Patriarcado – O que é? Características e Patriarcado no Brasil

Pode-se dizer que todo o mundo tem o conceito do patriarcado enraizado em suas práticas do dia a dia, o que desnivela as relações entre homens e mulheres e deixa o sexo feminino em condição inferior na sociedade. O patriarcado está conectado a décadas, séculos, milênios de formação cultural da humanidade que tem no homem o elemento central e a mulher girando em torno dele.

Hoje em dia, essa forma de ver e viver o mundo tem sido bastante questionada, destacando a importância das mulheres em vários campos da sociedade e de como pode ser pernicioso e prejudicial o patriarcado para a evolução humana. Para colocar em melhor entendimento, abordaremos de forma clara o patriarcado e demais conceitos que dialogam com essa questão, além de tratar desse assunto no Brasil.

O que é patriarcado?

Em linhas gerais, o patriarcado deve ser compreendido como uma instituição social que é caracterizada pela dominação masculina nas instituições familiares, sociais, políticas e econômicas das sociedades contemporâneas. Trata-se de uma valorização do poder dos homens em relação às mulheres, tendo como base mais as diferenças culturais do que as distinções biológicas entre os dois sexos. Ou seja, as mulheres são colocadas em situação inferior perante os homens, o que afeta o desenvolvimento de suas carreiras, seus ganhos financeiros, seus relacionamentos sociais e familiares etc.

De acordo com especialistas no campo das teorias feministas, o patriarcado seria somente uma forma a mais de manifestação de dominação historicamente masculina, que corresponderia a uma maneira específica de organização política, ligada ao absolutismo. No entanto, apesar do passar do tempo e das mudanças nas instituições patriarcais, a dominação masculina continuaria ocorrendo na sociedade atual.

“A raiz do patriarcado é a ‘propriedade’ do homem sobre a mulher, a sua pretensão de considerá-la e o poder de fazer dela uma coisa ‘sua’. Sobre ela, modelaram-se todas as outras formas de propriedade que acompanharam a sucessão das civilizações: sobre os animais domesticados, sobre os campos, sobre as pastagens e as florestas, sobre os escravos, sobre os edifícios, sobre o dinheiro, sobre os meios de produção, sobre o conhecimento, sobre o genoma: todas formas de acumulação daquilo que é fecundo ou considerado como tal, daquilo que ‘produz’ ou promete produzir”, escreve o sociólogo e escritor italiano Guido Vale, no texto A raiz do patriarcado e o conceito de propriedade privada.

Patriarcado no Brasil

O Brasil é um país totalmente fundamentado no patriarcado. Um exemplo disso está num recente estudo feito pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com o apoio da ONU Mulheres, que mede a tolerância da nossa sociedade em relação à violência contra as mulheres. Conforme o texto divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2014, os brasileiros ainda têm uma visão de família nuclear patriarcal, em que o homem é visto como o chefe da família e a esposa deve se comportar conforme determina o modelo patriarcal, “dando-se o respeito”.

Apesar de se mostrarem contra a violência contra as mulheres, muitos dos pesquisados afirmaram que as próprias mulheres são responsáveis pelas agressões, já que elas usam “roupas provocantes”, ou então estariam se comportando de maneira inadequada. Conforme a pesquisa, “por maiores que tenham sido as transformações sociais nas últimas décadas, com as mulheres ocupando os espaços públicos, o ordenamento patriarcal permanece muito presente em nossa cultura e é cotidianamente reforçado, na desvalorização de todas as características ligadas ao feminino, na violência doméstica, na aceitação da violência sexual”.

E isso nos remete à História, em especial à colonização do Brasil, que originou o modelo patriarcal de nossa família. Nele, a figura central é o pai, que é o chefe familiar e também responsável pela administração de todos os aspectos econômicos e sociais daquela família, incluindo suas influências e relações de poder. Esse modelo foi formado sob influência cultural portuguesa, sendo que as raízes ibéricas estavam fortemente conectadas com o passado medieval da Europa, além da influência muçulmana, muito absorvida por Portugal devido aos tempos de invasão moura.

E a própria formação do Brasil, com as capitanias hereditárias, comandadas por famílias portuguesas que passavam o poder e o controle das terras de pai para filho, também fortaleceu esse modelo patriarcal. Vale dizer que esse patriarcado acabou se conectando fortemente a um patrimonialismo centrado na ampliação das riquezas e no uso do Estado para o benefício das elites, em que o público e o privado acabam se confundindo.

Conclusão

Como demonstrado neste artigo, o patriarcado reforça a dominação do homem em relação à mulher. Ao longo da história esse processo se tornou complexo e sofisticado, mesmo com as inúmeras mudanças ocorridas na humanidade, que, se evoluiu em muitos aspectos, ainda sofre forte resistência nesse quesito, mantendo o domínio do sexo masculino.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

Conheça Mais Sobre o Autor

Deixe seu Comentário

WebGo Content