Guerra dos canudos – O que foi? Quando ocorreu? Resumo da História

A Guerra dos Canudos é um dos eventos mais emblemáticos da história de resistência indígena e negra no Brasil. O conflito transcorreu entre 1896 a 18967, por conta do interesse de fazendeiros e militares em dizimar uma comunidade de marginalizados, localizada no nordeste e comandada por Antônio Conselheiro, um líder sócio-religioso.

O que foi Canudos e como surgiu

Após o fim da escravidão, o Brasil enfrentava uma série de problemas de ordem econômica e social,afinal, os donos das fazendas tinham perdido a mão de obra que sustentava a produção agrícola e a extração de minérios – na época, as principais atividades comerciais do país. O cenário piorou ainda mais após a terrível seca de 1796, a qual dizimou milhares de lavouras e matou muita gente de fome.

quem foi antônio conselheiroEnquanto isso, no panorama social, os escravos, agora libertos, perambulavam pelas terras secas sem ter para onde ir ou o que comer. Um destes marginalizados foi Antônio Conselheiro (seu nome verdadeiro é Antônio Maciel) – homem que, assim como muitos da região, tinha sofrido derrotas na vida: foi demitido, investiu em trabalhos que não deram certo e perdeu a mulher para o amante.

Assim, desiludido da vida, Antônio Conselheiro começou a viajar pelo sertão, como uma espécie de cangaceiro místico, dando conselhos para as pessoas (daí o apelido) e estimulando-as a viver de forma humilde, conforme as doutrinas da Igreja Evangélica.

Não demorou muito para que outras pessoas igualmente sem rumo juntassem-se a ele, até que, em 1890, já tinha reunido mais de 8 mil seguidores. Como nenhuma dessas pessoas tinha para onde ir, resolveram encontrar um porto seguro naquele mar de terra infértil, sendo ali que se estabeleceram em uma das muitas terras improdutivas da região. A escolhida pelo líder foi a lavoura abandonada de Monte Belo, depois renomeada para Canudos.

quem foi canudos

Rapidamente,  a comunidade de Canudos transformou-se em um antro de esperança àqueles que tinham sido esquecidos pelo governo brasileiro. Lá, era cultivado milho e feijão e extraia-se leite e carne de cabra, que serviam para o consumo próprio bem como para a exportação a países, dentre eles Portugal e os Estados Unidos. Em suma, o Arraial (como era chamado) floresceu com a força dos desvalidos e chegou a abrigar 25 mil pessoas que encontraram ali a oportunidade de viver com dignidade.

Para se ter uma ideia, a proporção da comunidade de Canudos tornou-se tão grande que quase ultrapassou a população de Salvador, que, na época, continha cerca de 20 mil habitantes. Uma das cidades mais influentes da região, Juazeiro do Norte, era consideravelmente menor do que o Arraial – tinha somente 3 mil moradores.

localização de canudos

Localização de Canudos

A afronta de Canudos aos interesses político-econômicos

Antônio Conselheiro tinha ideias monarquistas e muito relacionas a uma linha religiosa evangélica. Seu posicionamento, no entanto, não era muito apreciado pelas autoridades da região. Certa vez, estes foram cobrá-lo para que pagasse impostos referentes à sua produção. Eis o que ele respondeu: “vocês nunca me deram nada e agora tenho que contribuir com vocês?”.

Por consequência do comportamento militante que a comunidade ganhou, Canudos tornou-se nacionalmente conhecida como uma república de monárquicos e rebeldes marginalizados. Uma posição tão irreverente para os padrões da época chamou a atenção das autoridades que decidiram intervir na situação de uma maneira nada convencional. Eduardo Bueno conta um pouco sobre como tudo começou:

Como aconteceu a Guerra dos Canudos

Acontece que Antônio Conselheiro comprou um lote de madeira a fim de reformar a Igreja do Arraial, mas, mesmo depois de pago, ela não foi entregue. Revoltado, ele e mais 300 homens foram até Juazeiro do Norte reivindicar o seu direito, sendo, no entanto, impedidos por forças miliares ficaram sabendo da visita dos sertanejos e prepararam uma barreira para contê-los.

Durante essa passagem, houve um confronto direto entre militares e sertanejos que resultou na morte de 10 soldados e 150 homens da comunidade. Todavia, mesmo os Canudos tendo perdido a batalha, o Governo considerou a atitude um ato de rebeldia e resolveu dar um fim definitivo ao Arraial.

A primeira tentativa

Na primeira tentativa, enviaram 500 homens fortemente armados, mas a população de Canudos, já sabendo da visita, preparou uma emboscada e dizimou a tropa, que deixou até as armas para trás.

guerra dos canudos no nordeste

A segunda tentativa

Na segunda investida militar estavam envolvidos um exército de 1.500 homens comandados pelo major Moreira Cesar, à pedido do então presidente Prudente de Moraes (apelidavam-no, na época, de “Prudente de Mais” por ter demorado a reagir ao massacre dos Canudos). Em sua viagem ao Rio de Janeiro até Monte Santo, o líder da tropa cometeu dois erros: antes de ir ao combate, preferiu almoçar, tendo dois ataques epiléticos que atrasaram a chegada e alarmaram os Canudos. Enfim, quando chegaram ao Arraial, o comandante, convencido da fraqueza do povoado, ordenou que a guerra começasse sem armas. Assim, mais uma vez, os Canudos derrotaram os invasores.

guerra dos canudos

A terceira tentativa

A terceira tentativa envolveu mais de 2 mil homens especializados e máquinas de guerra, como canhões e fuzis carregados por uma tropa liderada pelo ministro da guerra Marechal Carlos Bittencourt.

Junto aos soldados estava o jornalista da Folha de São Paulo, Euclides da Cunha, o qual aceitou a viagem convicto de que presenciaria o fim de uma rebelião monárquica no país. Chegando lá, avistou um verdadeiro massacre: os jacobinos mataram um a um todos os 25 mil habitantes de Canudos, inclusive, decapitaram Antônio Conselheiro, para que seu cérebro fosse estudado pelo cientista Nino Rodrigues.

antonio conselheiro morto

Antônio Conselheiro morto

Como a testemunha de um genocídio, Euclides da Cunha retrata a história deste Brasil alternativo e faminto na obra prima “Os Sertões”. Nela, ele inicia com as palavras: “trata-se de um crime, vamos denunciá-lo”. Sua reflexão acerca do assunto foi tão revolucionária e de tamanha sensibilidade que o livro é cobrado em provas e vestibulares até hoje.

Se interessou pelo assunto? Então, fique sabendo que, no YouTube, há disponível o filme completo sobre a Revolução de Canudos, dirigido por Sérgio Rezende. Confira no link, abaixo:

Referências usadas neste conteúdo

NOGUEIRA, Ataliba. Antonio Conselheiro e Canudos. 1ª edição, Companhia Editora Nacional, volume 355. disponível em <https://bdor.sibi.ufrj.br/bitstream/doc/410/1/355%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf>

SOUZA, Anna; OLIVEIRA, Gabriela. Guerra de Canudos. Universidade Estadual da Paraíba. Disponível em <http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/123456789/1566>


Ajude a melhorar ainda mais o site, avalie:

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading...

Leave a Reply