Aleijadinho – Quem foi? Biografia e Principais Obras

Aleijadinho é um dos mais famosos escultores, entalhadores e arquitetos brasileiros. Embora pouco se saiba a respeito de sua vida, sua obra, considerada símbolo do Barroco e do Rococó brasileiro, sobreviveu durante os séculos e é um importante marco do Brasil Colonial e da arte, como um todo.

Conheça um pouco mais a respeito de Antônio Francisco Lisboa, nesta biografia completa sobre ele!

Nascimento incerto

A data de nascimento de Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, é incerta. A única coisa que se sabe com certeza é que nasceu em Vila Rica, atualmente Ouro Preto, Minas Gerais.

Já o ano de nascimento varia um pouco. Alguns consideram que tenha nascido no dia 29 de agosto de 1730, com base numa certidão de batismo, sendo batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Já outros consideram que nasceu em alguma data do ano de 1738, com base em informações da certidão de óbito, sendo esta a data mais aceita.

Antônio Francisco foi filho de Manuel Francisco Lisboa, carpinteiro e arquiteto natural de Odivelas, arcebispado de Lisboa, Portugal, com uma de suas escravas africanas, de nome Isabel. Nascido escravo, foi libertado ao nascer, por intermédio do pai. Não se sabe ao certo se sua mãe também foi libertada, nem aos cuidados de quem o jovem ficou.

Primeiros anos e formação

Seu pai, sendo carpinteiro e arquiteto, prestou diversos serviços de arquitetura para a região, inclusive para a administração pública. Entre 1729 e 1757, foi eleito Juiz de Ofício, sendo responsável pelas atividades dos demais profissionais do ramo. Em 1746, foi feito Irmão da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, destinada apenas à alta sociedade da época.

Foi com seu pai que Aleijadinho teve seus primeiros contatos com o artesanato e a arquitetura, inclusive pelas oportunidades de trabalho que para ele conseguiu graças ao prestígio adquirido pelos seus serviços como carpinteiro e arquiteto.

Mas Aleijadinho não seguiu totalmente os passos do pai, cujo enfoque maior era técnico, não estético. Optou pelos trabalhos artísticos, especialmente pelo entalhamento de retábulos em madeira. Retábulos nada mais são que estruturas de madeira colocadas acima ou atrás dos altares.

Aleijadinho também sabia ler e escrever, frequentando aulas de primeiras letras, além de ter conhecimento em latim e música. Nas aulas práticas que seu pai ministrava na cidade, bem como por meio do desenhista e pintor João Gomes Batista, com quem teve contato com uma arte mais erudita e noções de anatomia, ganhou rápido e consistente conhecimento em desenho, arquitetura e escultura. Não frequentou cursos voltados para isso, adquirindo seu conhecimento nos chamados canteiros de obras, seja na prática, seja observando os demais profissionais.

Juventude e problemas pessoais

A então chamada Vila Rica passava por um período de prosperidade e progresso na segunda metade do século XVIII, o que sem dúvida ajudou no florescimento de talentos como o de Antônio Francisco.

Seu pai, percebendo o talento do filho, logo começou a incluí-lo na execução de suas obras, a princípio como executor, mas posteriormente como colaborador, desde os quinze anos de idade.

Suas primeiras obras, entretanto, que são poucas de que se tem notícia, mostram uma atenção maior à execução dos detalhes do que ao conteúdo.

Em 1767, seu pai morre. Sendo filho bastardo, uma vez que seu pai se casara após a relação com sua mãe, ele não é contemplado no testamento. Apesar do baque emocional, Aleijadinho agora tinha independência, tendo a chance de desenvolver suas próprias ideias e seus estilos.

Em 1768, alistou-se no Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto, mas continuou a trabalhar como artista, recebendo, inclusive, importantes encomendas, como parte da fachada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e os púlpitos da Igreja São Francisco De Assis.

Em 1775, Aleijadinho teve um filho com Narcisa Rodrigues da Conceição, nascido no Rio de Janeiro, que recebeu o mesmo nome de seu pai. No ano seguinte, foi chamado para o Rio de Janeiro para tratar de assuntos relacionados à mãe de seu filho.

