Morfologia – O que é? Formação e Divisão das palavras

A língua portuguesa, assim como todas as outras línguas do mundo, é articulada. Isso significa dizer que os enunciados que os falantes criam não são uma coisa só, indivisível, mas sim que eles podem ser desmembrados em unidades menores.

Nesse sentido, uma oração é um conjunto de palavras, uma palavra é um conjunto de morfemas e os morfemas são um conjunto de sons. Há áreas da linguística responsáveis pelo estudo de cada uma dessas relações.

Neste artigo, trataremos do estudo da combinação de morfemas para a formação de unidades maiores: palavras. Trataremos, portanto, da morfologia.

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Morfologia

O que é morfologia?

Bem, depende. A morfologia é o estudo das formas, da configuração, da classificação, da estrutura. Mas, ela pode dizer respeito a uma série de ciências. Por exemplo, para a biologia, morfologia é o estudo da forma de um organismo ou de parte dele. Para a geologia, é o estudo da superfície terrestre.

Já para a linguística, que é o que nos interessa agora, morfologia é o estudo da estrutura e da formação das palavras. É essa a área da linguística responsável pelo estudo da formação e classificação das palavras, como veremos.

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Como as palavras são formadas?

As palavras são unidades menores que as frases e maiores que os fonemas. Entretanto, a divisão não termina aí: podemos “quebrar” as palavras em unidades menores que elas e maiores que os fonemas: os morfemas.

Por exemplo, peguemos o verbo andava. Se compará-lo com anda, podemos perceber que um “pedacinho” a mais foi acrescentado à palavra. Esse “pedacinho”, que possui um significado próprio, como veremos, é o famigerado morfema.

  • Anda;
  • Andava.

Se buscarmos o que mudou de um verbo para o outro, perceberemos que, no primeiro caso, anda, o verbo está na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Já no segundo, andava, o verbo está no pretérito perfeito do indicativo. O morfema -va, portanto, é o responsável por indicar esse tempo verbal.

Essa foi uma pequena explicação, de caráter introdutório, para que você se familiarize com a ideia dos morfemas. O estudo, entretanto, é muito mais aprofundado e envolve conceitos como raiz, radical, desinência, vogal temática, tema e afixos. Isso, veremos em outro artigo. Cabe à morfologia estudar essa formação de palavras por meio dos morfemas.

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Além disso, a maneira como os morfemas se juntam ao radical (a base da palavra) também é de interesse da morfologia. Os processos de formação de palavras da língua portuguesa são:

  • Derivação (prefixal, sufixal, parassintética, regressiva, imprópria);
  • Composição (por aglutinação ou por justaposição);
  • Hibridismo;
  • Redução/abreviação;
  • Onomatopeias;
  • Siglas;
  • Hipocorísticos;
  • Braquissemia.

Morfologia

Divisão das palavras em classes

Outro estudo que compete à morfologia é a divisão das palavras em classes. São dez as classes de palavras da língua portuguesa. Vejamos cada uma delas:

  • Substantivo: é o tipo de palavra usada para se nomear os seres em geral, as qualidades, as ações ou os estados. Podem ser classificados como comum ou próprio; concreto ou abstrato; simples ou composto e primitivo ou derivado.

Exemplos: Livro, chuva, fada, tristeza, gato, vida, adoração, São Paulo, etc.;

  • Artigo: é uma partícula que antecede os substantivos. Colocar um artigo antes de palavras de outras classes, expressões ou até mesmo frases faz com que elas se tornem substantivos. Podem ser definidos (o, a, os, as) ou indefinidos (um, uma, uns, umas).

Exemplos: O carro; A menina; O andar da carruagem; Um cientista; Uns garotos, etc.;

  • Adjetivo: adjetivo é o tipo de palavra que caracteriza e restringe o significado de um substantivo, acrescentando-lhe características, detalhes, atributos, estados, aspectos, etc.

Exemplos: Bonito; Honesto; Forte; Rápido; Perecível; Instruído, etc.;

  • Numeral: é a classe de palavra que designa os números, a quantidade de alguma coisa ou a posição que algo está ocupando. Pode ter tanto valor substantivo (como “um e dois são cinco”) quanto adjetivo (como “três carros”, “quinto turista da fila”);
  • Pronome: é a classe de palavra responsável por indicar as pessoas do discurso, ou seja, o indivíduo que fala, o indivíduo com quem se fala ou o indivíduo ou a coisa de que se fala. Podem ser: pessoais (eu, nós, vós…), possessivos (meu, minha, deles…), demonstrativos (isso, este, aquilo…), indefinidos (algum, quem, onde…), relativos (que, quem, cuja…) ou interrogativos (quem, quantos, …);
  • Verbo: é uma das principais classes de palavras. É uma palavra variável que exprime o que se passa, ou seja, um acontecimento representado no tempo. Varia em modo, tempo, número, pessoa e voz.

Exemplos: Correr; Voava; Andou; Trocara, etc.;

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  • Advérbio: é a classe de palavra responsável por modificar o sentido do verbo, indicando as circunstâncias da ação. Podem, também, ligar-se a adjetivos ou a outros advérbios.

Exemplos: Correr rapidamente; Voava graciosamente; Andou saltitando; Trocara imediatamente, etc.;

  • Preposição: São palavras que ligam dois termos da oração, subordinando um ao outro. Dividem-se em essenciais (a, de, após, etc.) e acidentais (durante, conforme, etc.

Exemplos Casa da Maria; Temente a Deus; Viajou para São Paulo, etc.;

  • Conjunção: são palavras que relacionam duas orações ou termos da mesma oração. Podem ser coordenativas (aditivas, adversativas, alternativas, etc.) ou subordinativas (causais, consecutivas, concessivas, etc.).

Exemplo: Andou e tropeçou; você está cansado, logo, deveria descansar;

  • Interjeição: são palavras que exprimem emoções e sentimentos repentinos.

Exemplo: Ai, machuquei meu pé!; Cuidado!;


Referências utilizadas neste conteúdo:

CUNHA, Celso. Novo gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.
KEHDI, Valter. Morfemas do português. 2. ed. São Paulo: Ática, 1993.
ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. 33. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.


Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de literatura, língua portuguesa e do seu gato.

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