Arte na China Antiga – Pintura, Arquitetura e Escultura nas Dinastias

Ao se falar de Arte da China Antiga, faz-se referência às diversas manifestações artísticas da China Antiga, cuja cultura é considerada uma das mais antigas da história.

Neste artigo do Gestão Educacional, trataremos da arte desenvolvida na região da atual China de 6000 a.C., com o surgimento da cultura neolítica de Yangshao, a 208 d.C., ano em que a China é uma vez mais dividida, dando início ao Período dos Três Reinos.

Arte da China no Período Neolítico (6000 a.c. a 2250 a.c.)

As primeiras formas de arte na região datam de 6000 A.C., com obras produzidas pela cultura neolítica Yangshao, que se assentou ao redor do Rio Amarelo, o segundo maior da China. Desse período, sobreviveram algumas peças de cerâmica e artefatos feitos com ossos e pedras.

Destaque também para a cultura Liangzhu, que se assentou próximo ao rio Yangtze, ocupando a região de aproximadamente 3400 a.C. a 2250 a.C. Essa cultura destacou-se especialmente pela produção de artefatos em jade, destinados à classe mais rica da população (pois tais artefatos foram encontrados em túmulos de elite, enquanto que os túmulos de indivíduos mais pobres eram decorados apenas com cerâmica).

O domínio do bronze

A primeira dinastia chinesa a trabalhar com metais foi a Xia, que durou de aproximadamente 2100 a.C. a 1700 a.C. A metalurgia desenvolveu-se rapidamente na região, sendo amplamente utilizada pela dinastia seguinte, a Shang (1700 a.C a 1050 a.C.). O bronze era empregado na produção especialmente de vasos, estatuas e máscaras mortuárias.

Por exemplo, o famoso Vasilhame de vinho elefante (1100 a.C.) é datado desta época, tendo sido produzido por artesões da dinastia Shang, que desenvolveram um processo refinado de se trabalhar com o metal. Os vasos, trabalhados em bronze, eram geralmente utilizados em rituais e cerimonias religiosas e produzidos com uma grande riqueza de detalhes, representando geralmente animais com traços estilizados.

Arte da China na Dinastia Zhou

A dinastia Zhou (1050 a.C. a 221 a.C.) foi a que ficou mais tempo no poder na história da China. Durante a sua existência, a dinastia sofreu séculos de desordem e violência. O período entre 722 a.C. e 481 a.C. ficou conhecido como “Período das Primaveras e Outonos”, nome baseado em um conto atribuído a Confúcio. Apesar do nome, o período foi marcado por guerras e batalhas entre os 170 estados da região.

Já o período entre 475 a.C. e 221 a.C. é chamado “Período dos Estados Combatentes”, ficando este momento marcado pela instabilidade, pela guerra e pelas reformas burocráticas e militares. Os principais estados buscavam dominar ainda mais territórios, a fim de aumentar os seus domínios, de modo que o poder da dinastia Zhou enfraqueceu a ponto de se tornar simbólico.

Cada um dos principais estados, cujos líderes autodenominaram-se “reis”, desenvolveu sua própria arte neste período. Destaque para os objetos e artefatos encontrados no mausoléu de Yi, do Estado de Zen, que morreu aproximadamente em 433 a.C. Dentre eles, havia instrumentos de rituais, carrilhões de jade e de pedra, instrumentos musicais, vasos cerimoniais e outros artefatos.

Também é do Período dos Estados Combatentes o desenvolvimento de doutrinas filosóficas que, mais tarde, viriam a ser conhecidas como as cem escolas de pensamento. Destaque para o Moísmo, o Confucionismo, o Legalismo e o Taoísmo, todas desenvolvidas durante este período.

O Primeiro Imperador Amarelo

Conhecido como “Primeiro Imperador Amarelo”, Qin Shi Huang Di, da dinastia Qin, foi o responsável por dar fim ao Período dos Estados Combatentes, conseguindo unificar a China.

