Princesa Leopoldina – Quem foi? Biografia e Feitos

Maria Leopoldina de Áustria foi a primeira esposa do Imperador Dom Pedro I e, portanto, primeira Imperatriz do Brasil.

Mãe de Dom Pedro II, ela teve grande participação no processo que levou o país a se tornar independente de Portugal, além de ser uma grande incentivadora da arte e das ciências naturais.

Biografia de Leopoldina

Leopoldina

Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena nasceu em Viena, em 1797. Era filha de Francisco I, último imperador do Sacro Império Romano-Germânico, e de Maria Teresa das Duas Sicílias.

A família de seu pai, os Habsburgo, era uma das nobrezas mais antigas e poderosas da Europa. Do lado da mãe, a descendência vinha do ramo espanhol da família Bourbon.

A menina cresceu em uma das cortes mais poderosas da Europa e recebeu, desde a infância, uma educação primorosa, que incluía artes, línguas, história, música e matemática, entre outras disciplinas. Desde pequena, demonstrava interesse nas ciências naturais, especialmente botânica e mineralogia.

Seu casamento, como quase sempre acontecia nesse contexto, foi político. Dom João escolheu como esposa para o filho alguém oriunda de uma das famílias mais poderosas da Europa, constituindo uma importante aliança.

Com a derrota de Napoleão, em 1815, Marquês de Marialva vai até Paris, a mando de Dom João VI, Rei de Portugal, para tratar das reparações de guerra por parte da França. Essa era uma de suas missões, a outra era encontrar uma esposa para o príncipe Dom Pedro I.

Após o acordo firmado, o casamento ocorre em Viena, em 13 de maio de 1817, por procuração, com o tio de Leopoldina representando o noivo, que se encontrava no Brasil. Leopoldina chegou ao Brasil em 5 de novembro, após 5 meses de viagem. O jovem casal se instalou em uma casa nas imediações da Quinta da Boa Vista

Princesa regente e imperatriz

Leopoldina3

Em 1821, em meio a um clima de descontentamento da população, a família real teve que voltar para Portugal, devido à Revolução Liberal do Porto, deixando Dom Pedro I como príncipe regente do país.

Já havia, neste momento, uma vontade de separação entre Brasil e Portugal. Leopoldina, já apaixonada pelo país, abraçou a causa dos brasileiros. Em agosto de 1822, Dom Pedro I viaja a São Paulo para tentar apaziguar os ânimos exaltados da capitania, ocasião em que a princesa exerceu a regência do reino.

Ela então recebe a notícia de que Portugal exigia a volta do príncipe. Aconselhada por José Bonifácio, Leopoldina envia, ao príncipe, uma carta com as notícias da corte, e aconselha o marido a proclamar a Independência do Brasil, em 7 de setembro. Assim, foi aclamada imperatriz, junto à coroação do marido, no dia 1 de dezembro de 1822.

Morte de Leopoldina

Leopoldina2Apesar de seu apoio ao marido nas questões políticas, o casamento deles nunca foi de todo harmônico. Dom Pedro I era conhecido por seus casos amorosos, e um, em especial, com Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, afetou bastante a imperatriz.

Após conhecer a marquesa, o imperador passou a ignorar a imperatriz, sempre deixada em segundo plano. O marido demonstrava, em público, todo o seu afeto para com Domitila, o que deixava a imperatriz profundamente humilhada e deprimida. Além disso, uma gravidez complicada, finalizada com um aborto espontâneo, ajudou a agravar ainda mais a saúde de Leopoldina. A imperatriz morreu em 11 de dezembro de 1826.

A morte dela é, até hoje, motivo de debate, pois foi, segundo alguns especialistas, resultado de uma possível agressão por parte de Dom Pedro I. Esse ato teria sido após uma discussão entre os dois, provavelmente motivada pelo romance do imperador com a Marquesa de Santos.

A exumação, feita pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, em 2012, não identificou nenhuma fratura, algo que se esperava no caso de agressão. Outro ponto é uma possível doença contraída pela imperatriz, da qual até hoje não se sabe ao certo se existia ou não.

Principais feitos

Há um debate entre os historiadores a respeito da real participação da princesa no processo de independência. Estudos recentes têm mostrado que a imperatriz, graças à sua educação, não só demonstrava grande interesse pelos assuntos políticos e administrativos, como estava preparada a tomar decisões.

Um grande exemplo é o Dia do Fico (9 de janeiro de 1822), na qual Dom Pedro desrespeita a ordem da corte portuguesa para retornar a Portugal, em grande parte, por sua influência. A imperatriz, dado o contexto político do Brasil naquele momento, sabia que a saída do príncipe poderia resultar na perda irreversível do território, e na consequente fragmentação do país em várias repúblicas, como aconteceu com os demais países na América espanhola.

Além disso, em sua viagem ao Brasil, Leopoldina trouxe artistas, cientistas, naturalistas e pintores, tais como Johann Spix, Carl von Martius e Thomas Ender, que produziram estudos importantes e que se tornaram referência obrigatória para a compreensão do Brasil daquele período.


Referências utilizadas neste conteúdo:

Gomes, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram dom Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado. Globo Livros. 2010.
Rezzutti, Paulo. D. Leopoldina, a história não contada: A mulher que arquitetou a independência do Brasil. Leya. 2017.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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