principal no particípio passado

    • 1ª conjugação

Eu           teria + particípio passado         U+2192.svg          Eu teria + andado

Tu           terias + particípio passado        U+2192.svg           Tu terias + andado

Ele          teria + particípio passado          U+2192.svg          Ele teria + andado

Nós        teríamos + particípio passado  U+2192.svg          Nós teríamos + andado

Vós        teríeis + particípio passado        U+2192.svg          Vós teríeis + andado

Eles        teriam + particípio passado      U+2192.svg         Eles teriam + andado

    • 2ª conjugação

Eu           teria + particípio passado           U+2192.svg           Eu teria + comido

Tu           terias + particípio passado          U+2192.svg           Tu terias + comido

Ele          teria + particípio passado            U+2192.svg           Ele teria + comido

Nós        teríamos + particípio passado   U+2192.svg          Nós teríamos + comido

Vós        teríeis + particípio passado          U+2192.svg           Vós teríeis + comido

Eles        teriam + particípio passado       U+2192.svg          Eles teriam + comido

    • 3ª conjugação

Eu           teria + particípio passado           U+2192.svg          Eu teria + partido

Tu           terias + particípio passado        U+2192.svg          Tu terias + partido

Ele          teria + particípio passado            U+2192.svg           Ele teria + partido

Nós        teríamos + particípio passado   U+2192.svg          Nós teríamos + partido

Vós        teríeis + particípio passado        U+2192.svg         Vós teríeis + partido

Eles        teriam + particípio passado       U+2192.svg          Eles teriam + partido

Referências utilizadas neste conteúdo: CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lekixon, 2017.ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.
Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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