Frida Kahlo – Biografia, Obras e História: Qual a sua importância?

Frida Kahlo (1097-1654) foi uma importante artista mexicana, muito a frente de seu tempo. Suas obras exaltavam a nacionalidade e autenticidade de sua historia pessoal de inigualável sofrimento. No entanto,  a relevância da autora extrapola o campo da arte devido às contribuições que fez em várias esferas político-sociais, afinal, ela tinha uma visão política alinhada à esquerda, defendia a liberdade corporal e sexual e lutava pela igualdade de gêneros – em especial das mulheres.

Biografia e a história de vida de Frida Kahlo

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, conhecida pelo seu nome artístico, Frida Kahlo, foi um dos grandes ícones da pintura mexicana surrealista. Nascida na vila de Coyoacán, no México, em 06 de julho de 1907, foi filha de pai alemão e mãe espanhola, tendo que, desde sua infância, superar grandes traumas por conta de sua saúde debilitada.

A artista Frida Kahlo

Aos seis anos, contraiu poliomielite, uma doença que a deixou com sequelas, como uma perna mais fina que a outra e o pé atrofiado. Por conta disso, foi apelidada de “perna de pau”, optando por usar saias longas e floridas a fim de esconder a deficiência – modelo que acabaria ajudando a identificá-la nas suas futuras excursões pelo mundo.

Na adolescência, matriculou-se na Escola Preparatória Nacional, no curso de medicina, mas desistiu porque acabou percebendo nas influências artísticas do pai – o qual sempre a incentivou a desmistificar conceitos e lutar pela sua autenticidade – uma nova forma de viver a vida. Assim, Frida sempre foi uma criança diferente das demais: jogava bola, praticava natação e boxe e desafiava todos os padrões sociais pré-estabelecidos de sua época.

Aos dezoito anos, sofreu um grave acidente, que a marcou para o resta da vida. O ônibus em que estava bateu de frente com um trem, sendo que um dos para-choques atravessou as suas costas, causando uma fratura pélvica, além de várias lesões.

Por conta disso, a artista teve que passar por 35 cirurgias, sendo que, mesmo após meses recuperando-se, diversas complicações aconteceram durante a sua vida. E foi nesse período que Frida descobriu o seu amor pela pintura.

frida kahlo no hospital

Impossibilitada de levantar da cama e locomover-se, seu pai adaptou um cavalete na cama e um espelho no teto, para facilitar o trabalho da filha. Daí surgiram uma das obras mais conhecidas da artista: “A coluna partida” ou “O Autorretrato com vestido de veludo”, o qual Frida dedicou ao seu ex-noivo que a abandonou após o acidente.

Obra: Autorretrato com vestido de veludo

“Autorretrato com vestido de veludo”

Alguns anos após o acidente, Frida filiou-se ao Partido Comunista Mexicano, passando a conhecer o muralista Diego Rivieira. Mesmo sendo 20 anos mais velho do que a jovem, os dois apaixonaram-se e casaram um ano mais tarde. No entanto, sua vida conjugal seria marcada por constantes conflitos que só colaborariam para a complexa história de vida da artista. Inclusive, Frida Kahlo tinha o desejo de ser mãe, mas acabara sofrendo três abortos espontâneos por dificuldades de saúde e pelo fato de seu útero ter sido perfurado no dia do acidente.

Em 1954, a artista foi encontrada morta em sua casa, tendo em seu atestado médico o diagnóstico de embolia pulmonar, resultante de uma severa pneumonia. No entanto, alguns historiadores consideram a possibilidade de ela ter se suicidado com uma overdose de remédios, já que uma de suas últimas frases em seu diário pessoal declarava: “espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar”.

Ao lado direito “O Abraço de amor do Universo, a Terra (México), eu, Diego e Senhor Xolotl (1929)”. Ao lado esquerdo: ” A coluna partida (1944)”

A obra de Frida Kahlo – Porque é tão importante?

A primeira exposição da autora foi em 1933, em Nova York, quando chocou o mundo artístico com sua espontaneidade e personalidade latina melodramática.

Até mesmo o seu estilo com saias coloridas, bigode e monosselhas foram tomados como um símbolo revolucionário que veio justamente a calhar com o movimento de valorização da nacionalidade que já marcava diversas regiões do mundo, inclusive o Brasil, com a Semana de Arte Moderna de 1922. 

