Arte budista – O que é? Surgimento, Características e Obras

A arte budista é uma arte milenar cuja história começa a partir do surgimento do Budismo, religião fundada por Shakyamuni Buda (563 a.C. a 483 a.C.). Embora tenha surgido na Índia, o budismo e a arte budista espalharam-se pelo mundo, ganhando milhões de seguidores e adeptos.

Neste artigo do Gestão Educacional, você conhecerá um pouco mais sobre a arte budista, desde o seu surgimento, com o nascimento e com a iluminação de Buda. Confira!

Surgimento do budismo

A história do budismo começou com o nascimento de Siddharta Gautama, em 563 a.C., no norte da Índia, próximo ao Himalaia. Ele nasceu como príncipe da família real de Kapilavastu, mas renunciou seu título e abriu mão de sua vida de luxos, privilégios e regalias, adotando um modo de vida voltado para a espiritualidade.

Foi meditando debaixo de uma árvore “bodhi” que Siddharta alcançou a iluminação, ficando conhecido então como Shakyamuni Buda, com “buda” significando, em sânscrito, “iluminado”. Ele chegou à conclusão de que o caminho correto para o “nirvana”, ou seja, para a eliminação permanente do sofrimento humano, era o “Caminho do Meio”, ou seja, entre a indulgência extrema e a automortificação.

Após pregar sua filosofia de vida pelo restante de sua vida, Shakyamuni Buda morreu em 483 a.C. Seu corpo foi cremado e suas cinzas, a mando do rei Ashoka, da Índia, foram espalhadas por “estupas”, monumentos que hoje atraem milhões de peregrinos do mundo inteiro seguidores do budismo. Outras estupas foram construídas para abrigar as cinzas de outras pessoas proeminentes do budismo ao longo dos séculos.

Após a sua morte, os seguidores de Shakyamuni formaram comunidades monásticas e espalharam os ensinamentos budistas primeiramente para outras regiões da Ásia e posteriormente para o restante do mundo.

Surgimento da arte budista

Quando se fala de “arte budista”, as primeiras coisas que vêm à mente das pessoas são a esculturas representando a forma humana de Buda. Porém, no início da arte budista, não se representava Buda em sua forma humana, mas sim com pequenos sinais indicando a sua existência, como pegadas, assentos vazios etc. Essa fase é conhecida como “pré-icônica”.

Passou-se a representar a figura humana de Shakyamuni Buda somente a partir do século I d.C., sendo esta fase conhecida como “icônica”. Produzidas inicialmente na região de Gandhara, um centro de efervescência artística, os materiais utilizados para a confecção das esculturas eram especialmente a pedra e o estuque. Depois de prontas, eram colocadas principalmente nas estupas. Havia muita influência greco-romana na região de Gandhara, graças à expedição de Alexandre, o Grande, em 327 a.C, de modo que a arte da região misturava elementos ocidentais e orientais.

Nas esculturas, Buda é geralmente representado jovem, sentado e meditando. Suas costas e seus ombros são geralmente cobertos com uma túnica monástica, havendo variações em que um dos ombros, especialmente o ombro direito, é deixado descoberto. Suas mãos estão frequentemente juntas, formando algum “mudra”, ou seja, alguma posição de mãos simbólica.

Outras características marcantes das esculturas de Buda são o “usnisa” (a protuberância cranial), o “urna” (o tufo de cabelo na testa) e os lóbulos das orelhas alongados. Outras características, como o tratamento do cabelo, revelam a influência da arte greco-romana na região.

As esculturas de Buda ganharam formas mais reais durante o período chamado “Gupta”, também conhecido como a Idade de Ouro. Neste período, Buda é representado com cabelos com pequenos cachos individuais e com o olhar contemplativo e espirituoso.

A arte budista espalhou-se pela Ásia principalmente por conta da Rota da Seda, que se tornou muito ativa durante a dinastia chinesa de Han, entre 206 a.C. e 220 d.C. Monges viajantes e comerciantes levaram o budismo, e consequentemente a arte budista, para países da Ásia Central e para a China. Templos em grutas foram criados durante a dinastia Uei do Norte, entre 386 d.C. e 535 d.C., especialmente em Yungang e Longmen, no norte da China.

Em 372 d.C., o budismo chega na Coreia e em 552 d.C. no Japão, oriundo da China e por meio dos Três Reinos da Coreia, tornando-se no século VIII a religião do Estado. Conforme avançava, o budismo foi sendo adaptado para se adequar às tradições locais de cada cultura.

A arte budista japonesa destacou-se especialmente pela arquitetura bastante característica de seus templos e pagodes, que incorporam características chinesas. Um exemplo de arquitetura budista japonesa é o famoso complexo de templos Hōryū-ji, na província de Nara.

O budismo desapareceu quase que por completo da Índia por volta do século X, bem como foi suprimido na Ásia Central e na China graças à influência e à expansão de outras duas grandes religiões: o hinduísmo e o islamismo. No Japão, o budismo ainda é bastante forte, embora divida lugar com o xintoísmo.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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