Modernismo: Contexto, Fases, Autores, Características e Obras

O Modernismo é um dos movimentos de arte mais conhecidos no Brasil, isso porque teve grande impacto na cultura nacional da época, e ainda hoje surte efeitos em nossa sociedade.

Foi em 1922, em pleno século XX, que ocorreu o Modernismo no Brasil, um movimento artístico e literário que marcava uma nova era de ideias e modelos de produção da arte nacional, deixando de lado o tradicionalismo, as formalidades e alguns paradigmas culturais.

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Contexto Histórico do Modernismo

O movimento surge quando a população está descontente, há algum tempo, com a situação política do Brasil, principalmente pela inflação, crise populacional e grande disparidade social, causando greves e protestos.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) também trouxe o clima de incerteza para o mundo, diante dos acontecimentos, tendo, como consequência, apresentado as Vanguardas Europeias ao mundo, uma série de movimentos artísticos que influenciaram o Modernismo brasileiro a buscar uma identidade nacional.

E é nesse período que a Semana de Arte Moderna de 1922 acontece e tudo muda.

Semana de Arte Moderna de 1922

Sendo uma manifestação artística-cultural que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna aconteceu entre os dias 11 e 18 de fevereiro, em 1922, contando com várias expressões de arte modernista: dança, música, poesia, pintura, escultura e palestras. Os artistas queriam propor uma nova arte, por meio de uma estética única e inspirada nas Vanguardas Europeias.

O evento foi considerado chocante na época, principalmente porque trazia uma nova maneira de produção artística, tornando a arte mais brasileira, quebrando laços com a arte acadêmica e iniciando o movimento modernista no Brasil.

Mário de Andrade foi o principal mentor desse evento, porém há outros grandes nomes que contribuíram para o seu desenvolvimento, tais como Di Cavalcanti, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade.

Di Cavalcante descreve o evento como:“seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista”.

Características do modernismo no Brasil

O jeito de falar e agir típico do brasileiro foi o que mais marcou as produções artísticas desse movimento, com um vocabulário repleto de linguagem coloquial e regionalidades.

As principais características desse movimento foram:

  • Novas experimentações artísticas;
  • Ruptura do tradicionalismo;
  • Uso de uma linguagem com mais humor;
  • Liberdade estética;
  • Valorização do cotidiano;
  • Uso de versos livres, ausência de pontuação e abandono de formas fixas;
  • Valorização do cotidiano, busca de uma linguagem mais simples e regional;
  • Busca por uma expressão artística nacional e inovadora.

Fases do modernismo no Brasil e seus principais autores

O Modernismo foi marcado por momentos distintos, que também são chamados de “fases” ou ” gerações”. São eles:

Primeira Fase do Modernismo (1922-1930)

Essa é a “fase heroica” do movimento, na qual os artistas procuram inspiração nas Vanguardas Europeias.  É o período mais radical de todos, principalmente pela grande quantidade de publicações de revistas e protestos, além da criação de vários grupos modernistas.

A primeira fase aconteceu justamento em 1922, com a Semana da Arte Moderna. Artistas mais rebeldes buscavam uma renovação estética, na tentativa de abandonar antiga ordem, por isso essa foi a fase marcada por muitas manifestações que se alastraram pelo Brasil todo.

A primeira geração de modernistas ainda viu o surgimento do Partido Comunista e do Partido Democrático.

As principais revistas da época são:

  • Klaxon (1922);
  • Estética (1924);
  • A Revista (1925);
  • Terra Roxa e Outras Terras (1927);
  • Revista de Antropofagia (1928).

Os manifestos também são marcados pelo Manifesto Antropófago (1928) e Manifesto Regionalista (1926), assim como o Movimento Pau Brasil e o Movimento Antropofágico.

Os principais nomes da primeira fase do Modernismo no Brasil são:

  • Mário de Andrade;
  • Oswald de Andrade;
  • Manuel Bandeira;
  • Alcântara Machado.

As principais poesias que se destacaram na primeira fase são: Pronominais (Oswald de Andrade) e Erro de Português (Oswald de Andrade).

Segunda Fase do Modernismo (1930-1945)

Conhecida como a “Fase de Consolidação” ou “Fase de 30”, esse é o momento no qual temas como o nacionalismo e o regionalismo tomam conta da prosa.