A doença

Em 1777, começa a sentir os primeiros sinais de uma doença que viria a assolá-lo pelo restante da vida e que viria a fazer com que ele ficasse conhecido pelo apelido “Aleijadinho”.

Não se sabe ao certo a verdadeira natureza da doença, mas alguns consideram que possa ter sido vítima de uma epidemia, de nome Zamparina, que assolou a região na época, cujos sintomas, quando o doente não perece, incluem deformidades e paralisias; já outros consideram que possa ter sofrido do na época chamado mal-gálico, ou seja, de sífilis, acompanhado de escorbuto.

Seja como for, fato é que, com o passar do tempo, Antônio Francisco perdeu todos os dedos do pé, o que o impossibilitou de andar, a não ser ajoelhado, e os dedos de suas mãos inicialmente atrofiaram-se e curvaram-se para, posteriormente, caírem, só lhe restando os polegares e indicadores, que mal tinham movimento. Acredita-se, inclusive, que ele mesmo tenha cortado alguns deles, por conta da dor, usando as ferramentas do trabalho.

A isso, somou-se a perda de todos os dentes, a boca entortou e as pálpebras inflamaram-se. Alguns historiadores da época comentam que ele chegou a perder o restante das mãos, fixando as ferramentas no antebraço, frisando que as obras por ele feitas, tão majestosas, foram produzidas por alguém sem mãos, apesar de essa informação não ser amplamente aceita.

Últimos anos e morte

A partir da década de 80, Aleijadinho começa a diminuir a frequência de trabalho, em parte pela saúde, em parte pelo fato de a região perder o ritmo de progresso, especialmente pelo esgotamento das minerações.

Aleijadinho também se tornou de personalidade nervosa e de difícil trato. Suas obras dessa época refletem o pessimismo e o lado trágico dessa sua fase, mas ganham ainda mais qualidade, especialmente pela diminuição da quantidade, o que permitiu que ele as fizesse com mais esmero. As temáticas passam por temas como a ira e o sofrimento.

No final da vida, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, morre sozinho, pobre e doente em 18 de novembro de 1814, aos 76 anos de idade.

Características e principais obras de Aleijadinho

Os estilos predominantes na obra de Aleijadinho são o Barroco e o Rococó, apesar de às vezes penderem um pouco para o estilo gótico. Nas esculturas, as figuras humanas são anatomicamente bem representadas, por mais que possuem certa deformidade, característica do Barroco.

Os principais materiais que Aleijadinho usou para esculpir foram a pedra-sabão e a madeira.

As características mais marcantes da obra de Aleijadinho, segundo o arquiteto e historiador Sílvio de Vasconcelos (1979, p.30-31) são as seguintes:

  • Posição dos pés em ângulos próximos do reto;
  • Planejamento com dobras convergindo a ângulos agudos;
  • Proporção quadrangular das mãos e unhas, com o polegar bastante recuado e alongado; o indicador e o mínimo afastados, com os dois dedos médios unidos e de igual comprimento. Nas figuras femininas, dedos afunilados e ondulados.
  • Queixo delineado em duas saliências distintas;
  • Boca entreaberta e lábios ligeiramente carnudos, bem desenhados;
  • Nariz fino e saliente, narinas bem delineadas e profundas;
  • Olhos amendoados e rasgados, com lacrimais acentuados e pupilas planas. Arcadas superciliares alteradas e iniciadas em nítidas linhas em V do nariz;
  • Bigodes nascendo das narinas, afastados dos lábios e mergulhados nas barbas; barbas recuadas das faces e dos queixos, sobre os quais se bipartem;
  • Braços curtos e um tanto rígidos, especialmente nos relevos;
  • Cabelos estilizados em rolos sinuosos estriados, terminados em volutas.

Suas principais obras como entalhador são os projetos da Igreja de São José e da Igreja Franciscana de São João del-Rei e os retábulos da Igreja de São Francisco de Assis e da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Como arquiteto, área em que pouco atuou, projetou as fachadas das igrejas de Nossa Senhora do Carmo e São Francisco e Assis.

Na escultura, atividade que mais exerceu, vale destacar as 66 estátuas da Via Sacra (ou Via Crucis ou Passos da Paixão), os Doze Profetas e Profeta Daniel.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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