Migração – O que é? Como ocorre? Causas, Tipos e Exemplos

Durante muito tempo, a vida do ser humano se limitava a se deslocar de um local para outro em busca de segurança e recursos necessários para sua sobrevivência.

Esses deslocamentos, chamados de migrações, duraram milhares de anos, até o momento em que grandes grupos deixaram a vida nômade para se assentar de vez em locais propícios, dando início à civilização.

O que é migração?

Migração é o deslocamento de indivíduos ou grupos humanos para um determinado espaço geográfico, de forma temporária ou permanente. Trata-se de um fenômeno muito comum na história humana como um todo, mas que se acentuou, sobretudo, a partir do século XIX, em um contexto de profundas mudanças econômicas e de grandes conflitos armados.

São inúmeros os motivos que levam as pessoas a deixarem seu local de origem para tentar a sorte em outras regiões, muitas vezes desconhecidas. Entre eles, podemos citar:

  • Motivações econômicas: o migrante sai de um local em busca de emprego e melhores salários, com o objetivo de melhorar sua qualidade de vida;
  • Motivações políticas: esse tipo migração ocorre com bastante frequência em países afetados por graves crises políticas, sejam elas guerras, ditaduras, etc. Dessa forma, em alguns casos, certos grupos são obrigados a buscar refúgio em outros países para fugir de possíveis perseguições políticas. Em outras situações, essas pessoas fogem de lugares afetados por conflitos, como é o caso da Guerra Civil na Síria;
  • Culturais ou religiosas: pessoas partem em busca de um lugar onde se identifiquem com a cultura ou onde não serão perseguidas por sua religião;
  • Causas naturais: locais atingidos por causas naturais, como excesso de frio ou de calor, escassez de recursos ou qualquer outro fator que dificulte a vida, bem como tragédias, como terremotos ou tsunamis, podem provocar uma migração em massa.

Tipos de migração

Migração internacional

  • Imigração: ocorre quando um país recebe indivíduos que, seja qual for o motivo, deixam o seu local de origem com a intenção de estabelecerem residência em um novo local. A pessoa é considerada imigrante do ponto de vista de quem já vive naquele país;
  • Emigração: a pessoa que deixa seu país para viver em outro, independente das motivações, é considerado, do ponto de vista de quem permanece no país, um emigrante.

Migração nacional

  • Êxodo rural: é o deslocamento de pessoas vindas do campo para as cidades, motivadas por diversos fatores;
  • Migração urbano-rural: ao contrário do êxodo rural, neste caso, temos o deslocamento de pessoas da cidade para o campo;
  • Migração urbano-urbano: deslocamento de pessoas de uma cidade a outra, normalmente, de cidades pequenas para as grandes metrópoles, em busca de emprego e melhores condições de vida;
  • Migração pendular: fluxos populacionais que se deslocam de uma cidade a outra a trabalho, retornando para seu local de origem no final do dia. Diferencia-se do conceito de migração original, pois esse deslocamento é apenas temporário;
  • Transumância: ocorre quando um grupo de pessoas muda de cidade, estado ou país por um determinado período em busca de oportunidades, motivado por fatores sazonais ou econômicos, por exemplo, trabalhadores rurais que vão todos os anos para outros estados trabalhar no corte de cana-de-açúcar. Esses trabalhadores continuam tendo como referência de moradia o local de origem e, uma vez terminado o trabalho, voltam para suas cidades.

Movimentos migratórios no Brasil

O Brasil foi alvo de intensa imigração durante o final do século XIX e início do XX. Motivadas por problemas econômicos e conflitos bélicos, milhares de pessoas de diversas origens vieram para o país em busca de novas oportunidades, sobretudo portugueses, italianos, alemães, espanhóis, japoneses, árabes e turcos, cuja cultura desses povos se misturou à cultura local, e cuja contribuição para o desenvolvimento do país foi indispensável.

Ao longo do século XX, o país observou um intenso fluxo migratório do Nordeste em direção às grandes cidades do Sudeste e Sul do país. Essas pessoas fugiam da seca e das duras condições de vida de seus locais de origem em busca de emprego nas grandes capitais.

Embora integradas na cultura local, essas pessoas foram (e ainda são) vítimas de preconceito racial e social e, na maioria das vezes, obrigadas a viver em áreas periféricas das grandes cidades.

Atualmente, em virtude da crise econômica que afeta o país, diminuindo as ofertas de emprego de maneira geral, temos visto um fluxo contrário, com pessoas deixando as grandes cidades para voltar ao interior ou mesmo à região Nordeste, em busca de lugares onde o custo de vida e a violência sejam menores.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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