Reino Franco – O que foi? Quem são os Francos? Dinastias francas

O fim do Império Romano representou uma ruptura nas estruturas sociais da Europa Antiga, deixando um grande vazio de poder. Além disso, o evento também representa o fim da Antiguidade e o início da Idade Média.

Aproveitando o fim do grande império, vários povos de origem germânica, muitos já a algum tempo vivendo dentro do território romano, trataram de preencher esse vazio e consolidar sua posição. Um dos mais importantes reinos que surgiram foi o Reino Franco.

Quem eram os Francos?

Os Francos eram uma tribo germânica que vivia no Norte da Germânia (atualmente Alemanha). Esse povo foi gradualmente se deslocando pelo norte da Europa, até se tornar federado dos romanos, por volta de 382.

Os francos auxiliaram os romanos em várias guerras contra outros povos (inclusive germânicos) que tentavam penetrar no território romano, e tiveram participação decisiva em 451, na luta contra os Hunos, que, chefiados por um guerreiro conhecido como Áttila, invadiram a Gália.

Dinastias francas

Os Merovíngios

Após a queda do último imperador romano, Rômulo Augusto, os francos, já bem estabelecidos na Gália, começam a defender sua posição, com a coroação de Clóvis como rei, em 481.

Clóvis era neto de um nobre franco chamado Meroveu, figura da qual não se pode comprovar a existência, dada a falta de fontes a seu respeito. O fato é que a primeira dinastia de monarcas francos ficou conhecida como Dinastia Merovíngia, em homenagem ao avô de Clóvis.

Clóvis, que por influência de sua esposa Clotilde, converteu-se ao cristianismo, expandiu seu reino derrotando Siágrio, rei de Soissons, em 486, e os visigodos em 507, na Batalha de Vouillé. Até sua morte, em 511, Clóvis havia sido o responsável pela unificação das tribos francas e pela conquista de grande parte da Gália.

Os Carolíngios

A dinastia merovíngia continuou firme no poder até a morte de Dagoberto I, em 639. A partir daí, uma série de reis incapazes permitiu o crescimento dos “prefeitos do palácio”, cargo de altíssima importância, pois o ocupante era o responsável por administrar a casa real. Com o tempo, os prefeitos do palácio se tornaram muito poderosos, exercendo, de fato, o poder dentro do reino.

Um dos mais famosos nobres a ocupar esse cargo foi Carlos Martel, responsável por derrotar os árabes na Batalha de Poitiers, em 732, batalha esta que impediu que os árabes expandissem seu domínio para a França, ficando restritos à Península Ibérica. O filho de Carlos, Pepino, destronou o último rei merovíngio e assumiu a coroa, em 751, dando início à Dinastia Carolíngia, que recebeu esse nome em homenagem ao seu filho, Carlos Magno.

Carlos Magno é um dos reis mais famosos e importantes da história europeia. Logo após assumir o trono, em 768, tratou de expandir o reino ainda mais. Conquistou boa parte da Alemanha atual, a Aquitânia, no sul da França, derrotou os Lombardos no norte da Itália, devolvendo ao papa várias dos territórios que haviam sido tomados, e ainda atacou os árabes na Península Ibérica.

A influência de Carlos Magno era imensa em todo o continente. No ano 800, o papa Leão III, em agradecimento aos carolíngios pela defesa contra os Lombardos, coroou Carlos como Imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Os reis francos tinham o costume de dividir o reino entre os filhos. Isso gerava uma série de conflitos entre os herdeiros, que, na maioria das vezes, não concordavam com a divisão e acabavam lutando entre si, na tentativa de conseguir mais poder. Quando Carlos Magno morreu, o reino ficou para seu filho, Luís, que, por sua vez, teve o reino dividido entre seus filhos da seguinte forma, pelo Tratado de Verdum:

  • Carlos, o Calvo, ficou com a chamada Frância Ocidental, que dará origem à França atual;
  • Luís, o Germânico, ficou com a Frância Oriental, território que dará origem à futura Alemanha;
  • Lotário ficou com a chamada Frância Central, também conhecida como Lotaríngia.

Os Capetíngios

Com a morte do último rei carolíngio, Luís V, sem descendentes, Hugo Capeto, conde de Paris, é coroado como novo rei, em 987, dando origem à Dinastia Capetíngia.

Muitos historiadores consideram a coroação de Hugo Capeto como o evento que deu início à França moderna. Como conde de Paris, Hugo transformou a cidade em seu centro de poder, iniciando um longo processo de controle do resto do país. Além disso, os capetíngios governaram a França de forma direta até 1328. Depois, o reino foi regido por ramos colaterais da dinastia.

Referências utilizadas neste conteúdo: Favier, Jean. Carlos Magno. Estaçao Liberdade. 2004.Le Goff, Jaques. As raízes medievais da Europa. Editora Vozes. 2006.
Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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