Esse foi o momento em que a luta ficou mais madura e muitas obras essenciais para a literatura brasileira foram criadas, em especial no âmbito da poesia, em que foram colocados em pauta assuntos sobre a existência humana e uma análise dos sentimentos e das angústias sociais.

Na prosa, os temas abordavam a dura realidade brasileira e uma grande reflexão dos problemas sociais em todas as regiões, em especial no nordeste do país.

Grandes nomes entram no cenário nacional, como Graciliano Ramos (1892-1953), com “Memórias do Cárcere”, registro de lembranças de quando foi preso, acusado de ser comunista. Porém, o escritor ganha proporção com “Vidas Secas”, obra na qual narra a história de uma família de retirantes do nordeste, retratando a seca e a pobreza local.

Rachel de Queiroz (1910-2003) foi outra representando do movimento e primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, merecendo destaque pela sua obra “O Quinze”, na qual a seca do nordeste do país e as dificuldades que a acompanham são descritas.

José Lins do Rego (1901-1957), também parte da Academia Brasileira de Letras, ganha destaque por seus romances regionalistas “Menino de Engenho”, “Fogo Morto” e “Usina”.

Talvez um dos nomes mais conhecidos do Modernismo brasileiro seja Jorge Amado (1912-2001), escritor baiano  de obras como “Gabriela”, “Capitães da Areia” e “Tieta do Agreste”.

Érico Veríssimo (1905-1975) é o representante da cultura gaúcha, ganhando reconhecimento pela trilogia “O Tempo e o Vento”, além de livros como “Fantoches” e “Clarissa”.

Outros grandes nomes da segunda geração do Modernismo no Brasil são:

  • Cecília Meireles;
  • Carlos Drummond de Andrade;
  • Vinícius de Moraes.

Principais poesias da segunda fase: Retrato (Cecília Meireles) e No meio do Caminho (Carlos Drummond de Andrade).

Principais prosas da segunda fase: Vidas Secas (Graciliano Ramos), O País do Carnaval (Jorge Amado), Menino do Engenho (José Lins do Rego), Capitães de Areia (Jorge Amado), O Quinze (Rachel de Queiróz).

Terceira Fase do Modernismo

Chamada também de “Pós-modernismo”, ainda não há um tempo determinado para seu término. Muitos dizem que foi nos anos 60, outros nos anos 80, e há quem diga que ainda permanece ativo até os dias atuais.

O país passou por grandes mudanças sociais, com um novo cenário político, acontecendo o mesmo também no campo artístico. Nesse momento, há a mistura entre a prosa urbana, intimista e regionalista, com uma abordagem mais psicológica e introspectiva.

Clarice Lispector (1922-1977) é um dos principais nomes dessa etapa do movimento, tendo como características marcantes o lirismo e a literatura intimista. Suas principais obras são “Perto do Coração Selvagem”, “A Hora da Estrela” e “A Cidade Sitiada”.

Conhecido pelo capricho na ordem de suas obras, João Cabral de Melo Neto (1920-1999), também chamado de “poeta engenheiro”, ganha notoriedade por “Morte e Vida Severina”.

João Guimarães Rosa (1908-1967) tem em suas obras a temática frequente do sertão, com suas principais obras “Sagarana” e “Grande Sertão: Veredas”.

Ariano Suassuna (1927-2014) também é um dos maiores escritores brasileiros dessa fase e ganha destaque por “O Auto da Compadecida”, “O Santo e a Porca” e “Os Homens de Barro”.

Outros autores da terceira fase do Modernismo são:

  • Mário Quintana;
  • Lygia Fagundes Telles.

Obras que se destacaram nessa geração: Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto), Poeminha do Contra (Mário Quintana).

Prosas que se destacam nessa geração: A cidade sitiada (Clarice Lispector), Grande Sertão (Guimarães Rosa), Primeiras Estórias (Guimarães Rosa), A hora da Estrela (Clarice Lispector).

Em um contexto histórico, o modernismo no Brasil foi um movimento de luta em prol da independência cultural do país, cujo objetivo era valorizar a vida cotidiana do povo, em especial a sua linguagem.

O resultado desse movimento foi muito positivo, pois foi nessa época que muitas obras surgiram e foram muito importantes para a literatura do Brasil, bem como para a consagração de grandes autores.

Rafaela Mustefaga

Graduada em Letras Português/Inglês, pela PUCPR, é revisora e editora de textos informativos, apaixonada por línguas e literatura e professora nas horas vagas.

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