Modo subjuntivo – O que é? Tempos verbais, Empregos e Exemplos

O modo subjuntivo é um dos modos verbais da língua portuguesa junto com o indicativo e o imperativo. Difere-se do indicativo especialmente por não expressar certezas, mas incertezas, possibilidades, dúvidas, desejos etc.

Confira tudo a respeito do modo subjuntivo neste artigo completo que nós, do Gestão Educacional, preparamos para você!

O que são e quais são os modos verbais?

O chamado “modo verbal” ou simplesmente “modo” é uma das propriedades do verbo, e serve, basicamente, para que o autor da oração dê alguma significação à ação que está sendo relatada, ou seja, indicando certeza, dúvida, mando, suposição em relação à ação mencionada. Confira os exemplos abaixo para compreender melhor:

(1) A terra orbita em torno do Sol.

(2) Se eu sair mais cedo, vou visitá-la no trabalho.

(3) Corra até aquela esquina!

Perceba que, nos exemplos acima, as intenções discursivas do indivíduo que as proferiu não são as mesmas: em (1), tem-se a certeza de que a Terra orbita em torno do Sol; em (2), o sujeito não sabe com certeza se sairá mais cedo do trabalho; já em (3), o sujeito está dando uma ordem para alguém, e possivelmente espera que ela seja cumprida.

Temos, nessas três orações, os três modos verbais da língua portuguesa: o indicativo (1), o subjuntivo (2) e o imperativo (3). O indicativo é responsável por indicar um fato, ou seja, uma ação que é certa, ou que seja ao menos factível. O imperativo, como vimos, é usado para se expressar ordens, pedidos, desejos etc.

O subjuntivo, por sua vez, que é o que veremos neste artigo, ao contrário do indicativo, não é usado para indicar certezas, e sim incertezas, dúvidas, eventualidades, irrealidades etc.

Convém mencionar ainda que a língua portuguesa ainda conta com outros modos, as chamadas formais nominais, que, embora também envolvam verbos, exercem, em suas formas nominais, papel de substantivo nas orações. São formas nominais do português o infinitivo, o gerúndio e o particípio.

O que é o modo subjuntivo?

Como vimos, o modo subjuntivo é usado para se expressar ações incertas, duvidosas, eventuais, desejáveis, irreais etc.

O modo subjuntivo é frequentemente utilizado em orações subordinadas, ou seja, dependentes de outras. Isso porque o próprio nome “subjuntivo” deriva do latim “subjunctivus”, que quer dizer “que serve para ligar/subordinar”, também significado de “conjunctivus”, que faz com que o modo subjuntivo seja chamado, no português de Portugal, de “modo conjuntivo”.

Recuperando o exemplo citado anteriormente, é fácil visualizar isso:

(4) Se eu sair mais cedo, vou visitá-la no trabalho.

Temos duas orações neste exemplo (4): “se eu sair mais cedo”, a qual chamaremos de A, e “vou visitá-la no trabalho”, a qual chamaremos de B. A oração B é a oração principal, pois ela poderia ser pronunciada de maneira independente. Já B, não poderia, pois não possui significado completo, ou seja, é dependente de outra.

A oração A, portanto, é uma oração subordinada. Há vários tipos de orações subordinadas; nesse caso, trata-se de uma oração subordinada condicional, pois delimita uma circunstância de condição para que a ação da oração principal (a oração B) ocorra: o sujeito só irá visitar a pessoa a quem está se referindo SE ele sair mais cedo. Essa condição é imposta pelo uso da conjunção “se”.

Neste caso (5), o verbo destacado está no futuro do presente do indicativo, indicando uma ação que certamente acontecerá — ou que possui chances reais de acontecer, a menos que algo externo aconteça e o impeça de sair mais cedo.

Porém, ele também é empregado em verbos das chamadas orações absolutas, mais conhecidas como orações principais. Nesse caso, faz-se uso de outras maneiras de indicar o significado de dúvida, incerteza etc., como no exemplo abaixo, em que se usou o advérbio “talvez”:

(5) Guilherme talvez fosse à festa de Fernanda.

Em (5), não temos uma oração subordinada, mas apenas uma oração principal. Ainda assim, não sabemos ao certo se Guilherme vai ou não à festa de Fernanda, sendo ambas as possibilidades (a de ir e a de não ir) possíveis.

Convém reforçar que o subjuntivo indica ações que não acontecerão com certeza. No exemplo (5), seria diferente, por exemplo, se disséssemos:

(6) Guilherme vai à festa de Fernanda.

Neste caso (6), o verbo principal está conjugado no presente do indicativo. Com isso, temos a certeza de que o sujeito, Guilherme, comparecerá à festa de Fernanda — a menos que algo externo aconteça e o impeça de ir, mas isso não está especificado na oração.

Tempos verbais do subjuntivo

São os seguintes os tempos verbais do modo subjuntivo:

  • Presente do subjuntivo, podendo indicar um fato no presente ou no futuro, apesar do nome;
    • Torço para que meu time ganhe.
  • Pretérito imperfeito do subjuntivo, podendo indicar um fato do passado, do presente ou do futuro;
    • Se eu estivesse cansado, não estaria aqui.
  • Pretérito perfeito do subjuntivo, podendo indicar um fato do passado (supostamente já concluído) ou do futuro;
    • É impossível que vocês já tenham lido o livro.
  • Pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo, podendo indicar uma ação anterior a outra já passada ou uma ação irreal no passado;
    • Se você tivesse chegado mais cedo, poderíamos ter ido ao cinema.
  • Futuro do subjuntivo (simples), indicando eventualidades num tempo futuro, aparecendo em orações subordinadas adverbiais e adjetivas;
    • Quando puder, mande-me uma mensagem.
  • Futuro do subjuntivo (composto), indicando um fato futuro terminado antes do início de outro (também futuro);
    • Se você já tiver terminado suas obrigações, ajude-me com o meu dever de casa.

Principais empregos do subjuntivo

O subjuntivo é empregado especialmente nos seguintes contextos:

  • Para se exprimir um desejo:
    • Que voltem antes do entardecer!
  • Para se exprimir uma hipótese/possibilidade:
    • Se você estiver livre no fim de semana, topa ir ao cinema?
  • Para se exprimir uma dúvida:
    • Quem sabe talvez ela me notasse
  • Para se exprimir uma ordem na terceira pessoa:
    • Que a festa comece!
  • Para se exprimir uma exclamação, geralmente de maneira indignada;
    • Pois que sejam felizes!
  • Para se exprimir uma vontade;
    • Não quero que me leve a mal.
  • Para se exprimir um sentimento/uma apreciação em relação ao que se diz;
    • Queria que tu fosses diferente;
  • Para se delimitar uma condição:
    • Se eu tivesse mudado de emprego, estaria melhor de vida.
  • Para se exprimir uma ação passada ocorrida anteriormente a outra também passada;
    • Se você estivesse melhor, poderíamos ter ido viajar.
  • Para se exprimir uma ação futura no possível (podendo-se utilizar, também, para gerar uma condição);
    • Se você estiver melhor no fim de semana, vamos viajar?

Referências utilizadas neste conteúdo: CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lekixon, 2017.ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.
Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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