Guerra do Paraguai – O que foi? Resumo e Consequências

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito bélico ocorrido na América do Sul. Nele, Brasil, Argentina e Uruguai formaram uma aliança para lutar contra os exércitos do General Francisco Solano López, ditador do Paraguai, após a invasão de seu exército em território brasileiro e argentino.

Guerra do Paraguai

Antecedentes

O século XIX foi um século de revoluções para a América do Sul. A luta dos sul americanos contra a monarquia espanhola foi longa e sangrenta. À medida que as várias regiões do Império espanhol, extremamente fragmentado, conquistavam a independência, novos conflitos começavam.

Rivalidades dentro e fora de cada país, disputas por territórios e fronteiras, ódio e desconfiança marcaram de forma intensa o último terço do século.

Causas do conflito

Em 1852, chegava ao fim a Guerra do Prata, na qual o Brasil venceu Juan Manuel de Rosas, general argentino que tentava anexar o Uruguai. Apesar do fim do conflito, a região continuava extremamente tensa.

Na Argentina, havia um conflito entre os federalistas, comandados por Justo José Urquiza, e os unionistas, comandados por Bartolomé Mitre. No Uruguai, o conflito era entre o Partido Blancos, conservador, e o Partido Colorado, liberal.

O Paraguai, do general Francisco Solano López, buscando se posicionar como potência regional, tentava aumentar seu alcance comercial, apoiando os blancos do Uruguai, pois esses lhe permitiriam utilizar o porto de Montevidéu para escoar seus produtos. A intervenção brasileira no conflito, ao lado das forças coloradas, afetava diretamente os interesses de López.

Além disso, Paraguai e Brasil tinham questões não resolvidas a respeito das fronteiras entre os dois países, e o clima de tensão entre eles era grande. Com seus planos de expansão ameaçados e a rivalidade latente com o Brasil, o ditador paraguaio buscou a via do conflito.

Guerra do Paraguai

Início da Guerra do Paraguai

No dia 12 de novembro de 1864, as tropas paraguaias aprisionaram o navio brasileiro Marquês de Olinda, que subia o rio Paraguai. Semanas depois, o Mato Grosso do Sul foi invadido. Em março do ano seguinte, foi a vez do norte da Argentina ser invadido.

Em um primeiro momento, a guerra foi marcada pelo avanço das tropas paraguaias e pelo espanto de brasileiros e argentinos, pegos de surpresa pela guerra repentina. Tanto o Brasil quanto a Argentina se achavam despreparados para um conflito de grande porte naquele momento.

A Tríplice Aliança

Em 1 de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, com o compromisso de combater de forma conjunta as tropas paraguaias. No mês seguinte, enquanto os paraguaios invadiam o Rio Grande do Sul, a armada brasileira, melhor preparada que o exército, conseguiu uma grande vitória na Batalha de Riachuelo.

Essa vitória foi importantíssima, pois as comunicações na região eram feitas pelo rio Paraguai. Com a vitória, a armada brasileira passou a controlar o rio, cortando a via de comunicação do inimigo. A partir dessa batalha, os rumos da guerra começaram a mudar.

No final de julho, o grosso do exército brasileiro já estava no Rio Grande do Sul para expulsar os paraguaios, contando com a presença do próprio imperador Dom Pedro II. Agora as tropas de Solano Lopes estavam na defensiva, sofrendo diversos ataques e sendo obrigados a recuar.

Em 1866, os aliados levaram a guerra para dentro do território paraguaio, travando várias batalhas, entre elas a Batalha de Tuiuti, uma das mais sangrentas da guerra.

 

Caxias assume o comando

Duque de CaxiasEm 1866, Luis Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, assume o comando das tropas aliadas. Após um período de estagnação, no qual procurou reestruturar as forças brasileiras e combater as epidemias que assolavam os acampamentos, as tropas atacaram a poderosa fortaleza de Humaitá, que só seria conquistada em julho de 1868.

A Dezembrada

Em dezembro de 1868, Caxias, à frente das tropas aliadas, conseguiu uma série de vitórias contra os inimigos. As vitórias nas batalhas de Itororó, Avaí (uma das mais importantes do conflito) e Lomas Valentinas praticamente aniquilaram o exército paraguaio.

O ditador Solano López, acompanhado de uma pequena tropa, fugiu para o norte. Por essas vitórias, o período ficou conhecido como a “Dezembrada”.

Após essas vitórias, e sofrendo com problemas de saúde, Caxias retorna ao Rio de Janeiro. Coube ao Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, a vitória final em Cerro Corá, com a morte de Francisco Solano López. Finalmente, em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz, que só seria finalizado dois anos depois.

Guerra do Paraguai

Consequências

A guerra foi devastadora para o Paraguai. Estima-se que, aproximadamente, dois terços da população tenham morrido, vítimas de combates, fome e doenças. Economicamente, o país ficou arrasado, e ainda perdeu boa parte do território.

O Brasil, apesar do alto custo da guerra e do elevado número de mortos, teve sua posição hegemônica fortalecida no continente. O conflito também contribuiu para o fim posterior da monarquia brasileira, pois alimentou o desejo de uma república no país.


Referências utilizadas neste conteúdo:

Doratioto, Francisco. Maldita Guerra: Nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
Salles, Ricardo. Guerra do Paraguai - memórias e imagens. Editora Miguel de Cervantes, 2003.
Vainfas, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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