Expressionismo – O que foi? Características, Principais artistas e Obras

O expressionismo foi um movimento artístico de vanguarda que emergiu na Europa Ocidental, especialmente na Alemanha, em 1905, mantendo-se em alta até por volta do ano de 1933.

Nesse movimento, o que está em primeiro plano é o sentimento do artista, que coloca na obra um pouco do seu eu interior, suas angústias, tristezas, desilusões, etc.  Os temas explorados são condizentes com o sentimento do povo europeu da época, especialmente do alemão, uma vez que o movimento surgiu alguns anos antes do início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e durou quase até o final do período entre guerras (1918-1939) – momento de grande incerteza, desilusões e angústias.

O que foi o expressionismo?

O expressionismo surgiu como reação contrária aos movimentos do impressionismo e do naturalismo: a observação e a impressão da realidade desses movimentos foram substituídas pela visão interior do artista.

O impressionismo foi um movimento muito influenciado pelo Positivismo, corrente filosófica que coloca o pensamento científico como única forma de conhecimento verdadeira. Os pintores, portanto, optavam pela precisão e pelo realismo.

Os artistas expressionistas, desiludidos com a revolução científica, voltavam-se para o mundo interior, com um olhar de pessimismo para com a realidade, deixando o rigor científico de lado e dando brechas à subjetividade.

A origem do nome remete justamente a esse contraponto. Historiadores defendem que o termo foi cunhado pelo historiador checo Antonin Matejcek, em 1910, justamente como algo oposto ao impressionismo.

A beleza física, exterior, do ser humano e da natureza, “impressas” em tela por pintores impressionistas, como Monet e Renoir, cederiam espaço para a tendência expressionista de representar a vitalidade interna e os sentimentos, geralmente os negativos, como nas pinturas de Edvard Munch e Van Gogh, considerados precursores do expressionismo.

Expressionismo

Obra Noite Estrelada, de Van Gogh.

Características do Expressionismo

  • Expressão dos sentimentos e das emoções, valorizando a subjetividade do artista;
  • Liberdade individual de criação;
  • Paleta cromática e agressiva, com cores vibrantes e intensas;
  • Traços fortes, resultados de movimentos agressivos com o pincel;
  • Deformação da realidade, com ilusão na representação do mundo tridimensional;
  • Retratação de temas como o da miséria, da solidão, da angústia, do pessimismo, etc.

Principais artistas

É grande a lista de artistas considerados expressionistas, alguns até mesmo anteriores ao surgimento do movimento, como o próprio Edvard Munch. Além disso, por mais que o movimento tenha surgido na Alemanha, sendo bastante popular no país, à época, ele esteve presente em diversos outros países. Entretanto, alguns artistas se destacaram, ganhando bastante popularidade. Alguns dos principais são os seguintes:

  • Fritz Bleyl (1880-1966);
  • Erich Heckel (1883-1970);
  • Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938);
  • Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976);
  • Max Pechstein (1881-1955);
  • Emil Nolde (1867-1956);
  • Otto Mueller (1874-1930);
  • Wassily Kandinsky (1866-1944);
  • Egon Schiele (1890-1918).

O expressionismo teve influência na produção artística de alguns pintores brasileiros, também, como Cândido Portinari (1903-1962), Anita Malfatti (1889-1964) e Lasar Segall (1889-1954).

“O Grito”, de Edvard Munch

Expressionismo

Obra O Grito (1893).

A obra mais famosa de Edvard Munch, “O Grito”, de 1893, é um bem exemplo do movimento e de como Munch foi um precursor do movimento.

Nessa pintura, Munch explora o sentimento da angústia. No personagem em destaque, com sua acentuada expressão de angústia, transparece a agonia, o desespero e a dor da existência.

Atrás, dois homens observam o personagem em destaque. Segundo relato no diário pessoal de Munch, datado em 22 de janeiro de 1892, o pintor comenta que estava a passear com dois colegas, numa ponte em Oslo, capital da Noruega, quando foi invadido por sentimentos de melancolia e ansiedade, podendo-se interpretar a pintura, portanto, como autobiográfica. As obras de Munch, geralmente, tratam de temas como a morte, a solidão, a melancolia, o terror psicológico, etc.

A deformação do personagem em destaque chama a atenção: ele se contorce sob efeito de suas emoções acentuadas. Toda a construção do cenário, as linhas da ponte, as curvas do céu e da água, faz o espectador focar sua atenção na boca do personagem central, que se abre em espanto.

Expressionismo no cinema

O expressionismo também se fez sentir no cinema, com filmes que nitidamente sofreram influências do movimento. Surgiu, no início do século XX, o estilo cinematográfico que ficou conhecido como Expressionismo Alemão.

Assim como na pintura, a construção das cenas nos filmes, a fotografia, os cenários, etc. giravam em torno da maneira como os diretores enxergavam a realidade.

Um dos maiores exemplos é o filme alemão O Gabinete do Dr. Caligari, de 1920, dirigido por Robert Wiene. É considerado por muitos como a obra mais expressiva do Expressionismo Alemão.

Expressionismo

Na cena acima, por exemplo, é retratada a deformação da cidade, com os prédios e as casas deformadas, criando um cenário angustiante que lembra o de um pesadelo. Filmado com baixo orçamento, o filme foi aclamado pela crítica, firmando-se como um clássico atemporal, por captar a subjetividade da alma humana atormentada.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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