Michelangelo – Quem foi? Biografia e Principais Obras

Michelangelo foi um dos maiores gênios que já pisou na Terra. Destacando-se como pintor, escultor, poeta e arquiteto, o artista deixou um legado inestimável para a arte ocidental.

Que tal saber um pouco mais sobre a longa e turbulenta vida desta figura do Renascimento cultural, que acumula uma série de mitos a seu respeito? Só aqui, no Gestão Educacional!

Nascimento e primeiros anos de Michelangelo

Michelangelo

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, mais conhecido como Michelangelo (ou Miguel Ângelo, em Portugal), nasceu em 6 de março de 1475, em Caprese, comuna na região da Toscana, atual Itália.

Seus pais foram Ludovico di Leonardo Buonarroti Simoni – fidalgo florentino e prefeito das cidades de Chiusi e Caprese – e Francesca di Neri di Minato del Sera. Apesar da posição prestigiosa do pai, a família de Michelangelo não era abastada, como a primeira impressão passa.

Michelangelo

David (1501 – 1504).

 

Michelangelo, segundo filho do casal, teve outros quatro irmãos. A mãe morreu quando Michelangelo contava seis anos. O pai, então, escolhe uma ama-de-leite para o garoto, que passa a morar com um casal de sobrenome Topolino, envolvido com o trabalho de pedra. É nesse período que o pequeno garoto tem seus primeiros contatos com a massa e o cinzel.

Aos dez anos, volta para a casa do pai e é, então, tardiamente matriculado na escola. Anos mais tarde, Michelangelo admitiria, em cartas, que era avesso à escolaridade.

Alguns anos depois, é convidado pelo artista Francesco Granacci, que percebeu o talento do menino para o desenho, a abandonar a escola e estudar em seu ateliê. O fato causou um distanciamento de Michelangelo da família, uma vez que seu pai, preocupado com a situação financeira e com a linhagem da família, não gostou da ideia, pois julgava a carreira artística indigna para o nome da família.

Ainda assim, Michelangelo junta-se ao ateliê de Davide e Domenico Ghirlandaio em Florença, no qual Granacci trabalhava, em 1º de abril de 1488, aos treze anos. A relação entre o garoto e Domenico não era boa, pois, segundo os biógrafos, Michelangelo era tão bom que despertava inveja no artista já renomado e frequentemente corrigia os trabalhos deste. Não se sabe, entretanto, se esses boatos são verdadeiros.

A tutela de Lourenço II de Médici

Michelangelo

Moisés (1513 – 1515).

Um ano depois de entrar no ateliê dos irmãos Ghirlandaio, Michelangelo deixa-o, não cumprindo o contrato de três anos que assinara à época, para ficar na proteção de Lourenço II de Médici, que ficou cativado pela personalidade e pelo talento do rapaz. As circunstâncias por trás dessa mudança não são claras.

Fato é que, aos quinze anos, Michelangelo morava num quarto do palácio de Lourenço, onde ficaria até a morte deste, quatro anos depois, em 1492. Nesse período, tem contato com figuras ilustres, reforçando a educação interrompida, além de frequentar o Jardim das Esculturas, que contava com obras da antiguidade clássica, onde Michelangelo passa o tempo estudando.

Com Bertoldo di Giovanni, responsável por administrar e cuidar do jardim, Michelangelo tem seus primeiros contatos com a escultura. Esculpe, nessa época, algumas obras pequenas para Lourenço.

Com a morte de Lourenço, Pedro de Médici assume. Michelangelo, entretanto, percebendo a inabilidade e tirania de Pedro, parte de Florença pouco antes de Carlos VIII da França invadir e depor o Médici.

Após algumas passagens por Bolonha e Veneza, parte para Roma, em 1496.

Roma e obras-primas

Michelangelo

Pietà (1499).

É em Roma que Michelangelo faz suas maiores obras-primas, reconhecidas imediatamente como tais, e logo ganha notoriedade.

Em 1499, esculpe a Pietà, uma de suas obras-primas, encomendada pelo cardeal e embaixador francês Jean de la Grolaye de Villier. A obra retrata a Virgem Maria segurando o corpo de Jesus nos braços. Essa é a única obra de Michelangelo assinou.

Logo em seguida, recebeu outras comissões, destacando-se a que o Cardeal Francesco Piccolomini fez, pedindo a realização de quinze estatuetas de santos, obras que Michelangelo nunca terminou.

Finalizou apenas quatro, abandonando a obra em 1501 para dedicar-se a um projeto que lhe chamou mais a atenção: a estátua de David, sua obra-prima.

A estátua de David já havia sido começada por outros escultores, mas nunca foi concluída. Até mesmo Leonardo da Vinci foi cogitado para finalizá-la, mas esse papel ficou para Michelangelo, que a terminou em 1504.

A obra representa o herói bíblico David, responsável por derrotar o gigante Golias. A perfeição anatômica da obra chamou a atenção na época e, até hoje, é considerada um marco no Renascimento cultural.

Já em 1508, dá início, contra sua vontade, pois preferia a escultura, à pintura do teto da Capela Sistina, que concluiria em 1511. O afresco pintado pelo artista consistia em cenas do livro bíblico do Gênesis. A cena mais icônica é A Criação de Adão, mostrando o momento em que Deus cria o primeiro homem.

Nas décadas seguintes, Michelangelo, gozando de prestígio e renome, faz uma série de outras obras, concluindo algumas e deixando outras incompletas. Passou a se dedicar, também, à arquitetura, destacando-se a remodelação que fez da Praça do Capitólio (1536-1546) e a cúpula da Basílica de São Pedro (1547).

Michelangelo

A Criação de Adão (1508-1515).

Anos finais e morte

Por volta de 1563, Michelangelo passou a ficar com a saúde bastante debilitada. Nas últimas décadas, dedicou-se mais à arquitetura, à poesia e à pintura. Sofreu uma espécie de ataque em 14 de fevereiro de 1564, sendo visitado por vários amigos. Quatro dias depois, faleceu, pacificamente, aos 88 anos, em Roma.

Curiosidades

  • Michelangelo era canhoto;
  • Especula-se que o artista era homossexual e apaixonado pelo nobre Tommaso Cavalieri;
  • Ao terminar a Estátua de Moisés, ficou tão impressionado com o realismo dele que bateu no joelho da figura, gritando: “Fala!”;
  • Na juventude, ao ridicularizar o trabalho de outro jovem artista, tomou um soco no nariz, o que lhe causou uma deformação que o acompanharia pelo resto da vida;
  • Reza a lenda que ele e Da Vinci não se davam nada bem: ambos mantiveram uma rivalidade artística muito grande.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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