Maurício de Nassau – Quem foi? Biografia e Legado da Holanda no Brasil

Maurício de NassauJohann Moritz of Nassau-Siegen (1604-1644), conhecido pelo termo “aportuguesado” João Nassau, é um ícone da presença holandesa em território Brasileiro. Ele contribuiu severamente para o crescimento econômico do país na comercialização do açúcar e ajudou a desenvolver a cultura, as arte e as cidades do interior nordestino.

Nassau pertenceu a uma família militar e aristocrática, de origem holandesa e alemã, que tentava assumir o trono holandês, pois ficara sem herdeiros diretos. Depois Nassau ter endividado-se, na tentativa de construção do Palácio de Mauritius, na cidade de Haia, aceitou a proposta da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para governar uma colônia holandesa no Brasil, que se estendia do Sergipe até o Maranhão.

O militar ficou em solo brasileiro por somente sete anos (de 1637 a 1644), mas o seu grande legado fez com que fosse lembrado até hoje.

Companhia das Índias Ocidentais e a disputa da Espanha Vs Holanda

O século 17 ficou conhecido pela disputa territorial (imperialismo europeu) e a procura por terras que fossem produtivas e economicamente rentáveis. O Brasil – na época ainda colônia portuguesa – era uma das pepitas de ouro dos europeus, por conta da vasta terra e dos recursos que dispunha.

Enquanto isso, a Holanda era colônia espanhola e lutava pela sua independência. Por conta de disputas entre esses países, a Espanha revidou a rebelião, criando um tratado econômico chamado “Companhia das Índias Ocidentais”. Esta negociação renovou as regras de comercialização de açúcar e escravos (dois “produtos” de alto valor comercial na época) e bloqueou o comércio de açúcar brasileiro pelos holandeses.

Estes último, por sua vez, não gostaram da ideia de perder espaço em produções tão lucrativas e, como já tinham investido muito dinheiro no Brasil, tentaram reconquistar seu espaço invadindo o litoral brasileiro. A primeira tentativa de invasão foi em Salvador, na Bahia. No entanto, a truculência fez com que fossem expulsos pelos colonos da região.

É aí que entra Nassau na história. O militar participou da segunda tentativa de invasão dos engenhos de açúcar no país – a diferença é que ele fez de uma forma não muito esperada. Ao invés de usar a força, ofereceu aos donos de engenho o perdão de dívidas e o forte investimento na produção de açúcar. Esses, rapidamente, aceitaram a proposta, que levou à migração intensa de holandeses para trabalhar nas colônias brasileiras.

companhia das indias ocidentais

Solidificação da Companhia das Índias Ocidentais, em Amsterdam

O legado de João Nassau

João Nassau ficou somente sete anos no Brasil, mas contribuiu tanto para o desenvolvimento da região que seu legado pode ser percebido até hoje para quem visita o nordeste, sobretudo Recife e Pernambuco. Ele foi o responsável por criar duas pontes (a Maurício Nassau e a Ponte da Boa Vista), construir igrejas, mapear o território e fazer uma organização urbana fundamental para o crescimento do campo.

ponte mauricio de nassau

Ponte Maurício de Nassau na época em que foi construída e em 2017. Essa foi considerada a primeira ponte da América Latina

Além disso, Nassau também contribuiu para o desenvolvimento cultural. Patrocinou artistas no Brasil e convidou estrangeiros para visitar suas terras. As obras de arte que colecionou ajudam a visualizar qual era a paisagem do interior nordestino na época e a imagem dos donos de engenho e dos indígenas presentes no território. Por sua vez, os mapas que fez ajudam os historiadores a reconhecer qual era a dimensão e organização dos territórios.

engenhos de acucar em pernambuco joao nassau

Organização dos Engenhos de Açúcar em Pernambuco, feita por Maurício de Nassau

Para saber um pouco mais sobre o legado de João Nassau ao nordeste brasileiro, confira o depoimento do Arquiteto do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, José Luiz Nota Menezes, no vídeo, abaixo, produzido pelo jornal Diário de Pernambuco:

A volta de Nassau para a Holanda

A volta de Nassau à Holanda demonstra outro período de importância no Brasil colônia. O que aconteceu foi que a Espanha notou o rápido desenvolvimento brasileiro e o enriquecimento da Holanda com os engenhos de açúcar. Portanto, a fim de evitar que isso levasse os holandeses à independência, os espanhóis decidiram “apertar os cintos” dos donos de engenho. Estes, agora com uma produção muito mais desenvolvida, resolveram expulsar os holandeses (que detinham grande parte dos lucros), na tentativa de não falirem. No entanto, a estratégia não deu muito certo.

Os holandeses, agora sem as colônias brasileiras, decidiram replicar o conhecimento que adquiriram nos engenhos de açúcar no seu próprio país. A diferença é que investiram também em outras modalidades, como a extração de açúcar da beterraba. No fim das contas, o Brasil ganhou um forte concorrente no mercado, tanto de açúcar como de escravos.

Para manter o crescimento econômico, o Brasil precisou encontrar outras alternativas rentáveis em seu território, passando a desenvolver a atividade bandeirante na exploração dos minérios. Mas, essa já é outra história…


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