Reconquista Ibérica – Antecedentes, Independência de Portugal e Surgimento da Espanha

O termo reconquista ibérica faz referência ao processo de reconquista da Península Ibérica por parte dos reinos cristãos, dos territórios que estavam nas mãos dos muçulmanos.

Esse longo processo, que vai do século VIII ao século XV, terminou com a expulsão definitiva dos muçulmanos em 1492, e teve, como consequências, o surgimento de Portugal e Espanha como países independentes.

Antecedentes

Como fim do Império Romano, em 476, vários reinos de origem germânica surgiram, aproveitando o vácuo de poder deixado pelos romanos. Um desses reinos foi o Reino dos Visigodos. 

Esse povo germânico fundou um grande reino, que ia da parte central da Gália (atual França), até o sul da Península Ibérica. A parte gaulesa do reino caiu em 507, conquistada pelos Francos. O restante do reino, restrito à Península Ibérica, tinha sua capital na cidade de Toledo.

Em 710, morre o rei visigodo Vitiza. A monarquia visigoda, ao contrário da maioria dos outros reinos europeus, era seletiva. Dessa forma, os nobres escolhem como novo rei Rodrigo, causando indignação em Ágila, filho do rei morto, e uma guerra civil entre os dois pretendentes se inicia. Os partidários de Ágila solicitam ajuda a Tariq, governador muçulmano do norte da África, que invade a região e derrota Rodrigo em 711, na Batalha de Guadalete.

Mas, ao invés de colocar Ágila no poder, os muçulmanos começam a conquistar toda a região. Era o fim do reino visigodo e o início do período de dominação muçulmana na Península Ibérica.

Início da reconquista

Após a morte do rei Rodrigo, um grupo de nobres visigodos, liderados por Pelágio, foge para o norte do país, buscando refúgio em uma região montanhosa chamada de Astúrias. Lá, Pelágio organiza uma resistência ao domínio muçulmano. Em 722, Pelágio e seus homens derrotam os árabes da chamada Batalha de Covadonga, considerada como a primeira batalha da Reconquista. Como resultado, surge o Reino das Astúrias, primeiro reino cristão na Península Ibérica após a conquista muçulmana.

A partir disso, contando com a proteção de áreas montanhosas do Norte, e com a fragmentação dos califados árabes envolvidos em disputas internas, novos reinos cristãos vão surgir, tais como Leão, Navarra, Galícia, Aragão e Castela, aumentando a pressão sobre os árabes e alargando o território cristão.

Esses vários reinos vão, ao longo do tempo, moldar alianças e uniões por meio de casamentos, de modo que, por volta de 1070, Afonso VI já era rei de Castela, Leão e Galícia, que em breve seriam unificados.

Independência de Portugal

Em 1094, Dom Henrique, irmão do Duque de Borgonha e parente do rei da França, recebe a mão de Dona Teresa, filha ilegítima de Afonso VI, tendo como dote o governo do condado portucalense, que naquele momento fazia parte do Reino da Galiza.

Após sua morte, sua esposa assume o comando do condado, dado que Afonso Henriques, seu filho, tinha apenas três anos na ocasião. Aliando-se posteriormente a um nobre da Galícia chamado Fernão Peres de Trava, a rainha Teresa passou a ser mal vista pela nobreza do condado, que já intencionava a independência.

Quando Afonso Henriques fez dezoito anos, rompeu definitivamente os laços com a mãe, iniciando um período de revoltas que vai culminar com sua ascensão como o primeiro rei de Portugal, garantindo, assim, a independência do reino em 1139.

Com a independência garantida, os portugueses trataram de alargar seu território, travando várias batalhas contra os muçulmanos, que foram expulsos definitivamente por volta de 1249.

A reconquista e o surgimento da Espanha

O restante da península continuou sendo alvo de disputas entre árabes e católicos, principalmente por parte de Castela, que se tornou o principal centro de poder, com vários casamentos e outros reinos sendo incorporados.

Por volta do início do século XIII, mais da metade da península já havia sido conquistada, restando apenas dois grandes califados: os de Córdoba e Granada.

Córdoba já vivia uma espécie de desintegração administrativa, após um golpe de estado, em 1009. Como resultado, o califado se dividiu em várias taifas, ou seja, pequenos principados, dentro do território. Essa fragmentação diminuiu gradativamente as forças do califado, facilitando as ações dos reinos cristãos, que empreenderam, entre os anos de 1210 e 1250, vários ataques ao território, que finalmente foi conquistado.

Por fim, o Reino de Granada, último remanescente da conquista muçulmana iniciada em 711, foi reconquistado em 1491, dando fim a um período de 773 anos de lutas pela retomada do território. Com exceção de Portugal, todos os outros reinos se uniram para a formação de uma única nação, a Espanha.

Referências utilizadas neste conteúdo: Burns, Edward Mcnall. História da Civilização Ocidental, Vol I. Editora Globo. 1969.Rucquoi, Adeline. História Medieval da Península Ibérica. Editorial Estampa, 1995.
Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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