O que estuda a História? Formação, Períodos e Correntes históricas

História é uma disciplina científica que, dentro das chamadas Ciências Humanas, estuda as ações do ser humano no tempo e no espaço. Tal estudo é feito por meio de uma análise crítica dos vestígios deixados pelas sociedades, tanto do passado como do presente, tais como, documentos, história oral, vestígios arqueológicos, etc.

Formação e fontes

História

Aquele que estuda e escreve sobre história de uma maneira metódica e científica é chamado de historiador. Para isso, é necessária uma formação acadêmica na área. O historiador é, portanto, uma autoridade no assunto.

O ofício desse profissional consiste em definir um objeto de estudo e interpretá-lo com o propósito de esclarecer algo a respeito de seu processo de formação, consequências, etc.

Para isso, é preciso recorrer às chamadas fontes de informação, tais como documentos históricos, vestígios arqueológicos, fontes orais, entre outras.

[CONFIRA TAMBÉM: O QUE ESTUDA A SOCIOLOGIA?]

Períodos históricos

Os acadêmicos costumam dividir o período histórico em Pré-história (período anterior ao surgimento da escrita) e História (após o surgimento da escrita). A história, por sua vez, costuma ser dividida, de forma geral, entre:

  • Antiguidade, que vai do surgimento da escrita (por volta de 4.000 a.C.) até a queda do Império Romano, em 476 d.C.;
  • Idade Média, de 476 d.C. até a queda do Império Bizantino, em 1453 d.C.;
  • Idade Moderna, da queda do Império Bizantino até a Revolução Francesa;
  • Idade Contemporânea, da Revolução Industrial até os dias de hoje.

Não há consenso a respeito de qual evento marca a transição entre a Idade Moderna e a Contemporânea, pois, enquanto alguns historiadores consideram a Revolução Industrial, outros consideram a Revolução Francesa.

História

Ciência histórica

A palavra história vem do grego, e pode ser traduzida como “pesquisa”. Também é utilizada para definir o conjunto de informações produzidas pelos seres humanos em todo o tempo.

Heródoto, as crônicas e os épicos apenas narravam os fatos como eles supostamente tinham acontecido e, frequentemente, adicionavam novos elementos na história, como a atuação de heróis invencíveis ou a intervenção de deuses. Heródoto foi o primeiro a perceber que as narrativas podiam ser utilizadas para revelar aspectos do comportamento humano. Por esse fato, Heródoto é conhecido como “o pai da história”.

Tulcídides, autor grego contemporâneo de Heródoto, por sua vez, foi o primeiro a aplicar métodos científicos, como o cruzamento de dados, e, principalmente, primar pela imparcialidade diante dos fatos.

Durante a Roma Antiga, vários autores fizeram registros primorosos da sociedade romana, tais como Tito Lívio, Tácito, Cícero e Suetônio, bem como Gregório de Tours e Isidoro de Sevilha, já no período medieval, entre outros.

Porém, esses relatos, e o de muitos outros, não estavam imunes à parcialidade, aos interesses ou às concepções próprias que pudessem mascarar os fatos e proporcionar um entendimento errado deles.

Não havia ainda regras para o fazer histórico, que só começariam a surgir quando a História passou a ser considerada científica, entre o final do século XVIII e início do século XIX.

História

[CONFIRA TAMBÉM: O QUE ESTUDA A FILOSOFIA?]

Correntes históricas

A história é uma ciência em movimento, formada por diferentes perspectivas e abordagens. Nesse sentido, ao longo do tempo, várias correntes históricas se formaram, sendo algumas delas:

Positivismo

O positivismo histórico, surgido na primeira metade do século XIX, tinha como característica a neutralidade do historiador, que deveria ser objetivo e retratar os fatos sem analisa-los, pois, para eles, o conhecimento se explica por si mesmo.

Essa corrente defendia apenas o uso de fontes escritas no processo de fazer história.

Embora dominante por longo tempo, os positivistas foram muito criticados por serem considerados meros coletores de informações, retirando do homem a possibilidade de um pensamento crítico.

Um dos grandes nomes dessa corrente foi o francês Fustel de Coulanges.

Materialismo histórico

Karl Marx e Engels elaboraram sua metodologia a partir do estudo da economia das sociedades. A forma como os meios de produção está organizada define os outros aspectos sociais. Mudando os meios de produção, todos os outros aspectos mudam junto.

Escola dos Annales

Essa corrente surgiu na França, a partir de um periódico acadêmico fundado em 1929 por Marc Bloch e Lucien Febvre. Essa corrente trouxe inovações ao campo da história, em oposição à história narrativa (e política) então predominante.

Os Annales introduziram a chamada história problema, ou seja, a pesquisa histórica precisa responder um problema, uma pergunta que vai nortear o trabalho do historiador.

Também ampliaram as possibilidades, trabalhando com diversas fontes históricas, ao contrário dos historicistas, que procuravam trabalhar apenas com fontes escritas.

Os Annales também foram pioneiros ao dialogar com outras disciplinas, tais como Filosofia, Sociologia e Geografia. Entre os grandes nomes dessa corrente estão Marc Bloch, Fernand Braudel e Jaques Le Goff.

Conclusão

O conhecimento histórico é fundamental para entender o passado, e, consequentemente, o presente. É importante ressaltar que a história não trabalha com o conceito de verdade. O que existe são interpretações sobre os fatos históricos a partir da análise das fontes.

Dois historiadores utilizando as mesmas fontes, debruçados sobre o mesmo objeto histórico podem chegar a conclusões diferentes. Por isso mesmo, a História é mutável e dinâmica, está sempre em movimento e aberta a revisionismo, desde que devidamente embasado em fontes e endossado pela maior parte dos acadêmicos.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Conheça Mais Sobre o Autor

Deixe seu Comentário

WebGo Content