Arte Egeia – O que é? Quando surgiu? Tipos, Divisões e Características

Dá-se o nome “arte egeia” às manifestações artísticas desenvolvidas pelas civilizações que se assentaram no Mar Egeu, no interior da bacia do Mediterrâneo, entre a Europa e a Ásia, de aproximadamente 3000 a.C. até o surgimento da Grécia na região, por volta de 1200 a.C., marcando o início da Arte Grega.

Este período da história da civilização ficou conhecido como Idade do Bronze. Isso faz com que a Arte Egeia às vezes seja chamada de “Arte Grega da Idade do Bronze”.

Divisões da Arte Egeia

Ao se tratar da Arte Egeia, geralmente é destacada a produção artística de três civilizações que se assentaram no Mar Egeu:

  • A arte cicládica, da Civilização Cicládica, nas ilhas ao norte de Creta (de aprox. 3000 a.C. a 2000 a.C.);
  • A arte minoica, da Civilização Minoica (ou Cretense), na ilha de Creta e em outras regiões do Mar Egeu (de aprox. 2000 a.C. a 1600 a.C., passando a entrar em declínio após a erupção vulcânica em Tira, em 1624 a.C., que comprometeu o comércio em todo o Mar Egeu);
  • A arte micênica, dos Aqueus (ou Dânaos, segundo Homero), na costa sudoeste da Grécia (de aprox. 1600 a 1100 a.C.).

Arte Cicládica

A civilização Cicládica foi a primeira a prosperar no Mar Egeu, entre 3000 a.C. e 2000 A.C.. Localizada num arquipélago no sudeste da Grécia Continental, a arte cicládica destaca-se especialmente pela produção de estatuetas.

As estatuetas geralmente representavam mulheres, em pose simples e ereta, às vezes segurando um bebê. Algumas estatuetas, em menor quantidade, representavam homens, também em poses simples, geralmente segurando instrumentos musicais (como a lira) ou armas. O material preferido era o mármore.

Essas estatuetas representavam a figura humana de maneira abstrata, optando por formas concisas e minimalistas. A cabeça geralmente era em formato ovoide, tendo como único relevo o nariz. Alguns dos artistas abstratos do início do século XX, como Pablo Picasso (1881-1973), inspiraram-se na arte desse período para a produção de suas obras.

As estatuetas que sobreviveram até hoje revelam ausência de ornamentos, mas não se sabe se elas eram confeccionadas assim ou se possíveis acabamentos com tinta ou outros materiais acabaram se desgastando com o tempo.

Tais estatuetas foram encontradas por arqueólogos especialmente dentro de túmulos, o que leva a crer que tivessem algum significado relacionado à morte, embora não estivessem novas quando postas dentro do túmulo — o que dá a entender que tinham um simbolismo também para os vivos.

Arte Minoica

A Civilização Minoica foi a maior das civilizações egeias antigas. Surgida por volta de 3000 a.C., os artistas minoicos inspiravam-se especialmente nas artes egípcia, síria e anatoliana. A combinação dessas três influências, em conjunto com características próprias dos artistas minoicos, resultou em uma arte original e bastante rica.

O ponto central da arte minoica foi a ilha de Creta, a maior ilha da região, embora ela tenha se espalhado para outras regiões do mar Egeu graças ao comércio local. O nome “minoico” é uma referência ao Rei Minos, que, de acordo com a mitologia grega, foi um semideus que governou a ilha de Creta. O responsável pelo nome foi o arqueólogo inglês Arthur Evans, responsável por descobrir os restos da civilização Minoica.

A arte minoica destaca-se especialmente pela cerâmica, pela ourivesaria (fabricação de joias e ornamentos com metais preciosos), pelos afrescos e pelas pequenas esculturas.

A arte era geralmente produzida para decorar os palácios minoicos, espalhados pelos conjuntos de construções Cnossos (principal centro cultural e político da civilização minoica), Malia e Festos. Nesses centros eram realizadas cerimônias políticas, religiosas e culturais.

Os palácios, construídos em tijolo, pedra e barro, possuíam um pátio interno central bastante amplo, ornamentado com esculturas e afrescos nas paredes. Tais afrescos representavam temas como a natureza e a vida selvagem ou cenas de rituais e cerimônias cretenses, como a tourada, retratada no Afresco do Toureiro (aprox. 1550 a.C.).

A cerâmica destaca-se especialmente pela produção dos chamados vasos kamares (referência ao local onde os primeiros exemplares foram encontrados). A superfície dos vasos costumava ser bastante fina e apresentar desenhos geométricos e folhas e flores estilizadas. Um dos temas mais recorrentes na decoração dos vasos era a vida marinha, justamente por serem povos muito ligados ao mar. Um exemplo é o Cantil em estilo marinho com enfeito de polvo (aprox. 1450 a.C.).

A civilização minoica passou a entrar em declínio após uma erupção vulcânica em Tira, que provocou um tsunami e interrompeu o comércio em todo o mar Egeu.

Arte Micênica

Os micênicos prosperaram na região do Peloponeso a partir de 1600 a.C., herdando parte das características artístico-culturais da civilização minoica, que influenciou a região antes de seu declínio. Com muito mais guerreiros que a Civilização Cicládica e Minoica, os micênicos expandiram seus domínios por todo o sul da Grécia e pelas ilhas próximas.

Por conta da cultura de guerra, a maior parte dos objetos micênicos sobreviventes são armas e artefatos de guerra. Nos mausoléus escavados, além de joias, foram encontradas várias armas enfeitadas com ouro e prata.

Os palácios micênicos também refletiam essa cultura militar: as cidades eram amuralhadas e os palácios bastante fortificados. Ainda assim, eram decoradas com afrescos, ainda que representassem geralmente cenas de guerra e caça.

A ourivesaria também era bastante presente, especialmente na produção de máscaras mortuárias. Destaque para a Máscara de Agamenon (aprox. entre 1600 a.C. e 1500 a.C.), que se acreditava, na época em que foi descoberta, ser do próprio Agamenon, segundo Homero, o líder das forças gregas na guerra de Tróia, embora hoje se saiba que a máscara foi produzida cerca de 300 anos antes da época de Agamenon.

Até hoje, não se sabe ao certo o motivo do declínio e da queda da civilização micênica, que começou a ruir por volta de 1200 a.C. Sabe-se apenas que a civilização micênica teve uma forte influência no surgimento da Grécia, sendo os aqueus (outro nome dado aos micênicos) considerados os “primeiros gregos”. Na Ilíada e na Odisseia, poemas épicos escritos por Homero, “aqueus” e “gregos” são usados como sinônimos, bem como “dânaos” e “argivos”.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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