Arte plumária – O que é? Características e Exemplos

A arte plumária é um tipo de arte já milenar. Consistindo na utilização de penas (e suas variações) para a confecção de vestimentas e objetos, foi usada especialmente pelas culturas indígenas da América e da Oceania. As obras geralmente são repletas de simbolismo.

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Arte plumária: o que é?

A arte plumária consiste na utilização de penas para a confecção de obras de arte ou artefatos. É uma manifestação artística milenar, remetendo aos povos antigos, como aos Incas, Polinésios e Maias, mas não se limitando a eles, uma vez que temos exemplos mais recentes, como os turbantes ornamentados com joias e penas no século XIII, no Império Otomano, e os mosaicos de pena bordados, na Inglaterra Vitoriana.

Apesar disso, a arte plumária foi mais característica das culturas indígenas, especialmente da América. As peças confeccionadas não possuíam apenas valor ornamental, mas também simbólico e religioso, uma vez que eram usadas em cerimônias solenes.

As penas variavam, podendo ser usadas, por exemplo, as de papagaios e tucanos, pelo tamanho, pela coloração e pela raridade, na confecção de cocares, capas e demais vestimentas tribais, e penas mais comuns, de aves não tão raras, para a produção de cobertores e flechas.

Exemplos de arte plumária

Um bom exemplo é o manto ʻahuʻula, símbolo do nível hierárquico mais alto dos antigos havaianos, que se acreditava ser uma veste capaz de prover proteção espiritual para quem a vestisse. O manto era feito com as penas da ave ‘I’iwi, nativa das ilhas do Hawaii, que eram acopladas a uma rede, feita com a planta olonã. Junto do ‘ahu’ula, vestia-se o mahiole, um capacete feito com uma armação de madeira e penas das aves ‘I’iwi e ‘O’o.

Na América do Norte, vale destacar os cocares confeccionados por diversas tribos. Os nativos da tribo Creek, por exemplo, faziam cocares, usados apenas em ocasiões especiais, feitos com uma base de couro na qual se prendia diversas penas. As penas eram espécies de recompensas por atos de bravura; quanto mais penas, portanto, mais vitórias e conquistas.

Na América Latina, vale destacar a tribo dos caapores, ainda hoje ativa na região do Maranhão e do Pará, que dominam a arte plumária, especialmente no que diz respeito à confecção de colares, feitos geralmente de fibras vegetais, couros, folhas e taquaras, nos quais são acopladas penas, em cores naturais ou artificiais.

É interessante observar que, na grande maioria das culturas indígenas que faziam ou ainda fazem uso da arte plumária, os objetos confeccionados têm sempre valor simbólico, muitas vezes, também, contando histórias e indicando níveis de hierarquia, como no caso dos cocares.

Vale mencionar que, durante a invasão europeia nas Américas, os objetos e utensílios confeccionados por meio da arte plumária foram trocados pelos conquistadores, no chamado escambo, e levados para outras partes do mundo, considerados troféus de conquista, com muitos deles ainda em museus.

Hoje em dia, a arte plumária não é amplamente utilizada, mais limitada às ainda existentes tribos indígenas. A caça de aves, especialmente daquelas com penas mais chamativas, provocou, ao longo dos séculos, a extinção de diversas espécies. Hoje em dia, para atender a indústria ou o artesanato, produz-se penas artificiais ou retira-se a pena de aves criadas sob rigoroso controle de instituições.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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