Porém, seu reinado durou pouco tempo, indo de 221 a.C., ano da unificação, até 10 de setembro de 210 a.C., pois o imperador morreu durante uma viagem ao Leste da China, onde pretendia encontrar as lendárias Ilhas dos Imortais e, com isso, alcançar a imortalidade. Segundo os relatos, Qin Shi Huang Di morreu após beber uma poção, que supostamente lhe daria a vida eterna, preparada pelos médicos de sua corte. A poção, entretanto, possuía uma grande quantidade de mercúrio, resultando em sua morte.

Durante o curto reinado de Qin Shi Huang Di, ele ordenou a construção de projetos grandiosos e ousados. Por exemplo, foi ele o responsável pelo início do projeto da Grande Muralha da China, construída entre 220 e 206 a.C., embora ainda não tivesse o tamanho que tem hoje. Pouco resta desta primeira construção, uma vez que a Grande Muralha foi reconstruída, reforçada e expandida diversas vezes ao longo dos séculos.

Outro grande projeto do curto reinado do Primeiro Imperador Amarelo é o famoso Exército de Terracota (210 a.C.), que Qin Shi Huang Di projetou para ser o seu mausoléu. O complexo conta com mais de 8.000 escultura em terracota de soldados chineses e cavalos. Originalmente, as estátuas empunhavam armas de verdade, mas o mausoléu foi saqueado pelo general Xian Yu cinco anos depois da morte do antigo imperador, que morreu em 10 de setembro de 210 a.C. Após a morte dele, a dinastia Qin duraria apenas três anos, sendo substituída pela famosa Dinastia Han.

Arte da China na Dinastia Han

Uma das eras de ouro da cultura chinesa antiga ocorreu durante a Dinastia Han, que durou de 206 a.C. a 220 d.C. Foi nela que a famosa Rota da Seda se tornou mais ativa, de modo que a arte chinesa espalhou-se pela Europa, com a seda chegando a Roma, permitindo também que novas culturas chegassem na China. Durante essa dinastia, todos os ramos da arte prosperaram, sendo patrocinados pelos membros de classes mais ricas.

Também durante a dinastia Han, a China tornou-se oficialmente um estado confucionista, a influência política e cultural da China expandiram-se consideravelmente, bem como o território chinês, graças à aptidão militar de seu exército durante essa dinastia, além da unificação dos dialetos da região.

Durante a dinastia Han, a prática de se ornamentar e decorar mausoléus, iniciada já no período neolítico, continuou, especialmente as sepulturas de pessoas abastadas. Mortalhas de sedas eram pintadas com cenas do mundo dos mortos, dos vivos e do paraíso, sendo colocadas sobre o túmulo.

O uso do jade também foi muito marcante durante a dinastia Han. Os chineses acreditavam que o jade continha o yang, uma das partes do yin yang que representa a claridade, a luminosidade e a energia cósmica, sendo associada, portanto, ao poder da vida. Por conta da raridade, do valor e da força de trabalho exigida para se trabalhar o minério, o jade era uma exclusividade das camadas mais nobres da sociedade chinesa, especialmente da realeza. Um exemplo é a Mortalha de Jade da Princesa Dou Wan (100 a.c), atualmente exibida no Museu Nacional da China, em Pequim. A mortalha é feita de pedra e revestida com mais de 2.100 placas de jade.

Nos túmulos dos mais nobres, colocava-se também um bi, um tipo de disco, com furo no meio representando a estrela Polar, feito de jade. O objeto servia, segundo a crença da época, para guiar o espírito do morto ao paraíso.

Na dinastia Han, o trabalho com o bronze também foi bastante utilizado e sofreu aprimoramentos. O metal era empregado especialmente nas esculturas.

Já próximo do final, desenvolveu-se na dinastia Han a caligrafia como forma de arte, impulsionada especialmente pela invenção do papel, em 105 d.C., por Cai Lun, um oficial da corte, bem como da literatura. Além disso, por volta de 65 d.C., o budismo chega à China, impulsionando o surgimento da prática de se retratar Buda.

Por rixas familiares e por conta da Revolta Popular dos Turbantes Amarelos, a Dinastia Han chegou ao fim por volta de 159 d.C., com o poder passado para os eunucos da corte. Em 208 d.C., a China é finalmente dividida em três reinos, marcando o início do Período dos Três Reinos: Wei, Shu e Wu.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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