Todo o sofrimento pessoal de Frida Kahlo foi transportado para as suas pinturas, as quais continham um traço autêntico e inovador como o uso de cores fortes e expressões intensas. Tamanha inovação tornou-a popular em vários lugares do mundo, a ponto de ser considerada, internacionalmente, como a primeira artista latino-americana, também pioneira a ter uma obra em exposição no Museu do Louvre.

Artistas como Salvador Dalí denominaram a obra de Frida de caráter Surrealista, no entanto, ela não considerava suas pinturas com essa denominação: “pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui, nunca pintei sonhos, apenas minha própria realidade”.

Dentre suas obras de maior relevância estão: As duas Fridas, O ônibus, Frida Kahlo e Diego Rivera, Autorretrato com cabelo cortado, entre outros.

el onibus frida kahlo

El ônibus (1929)

 

as duas fridas kahlo

As duas fridas (1939)

 

auto retrado com cabelos cortados frida kahlo

Auto- retrato com o cabelo cortado (1940)

Obra: "Frida e Diego Rivera"

“Frida Kahlo e Diego Rivera” 1931

Visões políticas

Frida lutava por muitas causas a frente da sua época, que iam além do comunismo. De certa forma, acabou sendo diretamente influenciada por essa ideologia, por conta do viés político de seu marido, o qual foi o fundador do Partido Comunista do Méxcio.

Frida Kahlo defendia as seguintes ideias:

  • Visibilidade aos povos indígenas;
  • Reforma cultural nacionalista;
  • Igualdade de gêneros;
  • Liberdade artística;

Feminismo

Ela lutou bravamente nos movimentos feministas, mantendo-se fortemente posicionada a favor da igualdade de gêneros e da liberdade do corpo feminino, apesar de ter sofrido muito nas mãos do marido.

A vida amorosa de Frida (A soFrida que se Kahlou)

Apesar de seu posicionamento feminista, Frida Kahlo não conquistou em casa toda a liberdade que desejava. Há indícios, inclusive, de que ela era fortemente rejeitada, sofrendo até agressões físicas do marido.

Em um dos seus abortos espontâneos, a artista comenta, em seu diário, a tristeza ao ver que o marido não tinha ficado feliz pelo acontecimento, justificando que “havia muito trabalho a fazer”. Como Frida queria muito ser mãe (percebe-se na passagem: “se eu aguento um Diego, meu corpo poderá aguentar um Dieguito”), pode-se concluir que a perda do filho representou um sofrimento intenso a ela.

Conforme demonstram seus diários pessoais, Frida só não conseguia se separar de Diego por conta de uma tremenda dependência emocional, sendo que ainda registra que aceitava os casos extraconjugais do marido para tê-lo por perto. Diego aceitava que a esposa mantivesse outras relações, mas somente com mulheres – já que ela era bissexual. Assim, Frida chegou a manter uma relação com a amante de Diego – semelhante a uma união a três.

Frida Kahlo e amante Chavela Vargas

Frida Kahlo e amante Chavela Vargas

Aliás, os vaivéns de Diego e Frida deram muito o que falar na comunidade artística. Frida, por exemplo, chegou a manter relações com Trótski (lider comunista russo), enquanto esse estava refugiado no México, aceitando o convite de Diego para se esconder na casa do casal de comunistas.

É justamente por isso que alguns autores tratam da artista como a soFrida que se Kahlou, fazendo um trocadilho com o nome da autora.

Como saber mais sobre Frida

Há um livro lançado pela editora José Olympio chamado “O diário de Frida Kahlo”, um compilado de esboços e partes oficiais do diário pessoal da artista. A obra conta, por exemplo, com cartas que ela fazia para Diego relatando suas frustrações e seus sentimentos mais íntimos. Com certeza, essa é uma oportunidade de ter um contato muito mais aprofundado com o interior dessa artista tão influente e sofrida.

Para quem não quer sair da Internet, poderá navegar pelo acervo de mais de 800 itens da autora, reunidos no site Arts e Culture, do Google, e vários ensaios opinativos da vida da autora.


Referências bibliográficas

Frida Kahlo; No Feminist, Elizabeth Shackelford, The New York Times, 2/12/1990.

KAHLO, Frida. El diário de Frida Kahlo: un autorretrato íntimo. Ciudad del México: la vaca independiente, 1995, p. 281.

Nota sobre o título do texto. Por volta de 1950, escreve em seu diário: “Siempre revolucionário nunca muerto, nunca inútil” – KAHLO, 1995, p. 251.

HERRERA, Hayden. Frida: a biografia. São Paulo: Globo, 2011, p. 18.


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